Entre os voos que deixarão de ser oferecidos estão os de Brasília e Fortaleza para Orlando e os de Brasília e Belém para Miami. Também estão na lista as ligações do Rio de Janeiro (Galeão) e de Fortaleza para Montevidéu, do Galeão para Assunção e de São Paulo (Guarulhos) para Punta Cana.
As mudanças deixarão temporariamente a Flórida sem voos da GOL. Com os cortes, Nova York será o único destino da companhia nos Estados Unidos, em uma operação realizada com aeronaves Airbus A330-200 alugadas com tripulação da empresa espanhola Wamos Air.
Procurada pelo InvestNews, a Gol informou que está reduzindo ou suspendendo operações em alguns trechos, mas não confirmou individualmente as rotas mencionadas pelo portal.
Rotas afetadas
O Aeroin também identificou mudanças previstas em trechos domésticos, como voos de São Paulo (Congonhas) para Ribeirão Preto (SP) e Palmas (TO); de Brasília para Goiânia; de Salvador para Aracaju e Campina Grande (PB); de Fortaleza para Foz do Iguaçu (PR); do Rio de Janeiro (Galeão) para Ilhéus (BA); de Goiânia para Cuiabá; de Porto Velho para Cuiabá; de Petrolina (PE) para Salvador; e de Aracaju para Salvador.
Parte das rotas afetadas está entre as ligações mais longas operadas pela Gol com o Boeing 737 MAX 8. O gasto com combustível tende a ter peso relevante em voos mais longos, embora decisões sobre a manutenção de rotas também dependam de fatores como demanda, receita e custos operacionais.
Ao InvestNews, a Gol afirmou que os aumentos sucessivos do preço do querosene de aviação (QAV), combustível usado nos aviões, levaram a companhia a ajustar sua operação.
A empresa disse que o planejamento da malha aérea é dinâmico e contínuo e que as mudanças são definidas de acordo com as necessidades da operação como um todo, sem priorização ou distinção regional.
Por fim, a Gol afirmou que continuará oferecendo alternativas de conexão aos passageiros por meio de voos próprios ou de mais de 60 empresas aéreas parceiras.
Alta do querosene
A revisão da malha ocorre após dois reajustes consecutivos no preço do querosene de aviação vendido pela Petrobras às distribuidoras. Em setembro, o combustível ficou 13,9% mais caro. Em outubro, houve novo aumento, de 11,8%. Somados, os reajustes elevaram o preço em 27,3% em dois meses.
A alta está relacionada à pressão sobre o mercado internacional de petróleo e derivados em meio às tensões no Oriente Médio. O combustível é um dos principais custos das companhias aéreas e, quando fica mais caro, reduz as margens das empresas e pode levar a reajustes nas passagens ou a mudanças na oferta de voos.
No caso da Gol, o querosene de aviação representa cerca de 40% dos custos operacionais, segundo a própria companhia. Quando o preço do combustível sobe, as despesas das empresas aéreas aumentam, o que pode pressionar as margens e levar a reajustes nas passagens.
Nos 12 meses até agosto, as tarifas aéreas acumularam alta de 26,3%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, registrou aumento de 9,82% nas passagens em relação ao mês anterior.
Licença não remunerada
Além dos ajustes na malha, o Aeroin informou que a Gol reabriu um programa de licença não remunerada (LNR) para tripulantes. Esta licença permite que os funcionários se afastem temporariamente do trabalho por períodos de três a seis meses, mantendo o vínculo empregatício e os benefícios, mas sem receber salário durante o afastamento.
A informação foi atribuída pelo site a relatos de funcionários da companhia. A Gol não confirmou publicamente a reabertura do programa nas informações disponíveis para esta reportagem.
