A T-Bill é o título de curto prazo. Quem compra uma T-Bill de US$ 1.000 por US$ 975, por exemplo, recebe os US$ 1.000 no vencimento e embolsa a diferença como rendimento.
T-Notes e T-Bonds pagam cupons, juros distribuídos a cada seis meses até o vencimento, quando o investidor recebe o último cupom e o valor investido. A taxa do cupom é definida no leilão de emissão.
Os TIPS (Treasury Inflation-Protected Securities) protegem contra a inflação. O principal, valor que o governo se compromete a devolver ao investidor no vencimento, é corrigido pelo índice de preços ao consumidor (CPI), e o juro fixo incide sobre essa quantia atualizada. No vencimento, o investidor recebe o maior valor entre o principal corrigido e o original, o que evita perdas em caso de deflação.
Os FRNs (Floating Rate Notes) são o pós-fixado do Tesouro americano. A taxa acompanha a T-Bill de 13 semanas, somada a um spread fixo definido na emissão. A lógica lembra a do Tesouro Selic, com a diferença de que o FRN paga juros a cada três meses. Como a taxa se ajusta com frequência, o preço oscila pouco, e o título é usado como aplicação de caixa.
Os STRIPS não são vendidos pelo Tesouro. Bancos e corretoras separam o principal e os cupons de T-Notes, T-Bonds e TIPS, e cada parte passa a ser negociada como um título independente, comprado com desconto e pago de uma vez no vencimento.
O Tesouro americano tem uma plataforma própria de venda direta, o TreasuryDirect, mas ela fica fora do alcance da maioria dos brasileiros. Para abrir conta diretamente na plataforma é preciso ter número de seguridade social (SSN), endereço e conta bancária nos Estados Unidos.
Para quem mora no Brasil, os caminhos mais comuns são quatro:
- Um deles é abrir conta em corretora internacional e comprar os títulos no mercado secundário ou nos leilões, quando a corretora oferece acesso;
- O segundo é investir em ETFs que reúnem carteiras de Treasuries, negociados nas bolsas americanas;
- O terceiro são os BDRs desses ETFs, listados na B3 e negociados em reais;
- E há ainda os fundos brasileiros que aplicam em títulos americanos.
Quando os Treasuries ficam custodiados em uma corretora americana, a proteção relevante é o SIPC, que cobre ativos até US$ 500 mil em caso de quebra de uma instituição associada, com limite de US$ 250 mil para dinheiro em conta. A proteção vale também para clientes que não moram nos Estados Unidos, mas não cobre perdas causadas pela oscilação de preço dos títulos.
Quais são os riscos de investir em Treasuries
O risco de calote é considerado baixo porque o pagamento depende do governo americano. Os outros riscos são concretos.
O principal é o de taxa de juros. Quem precisar vender um título longo antes do vencimento, em um momento de alta dos juros, vende com prejuízo. Quem leva o papel até o fim recebe exatamente o que foi contratado.
O segundo risco é o cambial. Para o investidor que pensa em reais, o resultado final depende da variação do dólar. Uma queda da moeda americana pode anular o ganho com juros.
Há ainda o risco de reinvestimento. Quando uma T-Bill vence em um cenário de juros menores, o dinheiro volta a ser aplicado a uma taxa mais baixa.
Por fim, há o risco de inflação. Se o CPI, índice de preços ao consumidor americano, subir acima da taxa contratada em um título prefixado, o rendimento real fica negativo. Os TIPS foram criados para proteger o investidor desse cenário
Como funciona a tributação
No Brasil, os rendimentos de aplicações financeiras no exterior seguem a Lei 14.754, de 2023. A norma determina a declaração separada desses rendimentos no ajuste anual do Imposto de Renda, com alíquota de 15% sobre a parcela anual, sem dedução na base de cálculo. A variação cambial entra no cálculo do rendimento.
Nos Estados Unidos, os juros de Treasuries pagos a investidores estrangeiros não são tributados na fonte, desde que o investidor apresente à corretora o formulário W-8BEN, que comprova que ele não mora no país. A regra pode ser diferente quando o investimento é feito por ETFs, cujas distribuições têm tratamento próprio. Quem investe por BDRs ou fundos brasileiros segue as regras de tributação desses produtos no Brasil.
