O movimento amplia uma escalada que começou no primeiro semestre: desde o fim do ano passado, o combustível para a aviação ficou cerca de 71% mais caro. No Brasil, a Petrobras responde por 86% de todo o QAV produzido no país.
Insumo essencial
O combustível é o principal custo das companhias aéreas: responde por um terço das despesas operacionais do setor. Para compensar parte do aumento dos gastos, as aéreas brasileiras já começaram a elevar as tarifas.
Na Azul, a tarifa média avançou 9,5% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. A empresa também reduziu a oferta de voos em meio à alta dos custos.
Na Latam, o gasto com combustível cresceu 93% no mesmo período. A companhia afirmou que conseguiu repassar parte do aumento às tarifas sem comprometer a demanda.
Já a Abra, controladora da Gol, informou ter compensado 49% do impacto da alta do combustível no segundo trimestre. Para isso, combinou aumento de receita, ajustes na oferta de voos, redução de custos e operações de proteção financeira, conhecidas como hedge.
A pressão também aparece fora do Brasil. Em junho, as tarifas aéreas globais estavam 10,8% mais caras do que um ano antes, segundo a OAG, empresa especializada em dados do setor aéreo.
Na conta do petróleo
Derivado do petróleo, o QAV tem encarecido no mercado internacional em meio à guerra no Oriente Médio, que afetou a produção e o transporte de petróleo e derivados na região.
O conflito reduziu a oferta e dificultou o funcionamento de parte da cadeia de refino e distribuição, pressionando os preços tanto do petróleo bruto quanto de derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação.
Em agosto, a produção mundial de petróleo caiu 1,6 milhão de barris por dia em relação ao mês anterior, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Na região do Golfo, as paralisações por questões de segurança atingiam uma produção de mais de 10 milhões de barris por dia.
A alta das passagens
Voláteis que só elas, as passagens aéreas variam por uma combinação de fatores: demanda, época do ano, quantidade de voos disponíveis…
Neste ano, porém, o combustível tem sido uma das principais fontes de pressão sobre as tarifas.
Nos 12 meses até agosto, as passagens acumularam alta de 26,3%, segundo o IPCA, do IBGE. Isso apesar de terem recuado 13,2% em agosto – movimento que reflete a queda da demanda depois das férias de julho.
O indicador, porém, ainda não capta eventuais repasses dos reajustes de setembro e outubro do QAV.
Um dado mais recente aparece no IPCA-15, a prévia da inflação oficial: em setembro, as passagens aéreas subiram 9,82% no mês.
