Economia

Para sócio da maior acionista privada da Petrobras, sair do Brasil seria erro

Enquanto investidores fogem de ativos brasileiros após a surpreendente reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, Rajiv Jain se prepara para fazer o que já fez antes: comprar em meio ao pânico. O cofundador da GQG Partners, maior acionista privada da Petrobras, vê exagero na reação ao resultado da eleição, já que as empresas brasileiras...

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Enquanto investidores fogem de ativos brasileiros após a surpreendente reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, Rajiv Jain se prepara para fazer o que já fez antes: comprar em meio ao pânico.

O cofundador da GQG Partners, maior acionista privada da Petrobras, vê exagero na reação ao resultado da eleição, já que as empresas brasileiras continuam com valuations atrativos, lucros sólidos e dividend yields elevados.

“Se você adotar uma visão de longo prazo, acreditamos que o Brasil seja um dos melhores mercados de ações” entre os emergentes, disse Jain, que administra cerca de US$ 150 bilhões, em entrevista. “Podemos comprar se a venda ficar mais intensa.”

Os mercados brasileiros despencaram na segunda-feira depois que a vitória inesperada de Lula frustrou as apostas otimistas das últimas semanas. O real sofreu a maior queda em mais de duas décadas, e o Ibovespa chegou a recuar 17%, o que acionou o primeiro circuit breaker desde 2020.

A derrocada mostrou o tamanho do otimismo com Flávio Bolsonaro, cuja liderança no primeiro turno, três semanas antes, alimentou expectativas de uma política fiscal mais austera para conter o avanço da dívida pública.

Os comentários de Jain vêm em um momento difícil para a GQG. A gestora enfrenta fortes resgates depois que a postura anteriormente pessimista de Jain em relação à inteligência artificial contribuiu para um desempenho abaixo do mercado. O seu fundo de mercados emergentes acumula retorno inferior a 2% neste ano, ante alta de 14% do índice de referência.

Como a GQG lucrou com a Petrobras após a eleição de 2022

Jain, no entanto, espera que a turbulência no Brasil repita uma oportunidade que identificou em 2022. Naquele ano, a GQG ampliou o investimento na Petrobras e se tornou a maior acionista privada da companhia, quando outros investidores se desfizeram dos papéis diante do receio de que a volta de Lula ao poder trouxesse maior interferência política em áreas que iam da política de preços dos combustíveis aos dividendos.

A aposta contrária ao consenso deu resultado. A Petrobras acumula retorno superior a 285%, incluindo dividendos, em dólares desde então, superando até algumas gigantes de tecnologia dos EUA que registraram forte valorização, entre elas Microsoft, Amazon e Alphabet.

Jain citou o primeiro período de Lula na Presidência, no início dos anos 2000, quando as ações brasileiras subiram em meio a um boom global de commodities, como evidência de que receios políticos não necessariamente se traduzem em retornos ruins para os investimentos.

“As pessoas sempre têm esse medo, mas os freios e contrapesos ainda funcionam razoavelmente bem”, disse Jain. “Na nossa avaliação, vender Brasil agora seria um erro.”

Os mercados locais se estabilizavam após as fortes perdas de segunda-feira, com o principal índice de ações recuando cerca de 0,7% e o real avançando 1,1% na manhã de terça-feira.

Quanto o Brasil pesa na carteira da GQG

Entre os emergentes, o Brasil segue como a maior aposta de Jain acima do índice de referência, mesmo depois de ele reduzir as participações nos últimos meses para financiar compras de ações de empresas de semicondutores em Taiwan e na Coreia do Sul, diante da mudança para uma visão otimista sobre IA.

No fim de setembro, as ações brasileiras representavam 14% do GQG Partners Emerging Markets Equity Fund, de US$ 18 bilhões, ante 24% em março, mas ainda quase 10 pontos percentuais acima do peso no índice de referência.

Reduzir o déficit orçamentário do Brasil continua crucial para baixar os custos de financiamento, hoje em dois dígitos, e reanimar a maior economia da América Latina. Embora a vitória de Lula tenha renovado as dúvidas sobre essa perspectiva, Jain disse que ainda há espaço para reformas favoráveis ao mercado durante o governo.

Jain disse que os investidores tendem a exagerar as consequências das mudanças políticas para empresas como a Petrobras, que “ainda está barata” e oferece dividend yield elevado. Ele também gosta de bancos e empresas de serviços públicos brasileiras.

“A política no Brasil nunca é tão boa quanto as pessoas acham nem tão ruim quanto imaginam”, disse. “A resposta geralmente está em algum lugar no meio”. 



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