Economia

Fundos de debêntures isentas continuam abaixo do CDI e voltam a ter mais resgates do que entradas em outubro

A crise dos fundos de debêntures incentivadas continua a pesar sobre as carteiras em outubro. Ainda que tenha havido uma melhora em relação a setembro, os portfólios dessa categoria seguem com resgates fortes e retornos comprimidos. Os resultados passaram a melhorar em outubro, principalmente por conta da redução dos juros de prazos mais longos após...

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A crise dos fundos de debêntures incentivadas continua a pesar sobre as carteiras em outubro. Ainda que tenha havido uma melhora em relação a setembro, os portfólios dessa categoria seguem com resgates fortes e retornos comprimidos.

Os resultados passaram a melhorar em outubro, principalmente por conta da redução dos juros de prazos mais longos após o primeiro turno. Mas os fundos que concentram títulos de empresas nas carteiras ainda sentem os efeitos acumulados do cenário adverso do ano como um todo.

Houve uma série de eventos, como os choques de crédito diante da onda de recuperações judiciais e extrajudiciais de companhias, do prolongado período de juros altos e da inadimplência historicamente elevada entre as pessoas jurídicas.

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A situação se mostra mais complicada em duas das principais categorias das quais fazem parte os fundos de debêntures incentivadas. As chamadas “Duração Média Crédito Livre” e “Duração Livre Crédito Livre” ainda apresentam retornos de um dígito – respectivamente, 85% e 80% do CDI no acumulado do ano.

Os dois tipos ainda amargam retiradas líquidas no mês, ou seja, quando os saques ultrapassam as aplicações. A Duração Média registra uma saída líquida de R$ 132 milhões, enquanto a Duração Livre de R$ 5,8 bilhões.

Prêmios em alta ampliam perdas

Os retornos recuaram, basicamente, por conta da subida dos spreads. O mercado usa esse termo para indicar o prêmio (a diferença) que os títulos emitidos por empresas pagam a mais comparados aos títulos públicos.

Por exemplo, com o Tesouro IPCA+ 2040 pagando inflação mais 7,2% ao ano, o natural é que o um papel privado de duração semelhante pague algo como IPCA+7,7% – um spread de 0,5 ponto percentual, portanto, dado o risco considerado mais alto.

Exemplo real: uma alta de “apenas” 0,53 ponto percentual no spread representa quase 4% de queda no valor em reais da debênture. Ou seja, quando esse prêmio sobre os títulos públicos sobe, o valor do papel diminui.

Spreads na máxima em três anos

E por que falamos em 0,53 ponto? Porque foi o que ocorreu entre setembro e a metade de outubro. O índice Idex-Infra, que acompanha a evolução de preços, rentabilidade e prêmios de risco de debêntures isentas, mostrou uma subida desse patamar nos spreads.

O spread médio alcança atualmente 0,93 ponto percentual a mais em relação às taxas de títulos públicos de prazos semelhantes, segundo o Idex-Infra. Isso desconsiderando os “outliers”, ou seja, os 2,5% de papéis com os menores spreads e os 2,5% com os maiores.

Se forem considerados todos os papéis, o spread médio sobe para mais de um ponto: mais precisamente 1,08 ponto percentual.

Os prêmios das debêntures isentas estão no maior nível desde dezembro de 2023. A diferenca subiu 0,15 ponto apenas nas duas primeiras semanas de outubro.

Vantagem dos títulos públicos

Os títulos públicos atrelados à inflação apresentam um retorno que é mais que o dobro comparado à média das debêntures incentivadas, isentas de IR sobre os ganhos.

É possível verificar essa diferença ao comparamos dois indicadores calculados pela Anbima.

Há um índice que mede a variação dos retornos de uma carteira de debêntures incentivadas (ele se chama IDA-IPCA Infraestrutura).

E há outro que acompanha uma carteira de títulos Tesouro IPCA+, conhecidos como NTN-B no mercado, com vencimentos variados – esse índice é chamado de IMA-B.

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O IDA-IPCA acumula um ganho de 6,54% em 2026 até 19 de outubro. Já o IMA-B traz uma alta de 14,40% no mesmo período.

Comparados ao CDI, que rendeu 11,1% entre janeiro e meados de outubro, os títulos públicos apresentaram boa vantagem e rendem 130% do CDI.

Já as debêntures incentivadas vivem um momento complicado, com um retorno médio equivalente a apenas 59% do CDI no acumulado de 2026.

Fundos na berlinda

Esse resultado traz impactos, sobretudo, aos fundos de crédito privado, a principal porta de entrada dessa classe de ativos para os investidores do varejo.

No geral, os fundos de crédito privado registram uma entrada líquida de R$ 16 bilhões em outubro até dia 14. O resultado reverte o quadro de saídas líquidas de setembro, quando as categorias viram evaporar R$ 16,5 bilhões das carteiras.

Os retornos abaixo do CDI refletem, principalmente, esses resgates vistos até setembro. Nos fundos abertos, a mecânica se retroalimenta: o desempenho ruim gera mais retiradas, que forçam vendas, e isso, por sua vez, pressiona os preços e alimenta novas saídas.

Vários fundos de títulos isentos apresentam retornos bem abaixo do CDI no acumulado de 2026:

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