Economia

Venda de medicamentos pelo Mercado Livre tem um obstáculo: a Anvisa

A iniciativa do Mercado Livre de expandir a venda de medicamentos sob prescrição no Brasil enfrenta obstáculo, já que a Anvisa, a agência de vigilância sanitária, decidiu analisar o plano da empresa de comércio eletrônico. A Anvisa afirmou em comunicado que não há “previsão normativa” para autorizar a intermediação de ‘marketplaces’ para finalidade de comercializar...

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A iniciativa do Mercado Livre de expandir a venda de medicamentos sob prescrição no Brasil enfrenta obstáculo, já que a Anvisa, a agência de vigilância sanitária, decidiu analisar o plano da empresa de comércio eletrônico.

A Anvisa afirmou em comunicado que não há “previsão normativa” para autorizar a intermediação de ‘marketplaces’ para finalidade de comercializar medicamentos.

O Mercado Livre anunciou o plano na semana passada e disse que pretende lançar o marketplace de medicamentos com vendedores terceiros na segunda quinzena de outubro. A plataforma de e-commerce ofereceria tratamentos — incluindo antibióticos e medicamentos para perda de peso — por meio de farmácias parceiras.

A Anvisa também solicitou dados ao Mercado Livre sobre os planos relacionados a medicamentos sob prescrição, demandando exigências típicas às aplicadas às farmácias e drogarias.

O Mercado Livre declarou, no entanto, não ter recebido nenhuma notificação referente à solicitação da Anvisa e reiterou que cumpre as normas vigentes.

“Agora, damos um passo que sempre foi o nosso objetivo: evoluir para o modelo de marketplace, conectando farmácias parceiras diretamente aos consumidores”, disse Fernando Yunes, líder do Mercado Livre no Brasil, em comunicado na semana passada.

O Mercado Livre também tem sua própria farmácia online em São Paulo, lançada em março, que vende medicamentos diretamente. No entanto, a criação de um marketplace para conectar redes de farmácias já estabelecidas aos clientes do Mercado Livre — sem a necessidade de construir uma ampla rede física — é vista como uma oportunidade maior.

No modelo planejado pelo Mercado Livre, os medicamentos seriam enviados diretamente pelas farmácias parceiras, em vez de passarem pelos centros de distribuição da própria empresa.

O Mercado Livre afirmou que pretende alcançar as principais regiões metropolitanas até o final do ano por meio de cerca de 20 redes parceiras, com entregas em até uma hora.

O Itaú BBA estima que as vendas de medicamentos possam representar cerca de 5% do crescimento incremental do valor bruto de mercadoria (GMV) do Mercado Livre no Brasil até 2030. O estado de São Paulo, onde a empresa planeja iniciar sua operação de marketplace de farmácias, responde por cerca de 40% de seu GMV no Brasil, segundo o banco.

As ações de redes de farmácias brasileiras caíram após o anúncio dos planos do Mercado Livre na semana passada. A empresa pode ganhar participação no mercado farmacêutico brasileiro avaliado em mais de R$ 200 bilhões, afirmou a XP em relatório.

No entanto, investimentos em entrega, operações farmacêuticas e estoque poderiam pressionar a lucratividade do gigante do e-commerce, segundo a corretora.



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Redação A Notícia 24H.