Na terça-feira, a Apple anunciou o HomeView, um dispositivo para casas inteligentes que funciona como central de controle e custa US$ 299, além de versões atualizadas dos alto-falantes HomePod e de uma série de novos aparelhos desenvolvidos em parceria com a LG Electronics. O conjunto inclui termostato, campainha com câmera, fechadura e câmeras de segurança para ambientes internos e externos.
As ações da Apple subiram durante o pregão, levando brevemente o valor de mercado da empresa a ultrapassar US$ 5 trilhões. No fechamento, porém, ficaram abaixo desse patamar.
O mercado global de telas inteligentes para casas, que já é pequeno e está encolhendo, parece pronto para uma reinvenção. A consultoria de pesquisa IDC estima que as vendas somaram US$ 2,3 bilhões em 2025, abaixo dos US$ 2,5 bilhões registrados em 2023.
A Amazon e o Google são os principais participantes desse mercado, mas seus produtos têm limitações. As telas Echo Show, da Amazon, exibem anúncios que não podem ser desativados. O Google não lança um novo dispositivo Nest Hub desde 2021.
As duas empresas estão adicionando mais recursos de inteligência artificial, mas isso não foi suficiente para reanimar as vendas. Na China, a Baidu, maior participante do mercado local, vendeu no ano passado metade do número de telas inteligentes que comercializou em 2023. Tudo isso sugere que há espaço para a Apple.
“A Apple está atrasada nesse segmento de mercado”, disse Elizabeth Parks, da consultoria de pesquisa Parks Associates. A empresa, porém, conta com muitos admiradores que compram seus produtos quase automaticamente.
“A fidelidade do consumidor é um trunfo enorme para a Apple. Isso coloca a empresa em uma posição única para conquistar clientes dentro de casa”, afirmou.
Segundo Parks, isso será especialmente verdadeiro se a central de controle da Apple e os dispositivos complementares da LG funcionarem de maneira simples e integrada.
Há muito tempo, consumidores reclamam da dificuldade de configurar aparelhos inteligentes e de resolver problemas quando eles perdem a conexão. Essas dificuldades têm freado o crescimento do mercado, enquanto as pessoas tentam montar sistemas inteligentes combinando produtos de diferentes fabricantes.
A dúvida é se a Apple tem um recurso capaz de convencer os consumidores a comprar seus produtos.
A empresa apresenta sua nova inteligência artificial da Siri como uma ferramenta ideal para administrar a vida digital de uma família e o HomeView como o dispositivo para acessá-la.
Entre os recursos anunciados pela Apple está a possibilidade de dar comandos de voz à Siri no HomeView para adicionar itens a uma lista de compras enquanto o usuário prepara o jantar das crianças.
OpenAI e Anthropic
O problema é que a Siri continua mais lenta e menos inteligente do que o ChatGPT, da OpenAI, ou o Claude, da Anthropic. Além disso, ela não consegue realizar tarefas como os aplicativos de assistente pessoal Muse e Instinct, da Meta.
O Instinct, por exemplo, não se limita a montar uma lista de compras: ele pode comprar os produtos para o usuário, comparar preços em sites de diferentes lojas e fazer um pedido para entrega no estabelecimento mais barato.
De acordo com testes do The Wall Street Journal, a inteligência artificial da Siri ainda encontra dificuldades até mesmo com solicitações básicas, como reproduzir músicas e fazer ligações.
“A Apple ainda enfrenta uma batalha difícil”, disse Michael Levin, do Consumer Intelligence Research Partners. Os dados das pesquisas de sua empresa mostram que a Amazon conquistou dois terços do mercado americano e que, depois que as famílias instalam alto-falantes inteligentes e outros dispositivos para casas conectadas, é difícil convencê-las a mudar de ecossistema.
O mesmo vale para os produtos de segurança residencial conectados, liderados por câmeras, campainhas e fechaduras. Segundo a IDC, esse mercado movimentou US$ 27 bilhões em 2025, um crescimento de 3% em relação a 2024.
Muitas pessoas interessadas em câmeras de segurança residencial já instalaram dispositivos Ring, da Amazon. A Apple afirma que a privacidade é outro motivo para escolher seu sistema, mas ainda não se sabe se esse argumento será suficiente para convencer os consumidores a enfrentar o trabalho de substituir os equipamentos que já possuem.
A Apple afirma conhecer melhor seus usuários e diz que o HomeView poderá usar esse chamado “contexto pessoal” para oferecer mais recursos do que os dispositivos concorrentes.
Mais uma vez, o desafio da empresa será provar que o aparelho consegue, de fato, usar os dados das pessoas para realizar tarefas úteis.
A Apple sempre foi boa em desenvolver equipamentos de alta qualidade, uma competência que deve continuar sob o comando de seu novo CEO, que liderou a área de engenharia de hardware da empresa. No passado, porém, a companhia teve dificuldades para desenvolver recursos de software à altura de seus aparelhos.
Entre em contato com Rolfe Winkler pelo e-mail Rolfe.Winkler@wsj.com.
Traduzido do inglês por InvestNews
