Os contratos futuros de minério de ferro em Cingapura caíram nesta semana abaixo de US$ 90 por tonelada pela primeira vez em dois anos.
Em 2026, acumulam queda de cerca de 15%, em meio à perda de fôlego da demanda chinesa e à ampla oferta global, que inclui novas fontes de produção, como a mina de Simandou, na Guiné. Ao mesmo tempo, a disparada dos preços da energia provocada pela guerra elevou os custos de mineradoras como a Vale.
Os preços provavelmente vão se recuperar, à medida que os custos desestimulem a produção dos chamados produtores marginais — empresas com custos mais elevados, cuja operação deixa de ser rentável quando os preços caem —, afirmou Pimenta.
Cerca de 10% da oferta atual, o equivalente a aproximadamente 160 milhões de toneladas, não é economicamente viável. Desse total, cerca de 15 milhões de toneladas já tiveram a produção interrompida devido à alta dos custos, disse o executivo.
Pimenta espera que o mercado continue equilibrado e que a demanda da China e de outros mercados importantes permaneça forte.
“Na China, a demanda continua sólida”, afirmou, acrescentando que há “muito crescimento” em outros países produtores de aço, como Índia e Vietnã.
O executivo também está otimista em relação às políticas para o setor no Brasil, independentemente do resultado da eleição no fim deste mês. Segundo ele, os dois candidatos à Presidência apoiam o setor empresarial e reconhecem os benefícios de fortalecer a mineração por meio da aceleração dos processos de licenciamento e de outras medidas.
Os brasileiros irão às urnas em 25 de outubro para o segundo turno da eleição presidencial, que será disputado pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por Flávio Bolsonaro, candidato conservador que defende regras ambientais menos rígidas e a exploração de recursos naturais pela iniciativa privada.
A Vale foi privatizada em 1997, mas investidores continuam atentos à influência do governo sobre a companhia, por meio de uma ação especial conhecida como golden share, que confere poderes específicos ao seu titular, além das políticas de licenciamento de minas e das concessões ferroviárias estratégicas.
Pimenta tem defendido medidas para ampliar os investimentos em mineração, incluindo a aceleração dos licenciamentos e o mapeamento geológico de novas áreas.
Uma revisão das regras brasileiras de proteção a cavernas naturais poderia viabilizar grandes projetos, entre eles uma mina de minério de ferro planejada pela Vale com capacidade de produção de 50 milhões de toneladas por ano.
