Economia

Como um remédio para emagrecer engordou o PIB da Dinamarca

Os medicamentos para emagrecer deixaram de ser apenas um fenômeno de consumo e se transformaram em uma indústria bilionária, com efeitos que já começam a aparecer nas economias de alguns países. Na Dinamarca, o avanço das exportações de medicamentos, impulsionado pelos negócios da Novo Nordisk, ajudou o governo a elevar pela quarta vez sua previsão...

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Os medicamentos para emagrecer deixaram de ser apenas um fenômeno de consumo e se transformaram em uma indústria bilionária, com efeitos que já começam a aparecer nas economias de alguns países. Na Dinamarca, o avanço das exportações de medicamentos, impulsionado pelos negócios da Novo Nordisk, ajudou o governo a elevar pela quarta vez sua previsão de crescimento econômico para 2026.

O Produto Interno Bruto (PIB) dinamarquês deve avançar 3,7% neste ano, segundo o Ministério do Crescimento Econômico do país, ante os 2,7% estimados em maio. Com o novo número, a Dinamarca desponta como uma das economias que mais crescem na Europa em 2026, superando com folga a média projetada por analistas ouvidos pela Bloomberg, de cerca de 2,5%.

Um mercado que virou gigante

O caso dinamarquês ilustra como a onda dos chamados medicamentos à base de GLP-1 — classe que inclui produtos como Wegovy e Ozempic — ganhou dimensão suficiente para extrapolar o setor de saúde e chegar à economia real.

Segundo levantamento do BTG Pactual, o mercado global desses medicamentos movimentou cerca de US$ 63 bilhões em 2025 e deve superar US$ 73 bilhões neste ano. Para a próxima década, as estimativas são ainda maiores: entre US$ 180 bilhões e US$ 250 bilhões até 2034.

O avanço é puxado pelo aumento dos casos de obesidade no mundo, pela ampliação da cobertura desses tratamentos por planos de saúde e pela confiança crescente de médicos na eficácia dos remédios. Esses fatores transformaram um mercado antes concentrado no diabetes em uma das principais frentes de expansão da indústria farmacêutica global.

A corrida também remodelou as maiores farmacêuticas do setor. Novo Nordisk e Eli Lilly — esta última fabricante do Mounjaro e do Zepbound — lideram a disputa e vêm ampliando investimentos em fábricas e capacidade produtiva para acompanhar o ritmo das vendas. O movimento também atraiu novos concorrentes e acelerou o desenvolvimento de versões em comprimido que possam substituir ou complementar os tratamentos injetáveis.

Os efeitos dessa expansão não ficam restritos às farmacêuticas. Setores como alimentos, bebidas, restaurantes e seguros de saúde já monitoram como a mudança de hábitos dos consumidores e os possíveis impactos sobre custos médicos podem afetar seus negócios.

O impacto do Wegovy na economia dinamarquesa

Na Dinamarca, esse fenômeno já aparece nas estatísticas econômicas. De acordo com o governo, o lançamento da versão em comprimido do Wegovy no início de 2026 teve um efeito maior do que o esperado sobre as exportações de medicamentos do país, contribuindo para o crescimento mais forte da economia.

A Novo Nordisk, que também fabrica o Ozempic, medicamento para diabetes tipo 2 que igualmente ganhou popularidade pelo efeito na perda de peso, tem peso desproporcional na economia dinamarquesa.

As exportações e os investimentos da companhia representam uma parcela relevante da atividade nacional, a ponto de mudanças no desempenho da empresa terem impacto relevante nas estatísticas de exportações e de crescimento do país.

Outras previsões para 2026

Além do PIB, o governo dinamarquês atualizou outras estimativas para 2026:

Indicador 2026 (nova) 2026 (anterior) 2027
Crescimento do PIB 3,7% 2,7% 1,8%
Inflação 1,6% 1,5% 1,7%
Preços dos imóveis 6,5% 6,2% 3,5%
Desemprego 2,8% 2,8% 3,1%
Consumo das famílias 2,2% 1,9% 2,1%

A previsão para o desemprego permaneceu em 2,8%. Para 2027, o governo espera crescimento de 1,8% do PIB, acima dos 1,6% estimados anteriormente.

Uma trajetória de sucessivas revisões

A trajetória das revisões mostra o quanto o cenário mudou em pouco mais de um ano. Em maio de 2025, o governo dinamarquês esperava crescimento de apenas 1,4% em 2026, diante da ameaça de tarifas dos Estados Unidos e da expectativa de uma contribuição menor do setor farmacêutico.

Desde então, a força das exportações de medicamentos mudou o quadro e levou a sucessivas revisões para cima na estimativa de crescimento.

O ministro do Crescimento Econômico, Jakob Engel-Schmidt, classificou o resultado como uma conquista relevante para uma economia pequena e aberta como a dinamarquesa, afirmando que o país está entre os destaques quando comparado a outras economias europeias.

Com informações da Bloomberg.



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