Ao todo, 58 dos modelos novos e atualizados serão destinados aos EUA — maior mercado da Hyundai —, enquanto 41 serão lançados na Europa, 26 na Índia e 22 na China, com alguma sobreposição entre as regiões.
A reformulação da linha de produtos ocorre enquanto a Hyundai busca diversificar suas opções de motorização, equilibrando veículos elétricos com uma oferta ampliada de híbridos e elétricos de autonomia estendida, em meio à desaceleração da demanda global por veículos totalmente elétricos.
Oferecer uma gama maior de híbridos nos EUA ajudará a proteger sua participação de mercado, à medida que consumidores migram para carros que combinam gasolina e eletricidade em meio aos preços elevados dos combustíveis.
No restante do mundo, a empresa precisa se antecipar à concorrência de fabricantes chinesas de veículos elétricos, como BYD e Geely, que estão inundando mercados da América do Sul ao Sudeste Asiático e à Europa com veículos de preços reduzidos.
Dos 100 modelos planejados, sete chegarão apenas nos próximos oito meses, incluindo o novo SUV médio Tucson e o Tucson híbrido, o novo Ioniq 3, um veículo elétrico compacto, e o primeiro Santa Fe elétrico de autonomia estendida.
O modelo terá como meta uma autonomia total superior a 600 milhas (966 quilômetros) e utilizará uma nova bateria que carrega 40% mais rápido que as células anteriores. Ele será produzido na fábrica da empresa no Alabama.
“Esta é a ofensiva de produtos mais ambiciosa de nossa história”, disse Muñoz. “A localização é o nome do jogo, e a América do Norte é onde nossa história com os híbridos ganhou escala. Vendemos mais de 1 milhão de híbridos na região.”
As ações da Hyundai Motor caíram mais de 3%. Analistas da Korea Investment & Securities, incluindo Changho Kim, disseram que a queda ocorreu devido à falta de grandes novidades relacionadas à robótica, que tem impulsionado o sentimento dos investidores desde que a unidade Boston Dynamics apresentou, em janeiro, o robô humanoide Atlas, pronto para produção.
Aumento da capacidade
No total, a Hyundai planeja acrescentar quase 1,3 milhão de unidades à sua capacidade global até 2030, incluindo 500 mil na América do Norte, 320 mil na Índia — um importante polo de produção — e 200 mil na Coreia do Sul.
Na América do Norte, a empresa espera oferecer mais de 10 modelos híbridos até 2030, com os híbridos representando quase metade das vendas regionais. Também pretende aumentar a participação de componentes adquiridos localmente de 60% para 80%.
Isso ajudará a reduzir o impacto das tarifas de importação de automóveis impostas pelo presidente Donald Trump, mantendo as margens de lucro operacional em 9% ou mais até 2030.
Sua marca de luxo, Genesis, planeja lançar seu primeiro híbrido com o SUV GV80, além de seu primeiro veículo elétrico de autonomia estendida no início do próximo ano, com autonomia prevista superior a 640 milhas. A Genesis pretende elevar as vendas anuais para 350 mil veículos até 2030.
A Hyundai também confirmou que o Robot Metaplant Application Center, onde o robô humanoide Atlas é treinado e analisado, foi inaugurado em junho na fábrica da montadora na Geórgia. A instalação será ampliada dez vezes até o fim do ano, com mais de 10 mil horas de dados de aprendizado de robôs, antes do início planejado da produção em 2028, com capacidade anual de 30 mil unidades.
A Hyundai e sua afiliada Kia têm usado os Investor Days anteriores, realizados também nos EUA e na Índia, para apresentar suas estratégias de produtos de médio e longo prazo e seus planos para futuras tecnologias, incluindo direção autônoma e robótica.
No Investor Day do ano passado, a Hyundai anunciou planos de lançar 18 modelos híbridos até 2030.
Em seu evento realizado em abril, a Kia afirmou que lançará oito modelos híbridos nos EUA até 2030, incluindo uma picape média, começará a utilizar robôs humanoides em suas fábricas americanas a partir de 2029 e concluirá seu primeiro veículo definido por software até o fim de 2027.
O evento desta quarta-feira ocorre enquanto a Hyundai recalibra sua capacidade de produção em seus principais polos industriais, incluindo a fábrica na Geórgia, inicialmente projetada para produzir veículos elétricos. O objetivo é garantir que a empresa possa alternar entre versões elétricas e híbridas de acordo com as condições de mercado e o ambiente comercial.
