Economia

Novo conselho e redução de capital: o que os acionistas da Raízen vão votar

A Raízen convocou seus acionistas para uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) em 30 de outubro, na qual serão votadas uma série de mudanças previstas no plano de recuperação extrajudicial da companhia, homologado em julho deste ano. Entre as medidas estão o aumento do limite do capital autorizado, a mudança na composição do conselho de administração,...

Por · 03:22 4 min de leitura
WhatsApp Facebook X


A Raízen convocou seus acionistas para uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) em 30 de outubro, na qual serão votadas uma série de mudanças previstas no plano de recuperação extrajudicial da companhia, homologado em julho deste ano.

Entre as medidas estão o aumento do limite do capital autorizado, a mudança na composição do conselho de administração, a criação de uma nova classe de ações preferenciais e uma redução de capital de até R$ 35 bilhões.

A assembleia será realizada de forma exclusivamente digital, às 11h. Na mesma data, os titulares de ações preferenciais também participarão de uma assembleia especial para votar a criação das novas ações preferenciais Classe B.

A Raízen é uma joint venture entre a Shell e a Cosan e atua na produção de açúcar e etanol, geração de energia e distribuição de combustíveis.

Capital autorizado

Uma das propostas é elevar o limite do capital autorizado da companhia para até 200 bilhões de ações. A medida é necessária para viabilizar o aumento de capital previsto no plano de recuperação extrajudicial.

O capital autorizado permite que a companhia emita novas ações dentro de um limite previamente aprovado, sem a necessidade de uma nova alteração do estatuto a cada emissão.

A proposta prevê ainda mudanças na governança. Todos os atuais integrantes do conselho de administração serão destituídos, com a eficácia condicionada à homologação da capitalização prevista no plano.

Em seguida, será eleito um novo conselho, formado por sete membros titulares e sete suplentes, com mandato de três anos no período de transição.

Nova classe de ações

Os acionistas preferenciais também terão de votar a criação das chamadas ações preferenciais Classe B. Elas terão os mesmos direitos econômicos das atuais ações preferenciais, incluindo participação em dividendos e juros sobre capital próprio, mas contarão com direito de voto restrito em determinadas matérias previstas no plano de recuperação.

Com a mudança, a estrutura acionária da Raízen passará a ter três classes: ações ordinárias, ações preferenciais Classe A — que correspondem às atuais preferenciais — e ações preferenciais Classe B.

A companhia também propõe a criação de um programa de Units, formado por uma ação ordinária e uma ação preferencial Classe A. O conselho de administração ficará responsável por definir os procedimentos para a conversão das ações em Units.

Redução de capital

Outro ponto previsto é uma redução do capital social de até R$ 35 bilhões, sem alteração do número de ações da companhia.

A operação deverá ocorrer por meio da entrega aos acionistas de valores mobiliários emitidos pela Raízen Energia (RESA), empresa que concentra parte dos negócios de açúcar e etanol. A operação está condicionada a uma série de etapas, entre elas a conversão do registro da RESA na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a categoria A e a listagem de suas ações no segmento Nível 2 da B3.

A medida faz parte da reorganização prevista no plano de recuperação extrajudicial e está relacionada à separação dos negócios da companhia.

A Raízen vem realizando uma série de desinvestimentos e mudanças em sua estrutura para reduzir a complexidade do grupo e concentrar recursos. Em setembro, concluiu a venda de suas operações na Argentina para empresas controladas pela Mercuria Energy Group, em uma transação avaliada em US$ 1,42 bilhão, incluindo pagamento em dinheiro e assunção de dívida pelo comprador.

Dívida de R$ 65 bilhões

A companhia está no processo de reestruturação de uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões, em meio à reorganização de seus negócios de distribuição de combustíveis e de produção de açúcar e etanol.

Além das mudanças societárias, a proposta levada aos acionistas prevê alterações no estatuto para adaptar a estrutura de governança ao plano de recuperação extrajudicial, incluindo regras para o conselho de administração, diretoria, assembleias e uma eventual oferta pública de aquisição de ações em caso de atingimento de determinada participação acionária.

As propostas estão condicionadas, em diferentes pontos, à homologação da capitalização prevista no plano. A assembleia ocorrerá em 30 de outubro, e os acionistas poderão participar de forma digital ou por meio do boletim de voto a distância.



Invest News

Redacao
Redacao

Redação A Notícia 24H.