Economia

Houtis dominam rotas no Mar Vermelho e criam novo problema ao comércio global

Os Houtis avançaram em direção às zonas costeiras do Mar Vermelho na fronteira com o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb e assumiram o controle parcial das rotas da região. O rebeldes apoiados pelo Irã ampliou nos últimos dias os ataques a estruturas de transporte de commodities. Os confrontos entre o grupo militante e as forças...

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Os Houtis avançaram em direção às zonas costeiras do Mar Vermelho na fronteira com o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb e assumiram o controle parcial das rotas da região.

O rebeldes apoiados pelo Irã ampliou nos últimos dias os ataques a estruturas de transporte de commodities. Os confrontos entre o grupo militante e as forças iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita têm se intensificado.

De acordo com analistas, os Houti ganharam terreno na tentativa de dominar a cidade de Mokha, perto da extremidade sul do Mar Vermelho. Alguns especialistas, porém, afirmam que a cidade portuária iemenita já foi capturada.

Um avanço Houti pelo litoral pode dar ao grupo o controle de uma “área de valor estratégico crucial” no trecho mais estreito do Estreito de Bab el-Mandeb, avalia Andrew Farrand, diretor para o Oriente Médio e Norte da África da consultoria de risco político Horizon Engage. “É surpreendente e representa um grande, grande revés para os esforços sauditas no Iêmen.”

O grupo militante financiado pelo Irã já vinha perturbando a navegação e os mercados de petróleo nos últimos anos devido ao controle do porto de Hodeida e de outros territórios próximos ao estreito.

Cerca de 12% do comércio marítimo mundial passa pelo Mar Vermelho, incluindo grande parte das exportações de petróleo e derivados do Golfo para a Europa. O estreito é a porta de entrada para o Canal de Suez, no Egito, que liga os mares Vermelho e Mediterrâneo.

Muitas embarcações vindas da Ásia têm desviado a rota pelo Cabo da Boa Esperança, no sul da África, o que aumenta a viagem em cerca de 10 a 17 dias. A mudança eleva significativamente custos com combustível, seguros e frete.

Conquistar Mokha significaria assumir o comando de um segundo porto vital na região e consolidar ainda mais o controle sobre essa rota marítima.

A tomada de Mokha “certamente pode impactar a segurança marítima na região”, afirmou Bjorn Beirens, consultor de segurança da navegação. “Isso dá a eles uma base a partir da qual podem avançar mais ao sul na tentativa de obter um controle quase total do estreito.”

Houtis miram a Arábia Saudita

O avanço terrestre no Iêmen ocorre em paralelo aos contínuos disparos de mísseis e drones promovidos pelos Houti contra cidades no sudoeste da Arábia Saudita, danificando instalações de energia.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman, ligou duas vezes na quinta-feira para o presidente Donald Trump pedindo ataques contra os Houti, informou o portal Axios, citando duas autoridades americanas sob condição de anonimato.

Trump recusou, afirmando que não tem planos de intervir diretamente contra os Houti no momento. Uma autoridade dos EUA, entretanto, disse que a administração fornecerá a Riad dados de inteligência e localização de alvos.

Os combates impulsionaram a alta do petróleo na semana — com o barril do tipo Brent negociado perto de US$ 107 na sexta-feira — e agravam os problemas dos produtores do Golfo Pérsico, que já enfrentam dificuldades com as interrupções na navegação no Estreito de Ormuz.

A Arábia Saudita informou que 73 pessoas, incluindo mulheres e crianças, ficaram feridas em ataques recentes dos Houti a vários pontos do reino. Os Houthi afirmam que estão retaliando dezenas de incursões apoiadas pelos sauditas em áreas sob seu controle no noroeste do Iêmen, além do bloqueio promovido por Riad a alguns de seus portos e aeroportos.

O avanço terrestre Houti corre o risco de arrastar a Arábia Saudita ainda mais para o conflito e desgastar suas relações com o Irã, no momento em que tenta mediar uma solução para a crise no Estreito de Ormuz.

O Irã declarou na sexta-feira que o conflito no Iêmen “não pode ser resolvido por meio da manutenção de bloqueios e do apoio militar”, segundo nota divulgada por seu Ministério das Relações Exteriores.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou ter conversado com seu colega saudita, o príncipe Faisal bin Farhan, e que ambos destacaram “a continuidade da cooperação e dos esforços diplomáticos para evitar a expansão das tensões regionais e restaurar a estabilidade e a segurança”.

Guerra civil

Os Houti surgiram na década de 1990 após a unificação do Iêmen do Norte e do Iêmen do Sul, promovendo uma série de rebeliões contra o governo.

Eles tomaram a capital, Sanaa, em 2014, desencadeando a guerra civil atual. A Arábia Saudita liderou uma campanha militar sem sucesso a partir de 2015 para desalojar os rebeldes.

A recente escalada de tensão começou em meados de julho, quando os Houti decretaram um bloqueio naval aos portos sauditas no Mar Vermelho e iniciaram ataques contra pontos como Jazan e Yanbu.

Yanbu se tornou o principal escoadouro do petróleo saudita desde que o Irã buscou assumir o controle do Estreito de Ormuz há mais de seis meses, após o início do conflito com os EUA e Israel.



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