Juros em pânico
O Tesouro Direto também ficou paralisado por quase três horas devido ao forte ajuste de taxas que ocorre na manhã desta segunda-feira após o segundo turno.
Abriu, efetivamente, perto de 12h30, quando o normal é inciar as negociações às 9h30.
Após a abertura, o título Tesouro Prefixado 2032 chegou a se aproximar de 16% ao ano, ao registrar 15,78%. No fim do dia, após mais um circuit breaker, o papel terminou com subida de 15,50%.
Já o Tesouro IPCA+ 2040 encerrou com inflação mais 7,40% ao ano.
Os juros recuaram após duas intervenções do Tesouro Nacional, com leilões de recompras de títulos prefixados e de IPCA+, conhecidos como NTB-Bs.
Na primeira, o órgão recomprou 49,33% do lote de 15 milhões de títulos prefixados. A operação somou R$ 7,108 bilões. Na segunda parte, o Tesouro conseguiu recomprar 58,6% do lote de 3 milhões de NTN-Bs com custo de R$ 7,699 bilhões.
No total, a intervenção somou R$ 14,8 bilhões.
Já os futuros de DI mostram um forte estress.
O contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2028 tinha alta de 2,02pontos percentuais para 14,85% ao ano. Já o de janeiro de 2029 subia 2,62 pontos para 15,22%.
O DI futuro para janeiro de 2032 tinha um avanço de 2,63 pontos percentuais para 15,22%.
O Tesouro informou ainda que cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para os dias 27 a 29 de outubro (terça-feira e quinta-feira próximas), mantendo apenas o leilão de papéis vinculados à Selic na terça-feira.
Tudo por causa da virada inesperada no segundo turno.
No fim da apuração, o presidente Lula venceu a corrida presidencial contra o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) com uma margem de cerca de de 3,5 pontos percentuais dos votos válidos, o equivalente a quase 4,4 milhões de votos.
As pesquisas indicavam o contrário, uma vantagem entre 1 e 2 pontos para o oposicionista no segundo turno.
O cenário de manutenção do governo frustra a maior parte do mercado que apostou na vitória de Flávio e de um prometido ajuste fiscal, o que já começava a derrubar os chamados prêmios de risco dos ativos brasileiros.
Dólar passa de R$ 5,60
Outros mercados também apresentam uma pesada oscilação. É o caso do dólar.
A moeda americana chegou a subir mais de 12%, negociado a R$ 5,60. Mas passou a desacelerar ao longo da sessão.
O dólar terminou em alta de 8,66% cotado a R$ 5,40.
O avanço da moeda era esperado por gestores e analistas após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um quarto mandato de forma inesperada – dado o conjunto de pesquisas que apontavam a vitória do adversário, Flávio Bolsonaro.
O dólar sobe em meio a uma volta dos prêmios mais altos pedidos pelos investidores em um cenário de risco fiscal mais elevado.
A forte e rápida elevação da divisa dos EUA também traz de volta temores sobre pressão inflacionária e pode reduzir o espaço para o Banco Central cortar a Selic mais vezes.
A moeda americana volta aos patamares visto em janeiro deste ano. A última vez que a divisa dos EUA alcançou esse nível foi em 5 de janeiro.
Analistas veem dólar acima de R$ 5,60
Várias casas passaram a revisar os patamares projetados para a moeda americana. O ASA, por exemplo, enxerga o dólar a R$ 5,50 no fim de 2026 e R$ 5,70 no encerramento de 2027.
O Morgan Stanley enxerga o dólar em R$ 5,60, mas com potencial para voltar a superar R$ 6, caso o cenário fiscal se deteriore e surja o risco de dominância fiscal, ou seja, quando a política fiscal (os gastos e o endividamento do governo) dita os rumos da economia e anula a eficácia da política monetária.
