Economia

Quem é Rafael Fonteles, que ganhou força na campanha de Lula

No discurso da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de domingo (25) em São Paulo, uma figura chamou a atenção de espectadores mais atentos, logo atrás do líder petista, em posição de destaque: Rafael Fonteles, 41 anos, que emergiu das eleições de 2026 como um dos novos nomes em ascensão do...

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No discurso da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de domingo (25) em São Paulo, uma figura chamou a atenção de espectadores mais atentos, logo atrás do líder petista, em posição de destaque: Rafael Fonteles, 41 anos, que emergiu das eleições de 2026 como um dos novos nomes em ascensão do PT.

Não ficou só nisso: Fonteles foi citado nominalmente duas vezes no discurso de pouco mais de 20 minutos pelo seu papel na campanha, algo que não aconteceu com muitos nomes mais tradicionais do partido.

“Quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande do meu governo. Eu já ganhei um celular do meu
comandante Rafael [Fonteles], governador do Piauí. Já estou aprendendo a conversar com o meu general e podem ficar certo de que daqui para frente eu vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia”, disse Lula sobre uma contribuição de Fontes na campanha.

Fonteles chegou a essa posição de destaque com brilho e trajetória próprios: foi reeleito governador do Piauí no primeiro turno com 1.436.697 de votos, o equivalente a 70,9% dos válidos, o maior percentual obtido por um candidato a governador no país.

Três semanas depois, comemorou ao lado de Lula em São Paulo a reeleição do presidente, cuja campanha ajudou a reorganizar no segundo turno.

Depois da vitória, o nome do governador passou a aparecer em colunas de bastidores de Brasília como um candidato para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula. Até agora não houve convite oficial.

Quem é Rafael Fonteles

Rafael Fonteles nasceu em Teresina em 6 de maio de 1985. É filho de Nazareno Fonteles, ex-deputado estadual e federal e um dos fundadores do PT no Piauí, e se filiou ao partido ainda adolescente.

Estudou no Instituto Dom Barreto, uma das escolas particulares mais tradicionais da capital piauiense, e se destacou cedo nos estudos. Em 2002, ainda no ensino médio, representou o Brasil em duas olimpíadas internacionais de ciências e ganhou medalha de bronze na de química, na Holanda, e menção honrosa na de física, na Indonésia.

Formou-se em matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e, durante o curso, conquistou o terceiro prêmio na Competição Internacional de Matemática para Universitários (IMC), na Macedônia, em 2004. 

Fez mestrado em economia matemática no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro, concluído aos 21 anos.

Antes de entrar na administração pública, deu aulas de matemática, abriu um cursinho pré-vestibular aos 18 anos e atuou como empresário e consultor de investimentos.

Secretário da Fazenda e presidente do Comsefaz

Aos 29 anos, Rafael Fonteles foi convidado pelo então governador Wellington Dias (PT), seu padrinho político, para assumir a Secretaria da Fazenda do Piauí. Ficou no cargo de janeiro de 2015 a março de 2022 e coordenou o Pro Piauí, principal programa de investimentos do governo estadual no período.

A passagem pela Fazenda estadual lhe deu projeção fora do Piauí. De abril de 2019 a março de 2022, presidiu por dois mandatos o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).

O comitê reúne os secretários das 27 unidades da federação e negocia com o governo federal e o Congresso temas como tributação e repartição de receitas. Fonteles deixou os dois cargos para disputar o governo do estado. 

Governador do Piauí

Na primeira eleição que disputou, em 2022, Fonteles venceu no primeiro turno com mais de 57% dos votos válidos. Tomou posse em 1º de janeiro de 2023, aos 37 anos, e se tornou o governador mais jovem eleito no estado.

No primeiro mandato, apostou na agenda de atração de investimentos e em parcerias com a iniciativa privada. Em 2025, presidiu o Consórcio Nordeste, que reúne os nove estados da região.

Em 2026, concorreu à reeleição pela coligação A Força do Povo, formada por Republicanos, PDT, MDB, PSD e pela federação de PT, PCdoB e PV. Derrotou no primeiro turno o ex-prefeito de Floriano Joel Rodrigues (PP), que ficou com 27,5% dos votos válidos.

A base aliada do governador também elegeu nove dos dez deputados federais do estado. No mesmo dia, o Piauí deu a Lula o maior percentual de votos do país, 70,8% dos válidos.

O papel de Rafael Fonteles na campanha de Lula

Depois do primeiro turno da eleição presidencial, Fonteles passou a atuar na comunicação da campanha de Lula. Trabalhou na preparação do presidente para os debates e na estratégia digital. Na avaliação da coordenação, a comunicação tradicional já não bastava para garantir a vitória.

Duas iniciativas atribuídas a ele ganharam visibilidade. Fonteles deu de presente um celular a Lula, que até então não tinha aparelho próprio, para que o presidente participasse do canal de WhatsApp Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Rede/MG). Também sugeriu que Lula gravasse vídeos no formato selfie, filmando a si mesmo.

No segundo turno, o Piauí foi o estado com a maior diferença a favor de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL). Na noite da apuração, Fonteles acompanhou o presidente na festa da Avenida Paulista, em São Paulo, e Lula agradeceu publicamente aos eleitores piauienses pelo resultado.

O que Rafael Fonteles pensa sobre economia

O mestrado em economia matemática, os sete anos à frente das contas do Piauí e a experiência na negociação federativa pelo Comsefaz deram a Fonteles um trânsito em parte do mercado financeiro, que o vê como um nome moderado dentro do PT.

Em entrevista à Folha de S.Paulo em fevereiro de 2025, ele defendeu a política econômica de Fernando Haddad, então ministro da Fazenda, a credibilidade do arcabouço fiscal e o esforço para o país recuperar o grau de investimento.

Atribuiu parte da queda de popularidade de Lula naquele ano à inflação dos alimentos e defendeu a aproximação do governo com partidos de centro e centro-direita. 

O que acontece se ele virar ministro

Esse perfil é o que as colunas de bastidores destacam ao citar Rafael Fonteles entre os possíveis ministros da Fazenda do novo mandato de Lula. Para assumir esse ou qualquer outro ministério, ele teria de renunciar ao mandato de governador, que começa em 1º de janeiro de 2027. O cargo passaria ao vice-governador eleito, Washington Bandeira (PT).



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