A Braskem iniciou a recuperação extrajudicial na segunda-feira (24), justamente quando terminava o prazo de um acordo anterior que suspendia medidas dos credores contra a empresa.
Bondholders que se organizaram em grupos para negociar a reestruturação representavam pouco mais de 31% de toda a dívida incluída no processo, mostram os documentos.
Entre os principais bondholders da Braskem estão Elliott Investment Management e Contrarian Capital Management, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. AllianceBernstein, Capital Group e PGIM também estão entre os investidores que possuem títulos da empresa, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
Bancos
Os outros R$ 34,1 bilhões em dívidas, equivalentes a 60,4% do total, estavam nas mãos de credores que não haviam concordado com o plano, segundo os documentos apresentados na segunda-feira (24).
Alguns bancos foram convidados a participar do acordo que já havia sido negociado em grande parte entre a Braskem e os bondholders, segundo duas pessoas familiarizadas com as negociações.
Os bancos, porém, fizeram algumas exigências, como a apresentação de mais garantias. A Braskem não aceitou essas condições, segundo as fontes, que pediram anonimato porque as informações são privadas.
Parte relevante da dívida classificada como não participante está ligada a títulos e créditos bancários administrados por instituições financeiras que atuam como representantes dos credores, agentes ou custodiante, segundo os documentos.
Pela legislação brasileira, uma empresa pode pedir recuperação extrajudicial quando consegue o apoio de credores que representem pelo menos um terço do valor das dívidas envolvidas no processo.
Depois disso, a companhia tem 90 dias para negociar mudanças no plano e buscar o apoio de credores que representem mais da metade da dívida. Esse é o percentual necessário para que o plano seja aprovado pela Justiça.
Aporte de capital
O plano apresentado à Justiça prevê que os principais acionistas da Braskem — Petrobras e IG4 Capital Group — ou terceiros indicados por eles forneçam novos recursos à empresa ou garantam que esse dinheiro será disponibilizado.
Ainda não estão definidos, porém, o valor do aporte, como ele será estruturado nem quando o dinheiro será injetado na companhia.
A Braskem, maior produtora de petroquímicos da América Latina, enfrenta dificuldades financeiras após anos de problemas. O caixa da empresa foi pressionado pelos custos relacionados ao desastre ambiental em uma de suas minas de sal, enquanto o setor petroquímico passou por um longo período de preços baixos.
A reestruturação também acontece em um momento difícil para empresas brasileiras, que enfrentam o impacto dos juros elevados.
Quem apoiou o plano
A maior adesão ao plano veio dos investidores que possuem títulos subordinados com vencimento em 2081: cerca de 67% desse grupo concordou com a reestruturação.
Na sequência aparecem os títulos com juros de 4,5% e vencimento em 2028, com cerca de 60% de adesão.
Os títulos com juros de 7,25% e vencimento em 2033 e os papéis com juros de 8,5% e vencimento em 2031 tiveram participação de aproximadamente 58% cada.
O apoio foi menor em outras séries de títulos da Braskem. Apenas cerca de 30% dos papéis com juros de 5,875% e vencimento em 2050 concordaram com o plano.
Já os títulos com juros de 7,125% e vencimento em 2041 tiveram a menor adesão, de aproximadamente 13%.
A maior série de títulos na lista de credores — os papéis com juros de 4,5% e vencimento em 2030 — ficou praticamente dividida entre investidores que apoiaram e os que não apoiaram a reestruturação.
Dívida em títulos
Bancos e outras instituições financeiras aparecem tanto entre os credores que apoiaram o plano quanto entre os que ficaram de fora.
Barclays Bank e Citibank estão entre os que assinaram o acordo. Já Pentágono DTVM, Itaú Unibanco, Banco Safra e vários bancos internacionais aparecem entre os credores que não participaram.
O Santander está dos dois lados: possui cerca de R$ 1,88 bilhão em créditos de credores que apoiaram o plano e outros R$ 391 milhões em créditos de credores que não apoiaram.
Barclays, Citi, Itaú e Santander não quiseram comentar. Safra e Pentágono não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
