Economia

Dólar pós-eleitoral: por que o momento é de ampliar a diversificação em moeda forte

O susto da segunda-feira pós-segundo turno lembrou muita gente da importância de manter uma parcela do patrimônio diversificada em moeda forte. Para rememorar: no day after da eleição, o dólar saltou 8,21%, saindo de menos de R$ 5 para R$ 5,40. Agora, quatro dias após o fim da eleição, a moeda americana estabilizou em torno...

Por · 14:50 5 min de leitura
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O susto da segunda-feira pós-segundo turno lembrou muita gente da importância de manter uma parcela do patrimônio diversificada em moeda forte. Para rememorar: no day after da eleição, o dólar saltou 8,21%, saindo de menos de R$ 5 para R$ 5,40.

Agora, quatro dias após o fim da eleição, a moeda americana estabilizou em torno de R$ 5,35. No entanto, nesse nível ainda está mais de 7% acima da cotação da sexta-feira (23), pregão que antecedeu a segunda fase da votação para presidente.

Os bancos e corretoras veem o dólar acima de R$ 5,30 nos próximos meses e alertam que a volatilidade vai continuar elevada. Isso em meio aos sinais que o governo ainda vai emitir sobre a formação da equipe econômica e eventuais medidas para arrumar as contas públicas.

Muitas casas projetam um câmbio mais pressionado pela frente, com a moeda dos EUA potencialmente entre R$ 5,40 e R$ 5,50, se os sinais sobre a política fiscal não convencerem.

Por outro lado, caso o governo apresente nomes e propostas minimamente críveis, a divisa americana pode até cair abaixo de R$ 5,30.

O boletim Focus do banco Central, que reúne projeções das instituições financeiras, ainda mostra o dólar em R$ 5,05 no fim de 2026 e em R$ 5,15, em 2027. Mas são estimativas coletadas em 23 de outubro, antes portanto do segundo turno.

Em resumo, o cenário pela frente se mostra imprevisível. E, justamente, por conta do alto grau de incertezas, ampliar a fatia da carteira de investimentos em moeda forte se torna ainda mais importante.

Diversificação é o nome do jogo

“A diversificação internacional é o salva-vidas do patrimônio”, afirma Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue. O especialista ressalta que a ideia de ampliar o investimento em dólar não deve se basear no curto prazo, ou seja, nada de ficar ansioso porque você acha que pode ganhar com uma eventual alta do dólar nas próximas semanas.

“Nosso patrimônio não tem prazo de validade de dois meses para que a gente monte uma estratégia baseada nas propostas fiscais”, disse Benati. “O patrimônio não deve ter prazo de validade, ele é construído para se perpetuar, e a nossa estratégia de investimentos precisa seguir essa mesma lógica.”

E a lógica diz que, descorrelacionar parte dos investimentos dos ciclos domésticos nesse momento, protege a carteira.

Retornos históricos nos Treasuries

Mas tem mais. Os juros americanos estão nos níveis mais altos em duas décadas. “Conseguir travar esse tipo de taxa na renda fixa internacional é algo muito raro”, avaliou o estrategista da Avenue.

O retorno das Treasuries, os títulos públicos dos EUA, passam de 5% ao ano nos vencimentos mais longos. O papel de 10 anos, por exemplo, tem um rendimento nesta quinta-feira (29) de 5,02%, enquanto do de 30 anos está em 5,34%.

Na renda fixa, quando as taxas sobem, os preços dos títulos caem. E se os retornos ficam mais baixos, significa que o saldo na carteira de quem tem esses papéis aumentou. A regra vale para as Treasuries, um dos mercados mais líquidos do mundo, ou seja, com extrema facilidade de comprar e vender os ativos.

E porque isso importa? É que a maior parte dos investidores dificilmente vai levar o T-Bond de 30 anos até o vencimento. Em um horizonte de alguns anos, muito provavelmente, as taxas devem recuar e, com isso, valorizar o papel.

Retorno em dólar vs CDI

Vamos fazer um exercício para mostrar o que significa travar uma taxa de 5% em dólar por 10 anos.

Vamos supor que você tivesse conseguido esse retorno em outubro de 2016. Um investimento inicial de US$ 10 mil teria se tornado US$ 16,3 mil dez anos mais tarde.

Se considerarmos os valores em reais, há 10 anos, os US$ 10 mil convertidos seriam R$ 32 mil. Na cotação atual o valor que o investidor resgata atinge R$ 87,2 mil.

Trata-se de uma valorização de 172% em reais. O CDI no mesmo período variou 144%, enquanto a inflação pelo IPCA acumulou 62,3%.

É claro que retorno passado não garante resultados futuros, mas os números podem ser considerados como uma dimensão de como a diversificação em moeda forte pode ajudar a proteger o portfólio.

Saiba aqui como investir em Treasuries.

O dólar vai continuar a subir?

Além das incertezas internas, o dólar passa por um momento de fortalecimento global. A conjuntura reúne um ciclo de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), inflação americana pressionada e riscos políticos na Europa.

Os juros mais altos em dólar trazem um fluxo maior de recursos para o mercado americano. Parte desse dinheiro que flui para os EUA costuma sair de mercados vistos como mais arriscados, como o Brasil e outros emergentes.

Por aqui, há ainda um fator sazonal: a moeda americana costuma sofrer uma pressão de alta ante o real entre novembro e dezembro, com remessas de companhias e aquisição da moeda para viagens de fim de ano.

Por outro lado, a concentração da bolsa americana no setor de tecnologia tem levado investidores globais a buscar outros mercados, como forma de diversificar os riscos. O Brasil se beneficiou desse movimento entre 2025 e início de 2026.

Os estrangeiros ainda representam cerca de 60% do volume de negociações na bolsa local, conforme dados da B3 de outubro. Se o cenário macroeconômico brasileiro melhorar, o capital internacional pode voltar com mais força e sustentar um real mais valorizado.



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