Economia

ETF de ações brasileiras cai 19% com vitória de Lula

Tudo mudou em relação ao primeiro turno para o investidor. Ou voltou ao que era antes. A segunda-feira (26) promete ser um dia de fortes emoções com forte desvalorização na bolsa, alta do dólar e juros em alta. Uma amostra do que está por vir já pode ser verificado desde a noite de domingo (25)....

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Tudo mudou em relação ao primeiro turno para o investidor. Ou voltou ao que era antes. A segunda-feira (26) promete ser um dia de fortes emoções com forte desvalorização na bolsa, alta do dólar e juros em alta.

Uma amostra do que está por vir já pode ser verificado desde a noite de domingo (25). O EWZ, ETF (fundo passivo) que acompanha uma cesta de ações de grandes e médias empresas brasileiras, caiu quase 20% no chamado overnight trading da bolsa de Nova York.

O EWZ tinha queda de 18,90% às 21h40 de Brasília.

Os ADRs, recibos de ações negociados na bolsa de Nova York (NYSE), de Petrobras e Vale também caíam com força por volta do mesmo horário. O papel da petroleira tinha recuo de 11,01%, enquanto o da mineradora perdia 4,44%.

O ADR do Itaú tinha baixa de 13,65%. O do Bradesco queda de 12,29%.

Tudo por causa da virada inesperada – a julgar por todos os institutos de pesquisa e pelo histórico de eleições presidenciais – no segundo turno.

No fim da apuração, o presidente Lula venceu a corrida presidencial contra o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) com uma margem de cerca de de 3,5 pontos percentuais dos votos válidos, o equivalente a quase 4,4 milhões de votos.

As pesquisas indicavam o contrário, uma vantagem entre 1 e 2 pontos para o oposicionista no segundo turno.

O cenário de manutenção do governo frustra a maior parte do mercado que apostou na vitória de Flávio e de um prometido ajuste fiscal, o que já começava a derrubar os chamados prêmios de risco dos ativos brasileiros.

Após o primeiro turno, com a vantagem mostrada pelo candidato do PL, os juros de vencimento no longo prazo chegaram a cair mais de 2 pontos percentuais, enquanto o Ibovespa subiu quase 8% na segunda-feira (5) seguinte.

A perspectiva a partir da abertura dos mercados nesta segunda-feira (26) será de reversão da queda de juros e da alta da bolsa. O dólar também deve subir em meio a uma potencial volta dos prêmios mais altos pedidos pelos investidores em um cenário de risco fiscal mais elevado.

O governo poderia reverter esse movimento de piora das condições financeiras, se passar a sinalizar a busca pelo equilíbrio das contas públicas.

“O mercado não tem ideologia; quer, na verdade, que a cartilha [que permita a queda dos juros] seja feita”, afirma o gestor da Nero Capital, Daniel Utsch. “O mercado quer PIB, desemprego baixo, estabilidade institucional, dívida controlada e política monetária coerente.”

“Como o mercado precificava uma possibilidade menor de o Lula vencer, uma reversão de todo o movimento de queda [de juros e do câmbio] nos últimos meses ou de grande parte disso é muito provável”, avalia Utsch.

Na visão de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, “estamos vendo uma queda expressiva das ações brasileiras e uma alta considerável do dólar e também é razoável supor uma abertura mais forte da curva de juros nesta segunda-feira”.

Antes de as pesquisas passarem mostrar uma subida do candidato Flávio Bolsonaro no primeiro turno, a partir de julho, as taxas do Tesouro IPCA+ alcançavam entre 7,5% e 8%, enquanto as do Tesouro Prefixado estavam todas acima de 14% ao ano.

O Ibovespa oscilava em torno dos 170 mil a 177 mil pontos. E o dólar operava na casa de R$ 5,20.

O mercado não espera como cenário base um ajuste crível nas contas públicas para este quarto mandato, a menos que haja sinalização e medidas concretas que provem o contrário. Com a dívida no nível de 83% do PIB e subindo, uma queda firme nos juros se mostra improvável.

Na outra ponta, o PIB cresceu 3% ao ano durante o governo Lula, em média. É o triplo do período entre 2010 e 2022. O desafio na economia é manter o crescimento ao mesmo tempo em que se coloca um freio nos gastos públicos. Na frente política, a pergunta em aberto é como o governo irá lidar com uma oposição fortalecida no Congresso.

— Em atualização.



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