Do lado positivo, só seis papéis registravam alta:
- Suzano (SUZB3, +7,76%)
- Embraer (EMBJ3, +7,14%)
- Vale (VALE3, +5,12%)
- Weg (WEGE3, +3,74%)
- Bradespar (BRAP4, +2,84%)
- Klabin (KLBN11, +2,31%).
Na visão de França, a dívida pública caminha para uma trajetória mais inflacionária e recessiva, o que pede juros mais altos, agora e lá na frente.
Por isso, ele disse antever “chance zero” de corte da Selic na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) da semana que vem. E não descarta que o ciclo de queda dos juros se reverta e vire alta no curto prazo. “O câmbio perto de R$ 5,60 já pressiona a inflação”, afirma.
Como se proteger nos mercados
Para quem está na Bolsa, França aponta que empresas com menor dependência da economia doméstica funcionam como uma espécie de abrigo. Ele cita Suzano (SUZB3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4) e Vale (VALE3), além de petroleiras de modo geral – mas não todas.
A exceção é a Petrobras (PETR3; PETR4) como principal estatal do país, pois ela pode sofrer caso o governo decida a usar a política de preços dos combustíveis para absorver novas altas do petróleo, cujas cotações já estão em níveis mais altos em seis meses, perto de US$ 115 o barril.
O Citi, por sua vez, listou em relatório enviado a clientes nesta manhã de sexta-feira uma lista com 10 ações de empresas que podem se beneficiar do quarto mandato de Lula, de olho em políticas como apoio ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, exportações com o real enfraquecido e setores de serviços públicos como o de energia.
- Cury (CURY3)
- Embraer (EMBR3)
- Weg (WEGE3)
- BTG Pactual (BPAC11)
- Caixa Seguridade (CXSE3)
- Axia (AXIA3)
- Copel (CPLE3)
- Bradsaúde (SAUD3)
- Ultrapar (UGPA3)
- Gerdau (GGBR4).
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, concorda que o cenário para investimentos é mais estressado, sobretudo no curto prazo, mas pede atenção ao que vem depois. “O ponto mais importante é observar como as pautas econômicas vão avançar no médio prazo”, diz.
Ele lembra o precedente de 2022, em que houve um pessimismo inicial com a volta de Lula depois da eleição, mas que acabou sendo positivo para a bolsa em 2023, com a aprovação do novo arcabouço fiscal. O índice de referência encerrou o primeiro ano de “Lula 3” com alta de 22,3%.
“Por isso [dado esse histórico do início do terceiro mandato], precisamos acompanhar como o governo vai se organizar para 2027”, pondera.
Dólar: momento de cautela
A disparada do dólar nesta segunda mostra um pânico que só foi visto antes na mudança de regime para o câmbio flutuante em janeiro de 1999. Neste começo de tarde, a alta supera os 11,10% de 15 de janeiro de 1999, quando o governo liberou o dólar para flutuar livremente.
Até então, a cotação, ou seja, a relação de troca de reais para um dólar, era definida pelo governo. Tirar as amarras, portanto, deflagrou um movimento de ajuste represado por anos de controle.
Agora, no day after da reeleição de Lula, a alta é similar em magnitude, mas os motivos são muito diferentes. A subida reflete uma reversão total de expectativas após o resultado das eleições, como citado acima.
E, nestes momentos de pânico, o melhor é não comprar. “A cautela deve prevalecer”, diz a diretora comercial de câmbio e operações da B&T XP, Roberta Folgueral. “Agora, definitivamente, esta primeira semana após a eleição não é o momento para sair comprando moeda.”
Segundo a executiva, a expectativa é que o pânico inicial dê lugar a um patamar para o dólar mais equilibrado, baseado em dados e informações mais concretas que devem ser divulgadas pelo governo Lula. “Isso abre espaço para cotações mais favoráveis”, afirma.
Quem precisa comprar dólar no curto prazo – por exemplo, quem tem viagem internacional marcada no fim do ano ou no início de 2027 – deve esperar a volatilidade amenizar ao longo da semana e voltar para a estratégia do chamado “câmbio médio”: a ideia é comprar a moeda aos poucos em vez de deixar toda a aquisição para a véspera do embarque. Isso ajuda a diluir o risco de pegar um eventual pico de alta.
Para Folgueral, tanto pessoas físicas quanto empresas com custos ou receitas em moeda estrangeira deveriam aprender com o episódio para encarar a dolarização de parte do patrimônio e o uso de contas globais como uma ferramenta básica de diversificação de investimentos e gestão financeira.
Com a moeda americana negociando em patamares próximos de R$ 5,60 nesta segunda, há espaço tanto para uma valorização maior frente ao real, menos provável, quanto para um alívio nas semanas seguintes.
Folgueral também cita como exemplo o estresse pós-eleitoral de 2022, eleição na qual Lula venceu o então presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o dólar chegou a operar perto de R$ 5,20 após o resultado. Depois passou a recuar para níveis próximos de R$ 4,60 ao longo de 2023.
Para que o real volte a se valorizar de forma consistente, será preciso observar sinais concretos no campo fiscal. A especialista em câmbio explica que o mercado espera indicações claras de contenção de despesas públicas e de compromisso com as contas do governo Lula para o quarto mandato.
— Em atualização.
