Nascido em Colina, no interior de São Paulo, em 2 de outubro de 1958, filho de um advogado e ex-vereador da cidade e de uma dona de casa, Cury formou-se em Medicina em 1984 pela então Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, hoje Famerp. É casado com a também médica Suleima Cabrera Farhate, com quem tem três filhas.
Em seu percurso, passou pela psiquiatria e pela psicoterapia até se dedicar quase por completo à literatura, às palestras e a projetos educacionais. Foi nesse caminho que sistematizou a Teoria da Inteligência Multifocal, proposta própria sobre como a mente humana formaria pensamentos e administraria emoções, que se tornaria a espinha dorsal de seus livros e do programa Escola da Inteligência. É também a base do rótulo que o mercado editorial insiste em aplicar aos seus livros, e que ele rejeita: para Cury, não se trata de autoajuda, mas de divulgação da teoria que criou.
Um capítulo da sua formação acadêmica também é alvo de controvérsia. Em 2013, Cury obteve pela Florida Christian University — instituição que, à época, não tinha nenhuma acreditação de qualidade reconhecida nos Estados Unidos e que só obteve status de pré-acreditação em 2024 — um título que seu currículo Lattes, sem atualizações desde 2019, registra como PhD em Administração (Doctor of Business Administration). O plano de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descreve o mesmo título como “doutorado internacional em Psicologia Multifocal”, divergência que voltou a ser questionada nesta semana.
Com mais de sete dezenas de livros publicados em 70 países, já vendeu mais de 40 milhões de exemplares, números grandes o bastante para colocá-lo no radar de outro fenômeno editorial brasileiro. Em 2009, Paulo Coelho chegou a desafiar o autor de “O Vendedor de Sonhos” a apresentar comprovantes de vendas, depois que a imprensa passou a comparar o desempenho dos dois. Cury recusou a disputa e disse que a preocupação com o primeiro lugar seria típica de uma sociedade obcecada por fama.
Como Cury chegou à política
O escritor se filiou ao Avante em 2026 e teve a candidatura à Presidência oficializada em convenção realizada em 3 de agosto, na Assembleia Legislativa de São Paulo. O ex-deputado federal Júlio Delgado foi anunciado como candidato a vice-presidente na chapa.
O Avante, hoje definido pela própria legenda como um partido de centro, nasceu do antigo PTdoB e adotou o nome atual em 2017. Ao anunciar a pré-candidatura, em abril, Cury agradeceu publicamente a políticos de diferentes partidos, com quem disse ter mantido diálogos ao longo dos anos, como o ex-presidente Michel Temer (MDB), Gilberto Kassab (PSD) e Aécio Neves (PSDB).
Sua entrada na disputa foi construída sobre um discurso de rejeição à polarização entre os dois principais nomes da corrida. Nas primeiras sabatinas, evitou se posicionar sobre temas que dividem o eleitorado, como uma eventual anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, e defendeu a formação de uma comissão de juristas para reavaliar as condenações.
Maior patrimônio entre presidenciáveis
Ao TSE, Cury declarou um patrimônio superior a R$ 242 milhões, o maior entre os candidatos com candidatura confirmada na disputa presidencial de 2026. A maior fatia, cerca de R$ 125,3 milhões, corresponde a empréstimos concedidos a duas empresas próprias — entre eles R$ 121,1 milhões à Filadélfia Nature Participações. O restante se divide entre participações societárias (R$ 54,8 milhões), ações e BDRs (R$ 33,7 milhões) e imóveis, entre eles fazendas no interior paulista (R$ 19,7 milhões).
Na prestação de contas da campanha, ele aparece também como o maior financiador de si mesmo: dos R$ 217 mil arrecadados até agora, R$ 150 mil, 69% do total, saíram do próprio bolso. O Avante contribuiu com outros R$ 50 mil.
As propostas de Augusto Cury
Seu plano de governo, batizado de “O Brasil dos Nossos Sonhos“, tem cerca de 200 páginas e passa por mudanças na estrutura do Executivo, do Judiciário e da segurança pública, além de metas econômicas e sociais. Veja os principais pontos
| Área | Principais propostas |
|---|---|
| Sistema de governo | Semipresidencialismo, com primeiro-ministro para a gestão do dia a dia e presidente em funções estratégicas; fim da reeleição |
| STF | Mandato de oito anos para ministros, idade mínima de 50 anos, ampliação para nove integrantes e fim da indicação dos ministros pelo presidente |
| Segurança pública | Criação do FATO — que integra polícias federal, civis e militares e usa inteligência artificial e reconhecimento facial — e da FOCO, força de combate municipal de apoio à segurança |
| Mulheres | Programa Mulheres Vivas, com prevenção ao feminicídio, autonomia econômica e botão de emergência com geolocalização |
| Economia | Déficit público próximo de zero, 10 mil clubes de empreendedorismo e Banco do Empreendedor com crédito de até R$ 20 mil |
| Educação | Ensino em tempo integral, gestão da emoção no currículo e programa Brasil Neuroinclusivo para autismo, TDAH e dislexia |
| Agenda internacional | Fundo global contra a fome, batizado de Make Humanity Great Again, financiado por parte do comércio mundial e da indústria de armamentos |
| Semiárido e meio ambiente | Programa Brasil Oásis, de irrigação e fruticultura no semiárido, e Floresta Viva, de monitoramento de queimadas por satélite |
Augusto Cury é de direita ou de esquerda?
O candidato recusa o rótulo de direita ou de esquerda. Em entrevista ao jornal Valor, definiu-se como alguém de “mente de direita e coração social” e disse rejeitar o centro que ele chama de neutro, sem posição definida. Já à BBC News Brasil, descreveu a mesma ideia de outra forma, como “mente capitalista e coração social”.
O slogan de campanha, “centrado no que importa”, reforça essa tentativa de se colocar fora da disputa entre os dois polos que hoje lideram as pesquisas. Cury também adotou a expressão “make humanity great again” como lema para a agenda internacional, numa referência ao slogan de campanha usado por Donald Trump nos Estados Unidos.
