Economia

Shake Shack chega ao Brasil em 2027 para abocanhar um mercado de R$ 40 bilhões

A rede americana de hambúrgueres Shake Shack chega ao Brasil em 2027 pelas mãos da Bold Hospitality Company, que prevê abrir pelo menos 40 restaurantes no país até 2036. A primeira unidade será inaugurada em São Paulo no primeiro semestre do próximo ano. A expansão será feita por meio de uma parceria de licenciamento entre...

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A rede americana de hambúrgueres Shake Shack chega ao Brasil em 2027 pelas mãos da Bold Hospitality Company, que prevê abrir pelo menos 40 restaurantes no país até 2036. A primeira unidade será inaugurada em São Paulo no primeiro semestre do próximo ano.

A expansão será feita por meio de uma parceria de licenciamento entre as duas empresas. Mauro Guardabassi, atual diretor de operações (COO) da Bold, será o presidente da Shake Shack no Brasil.

A Bold opera no Brasil marcas como Outback Steakhouse, Abbraccio e Aussie Chicken & More. Criada em 2025 a partir da parceria entre a gestora Vinci Compass e a Bloomin’ Brands, a companhia tem mais de 200 restaurantes no Brasil. O acordo prevê pelo menos 40 unidades da Shake Shack no país até 2036.

Mercado de hambúrgueres

A chegada da Shake Shack acontece em um mercado com redes internacionais e marcas brasileiras já consolidadas. Segundo Carlos Eduardo Martins, da Vinci, investidora da Bold, o mercado brasileiro de hamburguerias movimenta quase R$ 40 bilhões por ano e cresce entre 5% e 7% ao ano. A estimativa foi publicada pelo Brazil Journal.

Em número de restaurantes, a diferença para as maiores redes é significativa. O McDonald’s tinha 1.230 unidades no Brasil ao fim de 2025. O Burger King somava 986 restaurantes no fim do segundo trimestre de 2026, sendo 696 próprios e 290 franqueados. Já o Grupo Madero tinha 369 restaurantes ao fim de junho, entre as marcas Madero, Jeronimo e outros formatos.

A Shake Shack começará no país com uma escala menor. O desempenho da operação dependerá da capacidade da marca de atrair consumidores e fazer com que eles voltem às lojas.

Dados da Kantar mostram que 62% dos brasileiros consumiram fast-food em 2024, enquanto o número de ocasiões de consumo cresceu 16%. O gasto anual médio foi de R$ 263, com cinco visitas por pessoa.

McDonald’s e Burger King alcançaram, respectivamente, 76,4 milhões e 68,5 milhões de consumidores, segundo o levantamento. O indicador representa o alcance das marcas, e não sua participação nas vendas.

Entre marcas consideradas premium, a Kantar registrou crescimento da base de consumidores de 87,5% na Cabana e 14,3% no Madero. O gasto médio do consumidor com o Madero ficou 95% acima do registrado no McDonald’s.

Outro levantamento da Kantar mostra que a frequência de visitas para consumo fora do lar cresceu 29% no primeiro semestre de 2025. O estudo considera o consumo fora de casa de maneira geral, e não apenas restaurantes de hambúrguer.

Para a Shake Shack, a entrada no mercado brasileiro coloca em jogo não apenas a capacidade de atrair consumidores para as primeiras unidades, mas também de manter a frequência de compra. Preço, localização, qualidade e velocidade do atendimento serão fatores relevantes para a operação.

A experiência da Bold

A Bold entra no negócio com experiência na operação de restaurantes no Brasil, especialmente por meio do Outback. A companhia será responsável pela operação das unidades da Shake Shack no país. A companhia projeta faturar R$ 3,5 bilhões em 2026.

O valor corresponde à receita da Bold e não inclui uma projeção de faturamento da futura operação da Shake Shack.

Ainda não foram divulgados dados como investimento por restaurante, vendas projetadas por unidade, custos de operação, royalties ou prazo esperado para maturação das lojas. Esses números serão importantes para avaliar o desempenho financeiro da rede no país.

O que é a Shake Shack

Fundada em 2004 em Nova York, a Shake Shack ficou conhecida pelo ShackBurger, hambúrguer feito com carne Angus, além de batatas fritas, frango, milk-shakes e sobremesas à base de creme.

A rede tem mais de 740 restaurantes no mundo, entre unidades próprias e licenciadas. Além dos Estados Unidos, está presente em mercados como Reino Unido, China, Japão, Coreia do Sul, México, Turquia e Emirados Árabes Unidos.

Na América Latina, a Shake Shack já opera no México e prepara a entrada no Panamá. No Brasil, a companhia afirma que pretende trabalhar com produtores e fornecedores locais. O cardápio deverá incluir os principais produtos da rede, como o ShackBurger, Chicken Shack, batata frita e sobremesas, além de sabores desenvolvidos para o mercado brasileiro.

A expansão internacional ocorre enquanto a Shake Shack aumenta receita e vendas. No segundo trimestre de 2026, encerrado em 24 de junho, a companhia registrou receita de US$ 417,6 milhões, alta de 17,2% em relação ao mesmo período de 2025. As vendas dos restaurantes somaram US$ 403,4 milhões, enquanto a receita de licenciamento foi de US$ 14,2 milhões.

As vendas de toda a rede, incluindo restaurantes próprios e licenciados, chegaram a US$ 625,8 milhões, alta de 13,8%. Nas lojas comparáveis, as vendas cresceram 3,5%. O lucro líquido foi de US$ 16,9 milhões, ante US$ 18,5 milhões um ano antes. A companhia abriu 27 novos restaurantes no trimestre, sendo 16 unidades próprias e 11 licenciadas.



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