Negociação pela Amil afunila – e há pouco espaço para novas concessões
A negociação para a venda da Amil está próxima do limite, com os dois lados cada vez menos dispostos a fazer novas concessões, relatam fontes próximas à operação ouvidas pelo InvestNews. Depois de meses de conversas, as gestoras Bain Capital e Advent International e o empresário José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, entraram numa etapa...
A negociação para a venda da Amil está próxima do limite, com os dois lados cada vez menos dispostos a fazer novas concessões, relatam fontes próximas à operação ouvidas pelo InvestNews.
Depois de meses de conversas, as gestoras Bain Capital e Advent International e o empresário José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, entraram numa etapa em que qualquer novo impasse pode fazer a transação cair por terra.
Uma versão considerada final do contrato já circula entre as partes, de acordo com uma das fontes. A expectativa é de uma resposta definitiva ainda nesta semana, com pouco espaço para uma nova rodada de mudanças nas condições já negociadas.
O preço, que concentrou boa parte das discussões nas etapas anteriores, deixou de ser o principal ponto de divergência. As conversas agora esbarram principalmente nas garantias que os compradores querem para se proteger de eventuais passivos da Amil depois da aquisição e na estrutura fiscal da transação.
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Na prática, Bain e Advent tentam limitar o risco de assumir a companhia e descobrir posteriormente obrigações que não estavam previstas na conta original. Uma das possibilidades nesse tipo de proteção é manter parte do dinheiro da venda retida por determinado período para cobrir eventuais contingências.
A avaliação entre interlocutores é de que ainda há caminho para um acordo, mas o otimismo visto recentemente já não é mais o mesmo.
Estrutura da venda
O desenho discutido continua envolvendo a venda de 100% da Amil. Uma operação por uma participação minoritária seria mais simples de acomodar e, na avaliação de uma das fontes, já teria saído.
A discussão pela totalidade da companhia também ajuda a explicar a dureza das últimas rodadas.
Para deixar completamente a Amil, Júnior exige condições que considera compatíveis não apenas com o valor atual da empresa, mas também com o potencial da companhia após o turnaround promovido.
Empresário José Seripieri Filho, o Júnior, dono da Amil (Ilustração: Daniela Arbex)
A posição do empresário na mesa é reforçada pelo desempenho da própria Amil. Júnior não enfrenta uma necessidade financeira imediata de vender e viu a companhia voltar a crescer, gerar caixa e distribuir dividendos desde que a comprou da UnitedHealth.
Como mostrou o InvestNews, sua estrutura societária já recebeu em dividendos valor superior aos cerca de R$ 2 bilhões desembolsados pelo empresário na aquisição.
Esse retorno reduz o custo de simplesmente continuar com a companhia caso considere insuficientes as condições oferecidas pelos fundos.
Do outro lado, Bain e Advent também já avançaram nos preparativos para uma eventual aquisição, incluindo discussões sobre como financiar a compra e uma futura gestão para a empresa.
O estágio avançado dos dois lados torna o momento atual particularmente sensível: existe disposição para fechar negócio, mas cada vez menos espaço para ceder.