Economia

Treasuries: veja tipos, riscos e como investir em títulos do Tesouro americano

Poucos números do mercado financeiro internacional são acompanhados com tanta atenção quanto a taxa dos Treasuries, os títulos que o governo americano emite para se financiar. Essa taxa serve de referência para o custo de crédito e para a precificação de ativos em vários países, inclusive no Brasil. O interesse pelos Treasuries cresceu nas últimas...

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Poucos números do mercado financeiro internacional são acompanhados com tanta atenção quanto a taxa dos Treasuries, os títulos que o governo americano emite para se financiar. Essa taxa serve de referência para o custo de crédito e para a precificação de ativos em vários países, inclusive no Brasil.

O interesse pelos Treasuries cresceu nas últimas semanas com o movimento de alta dos juros americanos.

O rendimento do título de 10 anos fechou a 5,2% nesta segunda-feira, 28, o nível mais alto desde 2007. Já o de 30 anos terminou em 5,5%, maior patamar desde 2004. A alta dos rendimentos ocorre em meio à inflação persistente e à expectativa de novas altas de juros pelo Federal Reserve, o banco central americano.

Como funcionam os títulos do Tesouro americano

Para quem tem Treasuries na carteira, a alta dos juros afeta diretamente o preço dos títulos. Os títulos são vendidos em leilões pelo Departamento do Tesouro e depois negociados diariamente no mercado secundário, onde o preço oscila. Quando os juros sobem, os papéis emitidos antes, que pagam taxas menores, perdem valor.

Foi o que aconteceu com quem comprou títulos longos antes da alta recente. Nos títulos de taxa fixa, quem leva o papel até o vencimento recebe os juros e o principal previstos na emissão. Quem precisa vender antes fica sujeito ao preço de mercado. A lógica é a mesma dos títulos do Tesouro Direto no Brasil.

O pagamento é garantido pelo governo americano, e os prazos vão de algumas semanas a 30 anos. O prazo, a forma de pagar os juros e o indexador definem os diferentes tipos de Treasury.

Quais são os tipos de Treasuries

Título Prazo Como remunera Similar no Tesouro Direto
T-Bill 4 semanas  a 1 ano Comprado com desconto, paga tudo no vencimento Tesouro Prefixado (LTN)
T-Note 2 a 10 anos Juro fixo pago a cada 6 meses Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F)
T-Bond 20 ou 30 anos Juro fixo pago a cada 6 meses Sem similar nesse prazo
TIPS 5, 10 ou 30 anos Valor investido corrigido pela inflação (CPI) e juro pago a cada 6 meses Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B)
FRN 2 anos Juro variável, ligado à T-Bill de 13 semanas, pago a cada 3 meses Tesouro Selic (LFT)
STRIPS Até 30 anos Comprado com desconto, paga tudo no vencimento  Tesouro Prefixado (LTN) e Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)

A T-Bill é o título de curto prazo. Quem compra uma T-Bill de US$ 1.000 por US$ 975, por exemplo, recebe os US$ 1.000 no vencimento e embolsa a diferença como rendimento.

T-Notes e T-Bonds pagam cupons, juros distribuídos a cada seis meses até o vencimento, quando o investidor recebe o último cupom e o valor investido. A taxa do cupom é definida no leilão de emissão.

Os TIPS (Treasury Inflation-Protected Securities) protegem contra a inflação. O principal, valor que o governo se compromete a devolver ao investidor no vencimento, é corrigido pelo índice de preços ao consumidor (CPI), e o juro fixo incide sobre essa quantia atualizada. No vencimento, o investidor recebe o maior valor entre o principal corrigido e o original, o que evita perdas em caso de deflação.

Os FRNs (Floating Rate Notes) são o pós-fixado do Tesouro americano. A taxa acompanha a T-Bill de 13 semanas, somada a um spread fixo definido na emissão. A lógica lembra a do Tesouro Selic, com a diferença de que o FRN paga juros a cada três meses. Como a taxa se ajusta com frequência, o preço oscila pouco, e o título é usado como aplicação de caixa.

Os STRIPS não são vendidos pelo Tesouro. Bancos e corretoras separam o principal e os cupons de T-Notes, T-Bonds e TIPS, e cada parte passa a ser negociada como um título independente, comprado com desconto e pago de uma vez no vencimento.

O Tesouro americano tem uma plataforma própria de venda direta, o TreasuryDirect, mas ela fica fora do alcance da maioria dos brasileiros. Para abrir conta diretamente na plataforma é preciso ter número de seguridade social (SSN), endereço e conta bancária nos Estados Unidos. 

Para quem mora no Brasil, os caminhos mais comuns são quatro: 

  • Um deles é abrir conta em corretora internacional e comprar os títulos no mercado secundário ou nos leilões, quando a corretora oferece acesso;
  • O segundo é investir em ETFs que reúnem carteiras de Treasuries, negociados nas bolsas americanas; 
  • O terceiro são os BDRs desses ETFs, listados na B3 e negociados em reais; 
  • E há ainda os fundos brasileiros que aplicam em títulos americanos.

Quando os Treasuries ficam custodiados em uma corretora americana, a proteção relevante é o SIPC, que cobre ativos até US$ 500 mil em caso de quebra de uma instituição associada, com limite de US$ 250 mil para dinheiro em conta. A proteção vale também para clientes que não moram nos Estados Unidos, mas não cobre perdas causadas pela oscilação de preço dos títulos.

Quais são os riscos de investir em Treasuries

O risco de calote é considerado baixo porque o pagamento depende do governo americano. Os outros riscos são concretos.

O principal é o de taxa de juros. Quem precisar vender um título longo antes do vencimento, em um momento de alta dos juros, vende com prejuízo. Quem leva o papel até o fim recebe exatamente o que foi contratado.

O segundo risco é o cambial. Para o investidor que pensa em reais, o resultado final depende da variação do dólar. Uma queda da moeda americana pode anular o ganho com juros.

Há ainda o risco de reinvestimento. Quando uma T-Bill vence em um cenário de juros menores, o dinheiro volta a ser aplicado a uma taxa mais baixa.

Por fim, há o risco de inflação. Se o CPI, índice de preços ao consumidor americano, subir acima da taxa contratada em um título prefixado, o rendimento real fica negativo. Os TIPS foram criados para proteger o investidor desse cenário

Como funciona a tributação

No Brasil, os rendimentos de aplicações financeiras no exterior seguem a Lei 14.754, de 2023. A norma determina a declaração separada desses rendimentos no ajuste anual do Imposto de Renda, com alíquota de 15% sobre a parcela anual, sem dedução na base de cálculo. A variação cambial entra no cálculo do rendimento.

Nos Estados Unidos, os juros de Treasuries pagos a investidores estrangeiros não são tributados na fonte, desde que o investidor apresente à corretora o formulário W-8BEN, que comprova que ele não mora no país. A regra pode ser diferente quando o investimento é feito por ETFs, cujas distribuições têm tratamento próprio. Quem investe por BDRs ou fundos brasileiros segue as regras de tributação desses produtos no Brasil.



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Redação A Notícia 24H.