O impacto atinge veículos com alocação direta no produtor, como o Suno Agro (SNAG11), Vectis Datagro (VCRA11) e Galápagos Agro (GCRA11).
O Grupo Ruiz já havia obtido no fim de junho uma tutela cautelar que lhe permitiu ficar sem pagar as dívidas pelo prazo de 60 dias, enquanto buscava negociar com credores e montar o plano de recuperação.
O pedido da RJ foi protocolado em 8 de outubro, mas as informações só começaram a circular no fim da semana passada.
Para os Fiagros, os impactos são mais de curto prazo. Isso porque os CRAs detidos pelos fundos contam com alienação fiduciária de fazendas do grupo como garantia. Os créditos sob essa modalidade possuem caráter extraconcursal, o que significa que ficariam formalmente fora da proteção da RJ.
Na prática, os Fiagros vão passar a ser donos das terras em garantia. A Suno já avisou os cotistas sobre a reestruturação do certificado do Grupo Ruiz.
No processo, vai haver a migração do CRA Ruiz para um Fiagro de terras gerido pela Buri Asset Management. O novo fundo vai se tornar, assim, o proprietário das fazendas.
O Fiagro, por sua vez, aluga as fazendas de volta para o próprio Grupo Ruiz. Assim, o grupo mantém a operação da produção de café.
A produtora de café ficará com as cotas subordinadas do veículo, que formam a estrutura que absorve primeiro as perdas com inadimplência.
Já o SNAG11 passa a ser cotista do novo Fiagro, por meio de cotas sêniores. “Os créditos passam a ser lastreados diretamente por um veículo proprietário das terras, com a subordinação do Grupo Ruiz como colchão de proteção”, informou a gestora em comunicado ao mercado.
O VCRA11 também vai aderir ao mesmo sistema. As garantias físicas vão migrar para o Fiagro de terras e o fundo passará a ter participação na nova estrutura.
A Galápagos informou aos cotistas que desde o pedido de tutela tem negociado com a companhia. Conforme a gestora, o Fiagro passará a deter a titularidade de parte das terras que garantem os CRAs.
“A gestora ressalta que, previamente ao protocolo do pedido, já estava em tratativas com o devedor para reestruturar as operações. O Fiagro deterá as propriedades das matrículas que estão em garantia dos CRAs”, colocou a casa no último relatório do fundo.
As garantias detidas pelos Fiagros somam cerca de 2,6 mil hectares dos 7,5 mil hectares totais do Grupo Ruiz.
