Um mercado que virou gigante
O caso dinamarquês ilustra como a onda dos chamados medicamentos à base de GLP-1 — classe que inclui produtos como Wegovy e Ozempic — ganhou dimensão suficiente para extrapolar o setor de saúde e chegar à economia real.
Segundo levantamento do BTG Pactual, o mercado global desses medicamentos movimentou cerca de US$ 63 bilhões em 2025 e deve superar US$ 73 bilhões neste ano. Para a próxima década, as estimativas são ainda maiores: entre US$ 180 bilhões e US$ 250 bilhões até 2034.
O avanço é puxado pelo aumento dos casos de obesidade no mundo, pela ampliação da cobertura desses tratamentos por planos de saúde e pela confiança crescente de médicos na eficácia dos remédios. Esses fatores transformaram um mercado antes concentrado no diabetes em uma das principais frentes de expansão da indústria farmacêutica global.
A corrida também remodelou as maiores farmacêuticas do setor. Novo Nordisk e Eli Lilly — esta última fabricante do Mounjaro e do Zepbound — lideram a disputa e vêm ampliando investimentos em fábricas e capacidade produtiva para acompanhar o ritmo das vendas. O movimento também atraiu novos concorrentes e acelerou o desenvolvimento de versões em comprimido que possam substituir ou complementar os tratamentos injetáveis.
Os efeitos dessa expansão não ficam restritos às farmacêuticas. Setores como alimentos, bebidas, restaurantes e seguros de saúde já monitoram como a mudança de hábitos dos consumidores e os possíveis impactos sobre custos médicos podem afetar seus negócios.
O impacto do Wegovy na economia dinamarquesa
Na Dinamarca, esse fenômeno já aparece nas estatísticas econômicas. De acordo com o governo, o lançamento da versão em comprimido do Wegovy no início de 2026 teve um efeito maior do que o esperado sobre as exportações de medicamentos do país, contribuindo para o crescimento mais forte da economia.
A Novo Nordisk, que também fabrica o Ozempic, medicamento para diabetes tipo 2 que igualmente ganhou popularidade pelo efeito na perda de peso, tem peso desproporcional na economia dinamarquesa.
As exportações e os investimentos da companhia representam uma parcela relevante da atividade nacional, a ponto de mudanças no desempenho da empresa terem impacto relevante nas estatísticas de exportações e de crescimento do país.
Outras previsões para 2026
Além do PIB, o governo dinamarquês atualizou outras estimativas para 2026:
| Indicador | 2026 (nova) | 2026 (anterior) | 2027 |
|---|---|---|---|
| Crescimento do PIB | 3,7% | 2,7% | 1,8% |
| Inflação | 1,6% | 1,5% | 1,7% |
| Preços dos imóveis | 6,5% | 6,2% | 3,5% |
| Desemprego | 2,8% | 2,8% | 3,1% |
| Consumo das famílias | 2,2% | 1,9% | 2,1% |
A previsão para o desemprego permaneceu em 2,8%. Para 2027, o governo espera crescimento de 1,8% do PIB, acima dos 1,6% estimados anteriormente.
Uma trajetória de sucessivas revisões
A trajetória das revisões mostra o quanto o cenário mudou em pouco mais de um ano. Em maio de 2025, o governo dinamarquês esperava crescimento de apenas 1,4% em 2026, diante da ameaça de tarifas dos Estados Unidos e da expectativa de uma contribuição menor do setor farmacêutico.
Desde então, a força das exportações de medicamentos mudou o quadro e levou a sucessivas revisões para cima na estimativa de crescimento.
O ministro do Crescimento Econômico, Jakob Engel-Schmidt, classificou o resultado como uma conquista relevante para uma economia pequena e aberta como a dinamarquesa, afirmando que o país está entre os destaques quando comparado a outras economias europeias.
Com informações da Bloomberg.
