Com o Ibovespa subindo os mesmos 10% em reais em todos os cenários, o retorno em dólar vai de uma perda de 4,3% a um ganho de quase 20%. Quando a moeda brasileira se desvaloriza com força, a alta em reais pode desaparecer na conversão. Quando o real se fortalece, o câmbio amplia o ganho.
Nas quedas do Ibovespa, o efeito se repete. Se o real perde valor, o recuo em dólar fica maior, como aconteceu em 14 de setembro. Se a moeda brasileira se fortalece, parte da perda é compensada.
A taxa de câmbio usada no cálculo
Para converter o índice, a B3 adota a taxa WMR, referência internacional de câmbio criada pela WM Company em parceria com a Reuters e hoje administrada pela LSEG, grupo que controla a Bolsa de Londres. É a mesma taxa usada por gestores e provedores de índices no mundo todo para avaliar carteiras em diferentes moedas.
Durante o horário de verão britânico, em vigor do último domingo de março ao último domingo de outubro, isso corresponde a 12h em Brasília. No restante do ano, às 13h.
Nos dois casos, a cotação é fixada horas antes do encerramento do pregão brasileiro, e uma oscilação forte do dólar na parte da tarde fica fora do número daquele dia. Por isso, o Ibovespa em dólar pode não coincidir com a conta de quem divide o fechamento do Ibovespa pela cotação do dólar comercial no fim do dia.
A B3 divulga duas versões. A de fechamento parte da pontuação final do Ibovespa no pregão e é a mais indicada para acompanhar o desempenho ao longo do tempo. A de liquidação usa o valor definido pela bolsa para fins técnicos do mercado. Os números ficam disponíveis no canal Indices on Demand, no site da B3, no dia útil seguinte a cada pregão. Não há cotação durante o pregão.
O que quase uma década de Ibovespa em dólar mostra
Embora a divulgação fosse mensal até setembro, a tabela disponível hoje no site da B3 traz valores diários do Ibovespa em dólar desde janeiro de 2017, o que permite medir o peso do câmbio sobre o resultado da Bolsa. O ponto mais baixo do período foi registrado em 23 de março de 2020, no auge da turbulência provocada pela pandemia, quando o índice chegou a 12.392 pontos. O mais alto veio em 14 de abril deste ano, com 39.936 pontos. No primeiro dia da divulgação diária, o índice estava cerca de 10% abaixo desse pico.
As variações anuais mostram a amplitude dos movimentos. Em 2024, o Ibovespa em dólar caiu 30,3%. Para um fundo estrangeiro que mede o desempenho na moeda americana, isso significou perder quase um terço do valor aplicado na Bolsa brasileira. Em 2025, o movimento se inverteu, e o índice subiu 51,7%. Em 2026, até 14 de setembro, a alta acumulada chegava a 22,4%.
Quem acompanha a Bolsa pela régua do dólar
O Ibovespa em dólar interessa sobretudo a investidores estrangeiros, gestores globais e fundos que medem o desempenho na moeda americana. Para esse público, o número diário permite comparar o Brasil com o S&P 500 e outros índices internacionais sem conversões manuais.
O investidor brasileiro que mantém parte do patrimônio fora do país, em ações americanas ou em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, também pode usar essa comparação na mesma moeda para saber qual aplicação rendeu mais.
