O conflito interrompeu o transporte marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz, embora milhões de barris por dia de petróleo continuem sendo transportados por navios-tanque que navegam sem serem detectados, ajudando a conter os preços. Ainda não está claro como a nova escalada poderá afetar esses embarques “ocultos”.
Os contratos futuros subiram mais cedo depois que os militares dos EUA disseram ter destruído cinco navios-tanque iranianos em resposta a tentativas de atingir um navio de guerra da Marinha americana com mísseis balísticos durante a noite.
A mídia iraniana afirmou que Teerã atacou dois navios de guerra dos EUA e oito navios-tanque de petróleo no Golfo Pérsico. Não houve confirmação imediata dos ataques, mas a troca de ofensivas aumentou as preocupações com uma redução da oferta de petróleo na região.
A escalada também ocorre enquanto militantes houthis apoiados pelo Irã, no Iêmen, atacam instalações de energia na Arábia Saudita. Alertas de “perigo potencial” foram emitidos no sul do país nesta quarta-feira, um dia depois de a região ser atacada. Os preços do gás natural na Europa atingiram o maior nível desde 2023, enquanto a guerra entre Irã e Israel eleva os custos de energia justamente com a aproximação da temporada de aquecimento no inverno.
A disparada dos preços da gasolina e do diesel nos EUA também representa um risco político para o Partido Republicano do presidente Donald Trump antes das eleições de meio de mandato. Trump previu nesta quarta-feira que a guerra no Irã só terminará depois da votação de novembro e que uma redução significativa nos preços dos combustíveis não virá antes disso.
Enquanto isso, as compras chinesas de petróleo bruto aumentaram neste mês. Uma pausa nas aquisições do maior importador mundial havia sido um dos principais fatores que ajudavam a limitar os preços, e a retomada das compras fez alguns dos principais indicadores do mercado atingirem os níveis mais altos em semanas.
“Embora o déficit de petróleo no mercado tenha diminuído com a estabilização de volumes maiores de fluxos ocultos, o mercado continua apertado de maneira geral”, disse Ryan McKay, estrategista sênior de commodities do TD Securities. “Uma oferta ainda mais restrita pode ocorrer diante desses novos ataques e à medida que aumentam os sinais de que a China está ficando mais ativa no mercado.”
O Brent acumula alta de cerca de 65% neste ano. Com exceção de um breve pico em julho, porém, os contratos futuros foram negociados abaixo dos US$ 100 por mais de três meses, enquanto os produtores do Golfo Pérsico conseguiram aumentar as exportações.
Fatores técnicos também ampliaram a alta do petróleo. Consultorias de negociação de commodities que seguem tendências aumentaram suas posições compradas, que passaram a representar 91% das posições em Brent e WTI, ante 45% e 36%, respectivamente, em 31 de agosto, segundo dados da Bridgeton Research Group, da Kpler. Esses operadores automatizados são conhecidos pela tendência de acentuar as oscilações dos preços.
Os derivados de petróleo, como o diesel, por outro lado, tiveram uma alta ainda mais forte, à medida que o conflito no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia se combinam para restringir a oferta. As exportações russas de diesel caíram no mês passado ao menor nível em mais de uma década. Isso ameaça provocar uma nova rodada de pressão inflacionária sobre os bancos centrais de todo o mundo.
Os estoques de diesel dos EUA devem cair neste mês para o menor nível em mais de duas décadas, segundo a perspectiva de curto prazo para o setor de energia divulgada nesta quarta-feira pela Energy Information Administration (EIA). A agência também elevou em 14% sua previsão para o preço do diesel no varejo no último trimestre deste ano, para US$ 5,55 por galão.
“A perspectiva fundamental para os derivados continua positiva, com a deterioração dos estoques e das reservas globais”, disse Darrell Fletcher, diretor-gerente de commodities da Bannockburn Capital Markets.
Antes da guerra com o Irã, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava pelo Estreito de Ormuz com destino a clientes em diferentes países.
Apesar da continuidade do fluxo de navios-tanque com os transponders desligados, as embarcações continuam sob ameaça constante de ataques. A Kuwait Petroleum está enviando navios pelo estreito “sempre que é seguro”, afirmou um funcionário da empresa nesta quarta-feira.
A continuidade das interrupções fez os estoques seguirem em queda em diferentes partes do mundo. A empresa de análise Vortexa estima que a quantidade de petróleo transportada por navios no mar tenha diminuído em mais de 150 milhões de barris desde meados de julho.
