Economia

ETFs podem superar 400 produtos no Brasil em 2027, diz S&P

A avaliação reflete tanto o perfil do investidor local, historicamente concentrado em renda fixa, quanto o movimento da própria indústria no país. Só neste ano, os fundos que seguem índices de títulos públicos e privados captaram quase o triplo do que os atrelados a ações no critério “ingressos líquidos” (aportes menos resgates). O potencial brasileiro...

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A avaliação reflete tanto o perfil do investidor local, historicamente concentrado em renda fixa, quanto o movimento da própria indústria no país.

Só neste ano, os fundos que seguem índices de títulos públicos e privados captaram quase o triplo do que os atrelados a ações no critério “ingressos líquidos” (aportes menos resgates).

O potencial brasileiro também se estende ao interesse internacional pelo país, a despeito dos riscos fiscais. Questionada sobre como investidores estrangeiros enxergam o Brasil, Clay afirmou que o mercado brasileiro há muito tempo desperta atenção nos Estados Unidos.

“Depois de muitos anos no mercado de capitais, posso dizer que o Brasil sempre se destacou como uma região de oportunidades. Especialmente no mercado americano, os participantes há muito tempo se perguntam como podem investir no Brasil de maneira mais significativa”, disse.

Segundo ela, esse interesse abrange ações, derivativos e renda fixa. Os ETFs podem funcionar como mais um instrumento de acesso ao mercado brasileiro para investidores internacionais e, no sentido inverso, facilitar a exposição dos brasileiros a ativos negociados no exterior.

No país, a classe como um todo tem sido destaque de crescimento nos últimos anos no país, com os ETFs, incluindo os de renda fixa e variável, marcando 14 meses seguidos de entradas líquidas.

Educação é o desafio

Apesar do otimismo com a expansão, Clay considera que a multiplicação dos produtos não é suficiente para garantir o amadurecimento do mercado.

Questionada sobre o que falta ao Brasil para que a adoção seja ainda mais significativa, ela apontou a educação financeira: “É realmente um esforço educacional de massa para fazer com que todos enxerguem as oportunidades pela mesma perspectiva”, afirmou.

A questão ganha relevância à medida que a variedade de ETFs aumenta. Isso representa mais chances de diversificar, mas exige entender as diferenças entre índices, estratégias, custos e riscos.

Nos Estados Unidos, com milhares de fundos, a profusão já atrapalha a escolha, observou a executiva no painel que antecedeu a entrevista. O desafio, segundo ela, é reduzir as barreiras de entrada para quem está começando.

Um exemplo citado por Clay são as Trump Accounts, contas de investimento para crianças e adolescentes nos Estados Unidos. O governo deposita US$ 1 mil para crianças elegíveis nascidas entre 2025 e 2028, e o dinheiro vai automaticamente para um ETF do S&P 500, com possibilidade de aportes das famílias.

O diferencial, para ela, é tirar do caminho a dúvida de quem abre a conta e não sabe onde aplicar. “Imagine que você abre uma conta, mas o dinheiro simplesmente vai para uma poupança. Pouquíssimas pessoas saberão tomar a próxima decisão de investimento”, disse.

O ponto é que, “quanto mais cedo uma pessoa começa a aprender sobre os mercados, desenvolver educação financeira e ter alguma exposição a investimentos, mais bem informada ela será ao longo da vida”, afirmou. E completou: “Qualquer país pode fazer isso, se houver interesse e vontade nos níveis regulatório e governamental.”

Mais do que ampliar a oferta de produtos, o desafio passa por ampliar a educação e facilitar a passagem da poupança para os investimentos, tornando o mercado acessível a um público maior.



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Redação A Notícia 24H.