“É realmente um investimento de longo prazo que pretendemos manter por muitas décadas”, disse Abel.
A Berkshire começou a investir na Mitsubishi, Mitsui & Co., Itochu, Sumitomo e Marubeni há seis anos. Desde então, aumentou gradualmente sua participação nas cinco empresas, ultrapassando 10% em cada uma. O conglomerado também emite regularmente títulos em iene.
Outro sinal do interesse da Berkshire pelo Japão foi o investimento estratégico de 2,49% na Tokio Marine Holdings, anunciado em março. A ideia é trabalhar em conjunto com a seguradora em investimentos internacionais, incluindo fusões e aquisições.
No mês passado, o Financial Times informou que a Tokio Marine avalia a compra da Suncorp Group, depois de analisar possíveis negócios com a Insurance Australia Group e a canadense Intact Financial.
Abel disse que apoiaria uma aquisição caso ela faça sentido para a Tokio Marine e para a Berkshire, mas não quis comentar quais empresas estão sendo avaliadas.
Berkshire vê oportunidade no mercado imobiliário
Na entrevista, Abel também explicou os motivos da Berkshire para comprar a Taylor Morrison Home, uma das maiores construtoras residenciais dos Estados Unidos.
O executivo não espera uma recuperação rápida do mercado imobiliário norte-americano, mas vê potencial de crescimento no longo prazo.
“O sonho americano continuará existindo e, daqui a cinco ou dez anos, este será um ativo muito forte para a Berkshire”, disse Abel.
Apesar disso, ele afirmou que espera que o setor passe por “um período difícil por algum tempo”.
Berkshire e inteligência artificial
Abel também contou como surgiu o investimento de US$ 10 bilhões da Berkshire na Alphabet, controladora do Google. Segundo ele, o investimento foi iniciado por Warren Buffett no ano passado e está ligado principalmente aos planos da empresa de tecnologia para avançar na inteligência artificial (IA).
A Berkshire também pretende aproveitar o crescimento da IA por meio da Berkshire Hathaway Energy, sua empresa de energia. A companhia pode se beneficiar do aumento da demanda por eletricidade dos grandes operadores de data centers, conhecidos como hyperscalers.
Abel, porém, disse estar atento à resistência de comunidades locais a alguns projetos de data centers.
Segundo o CEO, a Berkshire só apoiará esse tipo de empreendimento se ele não elevar os preços da energia para os demais consumidores e se houver apoio da comunidade local. Também será necessário que os moradores entendam os possíveis impactos dos projetos sobre os recursos hídricos.
