“Acredito firmemente que nossa operação de cobre é a mais subestimada do setor atualmente. Temos o maior crescimento entre as grandes empresas do segmento”, afirmou Pimenta, ao Financial Times durante o FT Metals & Mining Summit, realizado em Londres nesta quinta-feira (15).
Segundo o executivo, a Vale tem uma vantagem na expansão do cobre porque já conta com ferrovias, portos e outras estruturas logísticas no Brasil.
Isso reduz a necessidade de investimentos em comparação com projetos construídos do zero. Em média, um projeto desenvolvido pela Vale exige metade do investimento de capital de um empreendimento típico desse tipo, explicou Pimenta.
Sobre uma eventual abertura de capital da Vale Base Metals, Pimenta afirmou que um IPO não está próximo. Segundo ele, a operação pode ser uma alternativa para captar recursos para a expansão dos negócios, mas não é um objetivo em si. “Não é iminente”, disse.
O cobre é parte fundamental da estratégia da Vale e que há sinergias entre a divisão e os demais negócios da companhia. A prioridade, segundo o executivo, é desenvolver os projetos e gerar valor para os acionistas.
Dividendos
Pimenta também defendeu a capacidade da mineradora de conciliar investimentos em crescimento com a remuneração dos acionistas. Segundo ele, a Vale registrou, nos últimos anos, o maior dividend yield entre seus pares e as grandes empresas do setor e pretende manter essa característica. O indicador mede o retorno dos dividendos em relação ao preço da ação.
“Uma das características que nos diferenciam é a capacidade de continuar remunerando nossos acionistas. Nos últimos anos, tivemos o maior dividend yield entre nossos pares e as grandes empresas do setor, e queremos manter esse histórico”, afirmou.
O executivo reconheceu que expandir os negócios e distribuir recursos aos acionistas são objetivos que podem entrar em conflito. Ainda assim, afirmou que a eficiência de capital e a estrutura financeira da Vale permitem conciliar as duas prioridades.
Mercado de minério de ferro
Apesar da expansão do cobre, o minério de ferro continuará sendo central para a Vale. Pimenta afirmou que o mercado global da commodity deve permanecer equilibrado nos próximos anos, mesmo com a entrada em operação do projeto de Simandou, na Guiné.
O setor enfrenta uma redução natural da produção de minas existentes, estimada em 60 milhões a 80 milhões de toneladas por ano. Nesse cenário, a produção adicional de Simandou poderá compensar parte dessa perda de oferta.
Pimenta também destacou que o minério de Simandou extraído recentemente apresenta teor mais elevado de alumina. Segundo ele, essa característica reforça a importância dos produtos da Vale, extraídos no Brasil, para a composição das misturas usadas pela indústria siderúrgica.
China e outros mercados
Sobre a China, principal mercado para o minério de ferro, Pimenta afirmou que a demanda continua sólida, embora a produção chinesa de aço deva ficar ligeiramente abaixo da registrada no ano passado. Ele citou a mudança no perfil da economia do país, com maior peso da indústria manufatureira e menor contribuição do setor imobiliário.
O executivo também apontou oportunidades em outros mercados asiáticos. Vietnã e Índia ampliam sua capacidade de produção de aço, o que pode sustentar a demanda por minério de ferro no médio e longo prazo.
Pimenta afirmou ainda que as conversas com a China Mineral Resources Group (CMRG), grupo estatal chinês envolvido na centralização das compras de minério de ferro, seguem de forma construtiva. Entre os temas discutidos estão soluções para misturar diferentes tipos de minério e iniciativas relacionadas à descarbonização da indústria siderúrgica.
Na entrevista, Pimenta defendeu que o Brasil pode ampliar a participação da mineração na economia. Hoje, o setor representa cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mas tem potencial para crescer. O executivo citou a Austrália, onde a mineração representa mais de 10% do PIB, como exemplo de país que aproveita de forma mais expressiva seus recursos minerais.
Para Pimenta, a mineração deve ser uma agenda estratégica para o próximo governo brasileiro, independentemente de quem vencer a eleição presidencial.
O CEO também afirmou que a Vale mantém conversas com diferentes países interessados nos minerais brasileiros, incluindo os Estados Unidos e países europeus.
“O Brasil tem características únicas, como escala, qualidade, condições institucionais favoráveis e infraestrutura para abastecer os Estados Unidos, a Europa e muitos outros mercados. Por isso, temos mantido conversas com todos eles.”
