Economia

Quando pode ocorrer a primeira emissão de ‘panda bonds’ pelo governo brasileiro? Janela pode abrir no fim do mês

A primeira emissão de “panda bonds” pelo governo brasileiro está cada vez mais perto. A operação pode ocorrer entre fim de setembro e início de outubro. Os panda bonds são títulos de dívida em yuan, a moeda chinesa, usados para captar recursos entre investidores na China. A Vale revelou na quarta-feira (9) o interesse em...

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A primeira emissão de “panda bonds” pelo governo brasileiro está cada vez mais perto. A operação pode ocorrer entre fim de setembro e início de outubro.

Os panda bonds são títulos de dívida em yuan, a moeda chinesa, usados para captar recursos entre investidores na China.

A Vale revelou na quarta-feira (9) o interesse em seguir os passos do governo e emitir títulos em yuan ainda neste ano e trouxe a atenção de volta ao tema.

Em que fase está o processo para a captação na moeda chinesa?

A emissão pioneira do governo brasileiro deve ocorrer entre fim do terceiro e início do quarto trimestres, ou seja, entre a última semana de setembro e o mês de outubro. A afirmação foi feita pelo o subsecretário da Dívida Pública, Francisco Segundo, na semana passada.

O primeiro passo para viabilizar a emissão foi dado pelo ministro da Fazenda Dario Durigan em 25 de junho, quando entregou a carta de intenções do Tesouro Nacional ao Banco Popular da China, o banco central do país asiático.

A emissão ainda depende da aprovação de órgão reguladores chineses. Mas emissões recentes de bonds no mercado asiático mostram que o processo leva em média três meses.

Esse intervalo colocaria a abertura da janela para emissão soberana brasileira já no fim deste mês.

A proposta divulgada pelo governo brasileiro prevê uma operação em torno de 10 bilhões de yuans, ou cerca de US$ 1,48 bilhão. Se for concretizada seria a primeira emissão feita pelo governo brasileiro em moeda chinesa.

Vantagens e desvantagens

Uma das vantagens dos panda bonds é o custo. As emissões de empresas e governos recentes saíram com taxas entre 1,70% e 2,05% ao ano.

Para efeito de comparação, a captação mais recente do governo brasileiro em dólares, um bond de 10 anos, registrou um retorno (yield) de 6,4% anuais.

O maior risco desse tipo de operação está na volatilidade cambial. No entanto, a relação entre as moedas chinesa e brasileira tem se mantido com baixa oscilação em 12 meses até setembro.

No período, o yuan acmula alta de 1,76% ante o real.

A operação do governo tem potencial ainda de abrir caminho para emissões de companhais brasileiras.

Empresas brasileiras podem seguir governo

A Vale, por exemplo, declarou avaliar entrar no mercado de títulos de dívida da China ainda neste ano.

A China é o principal mercado consumidor do minério de ferro da Vale e responde por cerca de 50% da receita da companhia. Por isso, seria “natural” para a empresa acessar o mercado financeiro chinês, afirmou o diretor financeiro da Vale, Marcelo Bacci, na quarta-feira (10).

Outras companhias também com receitas ligadas à China, como WEG, JBS e Embraer, também poderiam ter interesse em acessar o novo mercado. 

O interesse em uma potencial janela de captação em yuan também pode receber impulso das eleições por aqui, marcadas para outubro e novembro.

Isso porque em ano de eleição presidencial, a janela para emissão de bonds acaba distorcida pela volatilidade do calendário eleitoral, afirmou Anderson Brito, head do banco de investimento do UBS BB. 

O subsecretário Segundo ressalvou, no entanto, que qualquer emissão só sairia com condições de mercado favoráveis.



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Redação A Notícia 24H.