Entre os nomes estão Bradesco, B3, Gerdau e Equatorial. A movimentação coincidiu com a expansão de ETFs da BlackRock que oferecem exposição ao Brasil, incluindo o EWZ, negociado nos Estados Unidos e composto por ações de empresas brasileiras.
O levantamento do InvestNews, realizado com auxílio de inteligência artificial, analisou os comunicados públicos enviados pelas companhias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A comunicação só é obrigatória quando um investidor ultrapassa 5% das ações de determinada empresa.
As participações informadas nas cartas reúnem posições de fundos e carteiras sob gestão da BlackRock. Segundo a gestora, as aquisições têm finalidade de investimento, sem intenção de alterar o controle das companhias.
As investidas
Na B3, empresa que opera a bolsa brasileira, a posição administrada pela BlackRock chegou a 10,075% das ações ordinárias, que dão direito a voto nas assembleias de acionistas. Na Equatorial, atingiu 10,029%.
No Bradesco e na Gerdau, os aumentos levaram a gestora a superar 10% das ações preferenciais, que geralmente oferecem vantagens no pagamento de dividendos e têm restrições ao voto. As participações chegaram a 10,060% e 10,025%, respectivamente.
Outras dez companhias informaram posições superiores a 5% das respectivas classes de ações: Banco ABC Brasil, Banrisul, Copasa, Alupar, Metalúrgica Gerdau, Allos, Unipar, Totvs, Usiminas e Azzas 2154. As posições consideradas no levantamento têm datas entre 5 e 8 de outubro.
A lista mostra onde a BlackRock ampliou sua presença, mas não permite calcular o valor das compras. Os comunicados apresentam a quantidade de ações detidas após as aquisições, sem discriminar o volume comprado nesse intervalo nem os preços pagos.
Também é preciso distinguir a data da divulgação da data da posição informada. A Iguatemi publicou uma carta da BlackRock em 5 de outubro, mas o documento retratava a posição de 30 de setembro. Por isso, ficou fora da contagem dos aumentos posteriores à votação.
EWZ cresce
A expansão do EWZ ajuda a contextualizar a sequência de aumentos. Entre os fechamentos de 5 e 13 de outubro, o número de cotas em circulação passou de 238,4 milhões para 301,8 milhões, uma alta de 26,6%, segundo dados da iShares, marca de ETFs da BlackRock.
O aumento das cotas indica entrada líquida de ativos no fundo. Ao comprar uma cota na bolsa americana, o investidor pode adquirir um título que já pertencia a outro investidor. Na criação de novas cotas, instituições autorizadas entregam dinheiro ou uma cesta de ativos ao ETF em troca dos novos títulos, ampliando seu patrimônio.
Como o EWZ busca acompanhar um índice de ações brasileiras e é o principal negociado no exterior, esse mecanismo pode ampliar posições em diversas companhias ao mesmo tempo. B3 e Bradesco estão entre os papéis de sua carteira.
O movimento também apareceu no EWZS, outro ETF da BlackRock, voltado a empresas brasileiras de menor porte. Entre 5 e 9 de outubro, suas cotas em circulação aumentaram de 17,95 milhões para 21,3 milhões, uma alta de 18,7%. Totvs, Copasa e Allos estão entre as empresas presentes nesse fundo.
