Em um discurso aos formandos da universidade, dois anos atrás, aconselhou: “Presuma sempre que você é tão inteligente quanto qualquer outra pessoa na sala, mas nunca presuma que sabe tanto quanto ela.”
O oitavo CEO da Apple construiu sua carreira à frente da engenharia de hardware de diferentes produtos. Também supervisionou a passagem dos processadores Intel para os chips desenvolvidos pela própria empresa.
“John não é do tipo que compra briga”, diz uma pessoa próxima à Apple. “Mas não se deixa pressionar. Lida bem com as pessoas e se concentra em fazer o trabalho.”
Se Cook era um gênio das operações, Ternus chega com experiência em produtos justamente quando a Apple precisa encontrar seu lugar na próxima geração de tecnologias movidas por inteligência artificial.
Depois de vender mais de 3 bilhões de iPhones desde 2007, é difícil imaginar o que poderia ocupar o lugar do aparelho. Talvez alguma coisa ocupe.
Amit Daryanani, analista da Evercore ISI, elevou seu preço-alvo para a ação da Apple de US$ 365 para US$ 380; o papel está em US$ 337. Uma pesquisa anual que ele faz sobre a intenção de compra de iPhones aponta para um ciclo de troca de aparelhos melhor que o esperado, impulsionado pelos lançamentos recentes.
O analista prevê aumento nas unidades vendidas e no preço médio, à medida que mais consumidores escolham modelos sofisticados. As vendas do Duo, porém, devem ganhar força aos poucos.
Ternus enfrenta uma dificuldade: a ação da Apple já é cara, negociada a 38 vezes o lucro dos últimos 12 meses. Para usar um dos advérbios favoritos de Jobs, a expectativa está “insanamente” alta. Ainda assim, eu não apostaria contra a capacidade de Ternus de alcançá-la.
Berkshire Hathaway
Greg Abel é o mais conhecido dos novos CEOs. Também é o que está há mais tempo no cargo, desde 1º de janeiro.
Mas a principal razão para sua fama é suceder Buffett, ao lado de quem já apareceu na reunião anual da Berkshire, conhecida como o “Woodstock dos capitalistas”. Abel, de 64 anos – meia-idade para os padrões da empresa – presidiu sua primeira reunião em 2 de maio.
Ele é um executivo de operações, não um investidor, e pode dar mais atenção à gestão dos negócios do que às aplicações financeiras. “O foco na excelência operacional não diminuiu”, disse recentemente ao The Wall Street Journal.

Os investimentos, porém, são essenciais para o funcionamento da Berkshire. Buffett, hoje com 96 anos e presidente emérito, aparentemente ainda toma decisões nessa área.
Enquanto isso, Todd Combs, um dos gestores de investimentos da companhia, saiu, e o outro, Ted Weschler, não teve suas atribuições ampliadas. Há um vazio a preencher?
Abel recomprou quase US$ 8 bilhões em ações no segundo trimestre. Somadas a um volume menor no primeiro, foram as primeiras recompras em alguns anos. No fim de maio, a Berkshire também fez uma aquisição modesta para seu porte: comprou a construtora Taylor Morrison Home por US$ 8,5 bilhões em dinheiro, incluindo a dívida assumida.
Desde que Abel assumiu, a ação da Berkshire subiu 1,2%, ante uma alta de 12,6% do índice S&P 500. Seria precipitado tirar conclusões daí, sobretudo em um mercado empolgado com a inteligência artificial – cenário em que se poderia esperar um desempenho inferior da Berkshire.
Animado com os resultados das operações ferroviárias e industriais, Brian Meredith, analista do UBS, elevou recentemente seu preço-alvo para a ação classe B de US$ 585 para US$ 604.
A Berkshire tem cerca de US$ 360 bilhões em caixa. O grau de cautela ou ousadia de Abel ao usar esse dinheiro será decisivo para os acionistas. Na avaliação de Meredith, a empresa hoje ganha menos do que poderia: aplicar parte desses recursos aumentaria seu potencial de lucro.
Walmart
John Furner, de 52 anos, assumiu o Walmart em 1º de fevereiro e já apresentou três balanços. Até agora, a reação de Wall Street é mista. A ação caiu 7% durante sua gestão, enquanto o S&P 500 subiu 11%. Ainda é cedo para julgá-lo, e parte da pressão sobre o papel – especialmente a inflação – está fora de seu controle.
Mesmo assim, é razoável imaginar que Furner espere uma recuperação neste outono americano. Seu time de futebol americano universitário, o Arkansas Razorbacks, também começou mal a temporada, com uma vitória e duas derrotas.
Filho de um executivo do Walmart, Furner começou na empresa em 1993, como funcionário do setor de jardinagem da loja número 100, perto da sede em Bentonville, no Arkansas. Trabalhou na China, comandou o Sam’s Club e ocupou um posto que costuma abrir caminho para o comando do grupo: o de presidente e CEO do Walmart nos Estados Unidos.

Furner gosta de tocar rock na guitarra, atividade que, segundo ele, o ajuda a ouvir melhor e a pensar de forma mais estratégica. Em uma entrevista, contou o que aprendeu trabalhando na fazenda do avô: quando precisava de algo, ele não comprava; ia até o galpão, juntava o que encontrava e resolvia o problema sem gastar dinheiro.
Kelly Bania, analista da BMO Securities, recomenda a compra da ação e tem preço-alvo de US$ 126, diante de uma cotação de US$ 110. Após se reunir com Furner e outros executivos, ela disse que a administração está bastante confiante na temporada de volta às aulas.
Segundo a analista, o Walmart vem ganhando espaço entre consumidores de renda mais alta, e o volume vendido em alimentos cresce muito mais rapidamente que o dos concorrentes.
A pressão do comércio eletrônico ainda reduz os ganhos da companhia, avalia Bania, mas essa situação tende a melhorar nos próximos anos. Música para os ouvidos de Furner.

