Se vender os 15% em negociação, conforme revelou mais cedo o Brazil Journal e confirmou o InvestNews, sua participação direta cairá para cerca de 5,3%. Ainda assim, sua exposição econômica remanescente será de 15,27% – ou seja, praticamente a mesma fatia que as tradings negociam comprar.
Em outras palavras, Cofco e Bunge compram uma fatia grande, mas não levam o controle da Rumo. Se nada mudar em relação aos swaps, terão que dividir o comando com a Cosan. É justamente essa divisão de poder entre esses acionistas que está no centro das conversas.
Ao anunciar a operação envolvendo os swaps de ações da Rumo, em dezembro, a Cosan afirmou que a estrutura não reduzia seus direitos políticos e econômicos na empresa. Não detalhou, porém, os mecanismos que sustentam essa influência.
O Grupo México, que também avaliava o ativo, deixou as negociações por ora, mas as conversas podem ser retomadas caso flexibilize suas exigências.
Como já mostrou o InvestNews, a Cosan tem como meta levantar R$ 10 bilhões com vendas de ativos até maio de 2027 – e ao menos metade desse valor já entrou no caixa do grupo.
Investimento estratégico
O interesse de Cofco e Bunge vai além de uma aplicação financeira em infraestrutura. As duas tradings estão entre as maiores compradoras e exportadoras de soja e milho do país, que são justamente os produtos que dão escala à principal operação da Rumo.
Em 2025, a soja respondeu por 31% de toda a carga transportada pela companhia, e o milho, por outros 21%; a Malha Norte, corredor que liga Mato Grosso ao Porto de Santos, concentrou 82% do volume total movimentado.
A Rumo está investindo R$ 11,2 bilhões para estender essa ferrovia por 740 quilômetros rumo ao coração agrícola de Mato Grosso.
Para uma trading, ser sócia de uma operadora nesse corredor significa acompanhar de perto decisões sobre expansão de capacidade, terminais e fluxo de cargas em uma rota decisiva para o escoamento da safra.
