A Chevron já mantém três joint ventures com a estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) e é atualmente a única grande petroleira americana com operações no país. A companhia responde por cerca de um quinto da produção venezuelana.
A empresa não comentou as negociações.
A Halliburton, uma das maiores empresas americanas de serviços para o setor de petróleo, também negocia levar equipamentos e serviços para produtores venezuelanos.
Segundo o jornalWall Street Journal, executivos de várias empresas de petróleo e gás devem assinar acordos de produção em Caracas na próxima semana. O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, também deve viajar à Venezuela.
Muitos dos campos oferecidos pelo governo venezuelano são chamados de greenfields, áreas que ainda têm pouca ou nenhuma infraestrutura, como estradas, instalações de produção e fornecimento de eletricidade.
A exploração desses campos exigiria bilhões de dólares em investimentos antes que eles pudessem atingir níveis relevantes de produção.
A ExxonMobil e a ConocoPhillips, duas das principais concorrentes americanas da Chevron, pretendem ficar de fora dos novos acordos por enquanto.
As duas empresas tiveram ativos nacionalizados pelo governo do então presidente Hugo Chávez em 2007 e ainda buscam bilhões de dólares em indenizações.
Trump quer aumentar produção de petróleo
A movimentação faz parte da estratégia do governo Trump para ampliar a presença americana no setor de petróleo da Venezuela.
Desde a retirada de Nicolás Maduro do poder, em janeiro, Trump tem pressionado empresas americanas de petróleo a investir no país. A intenção é aumentar a produção de petróleo no hemisfério ocidental e garantir um maior fluxo de petróleo pesado para as refinarias dos Estados Unidos.
A Venezuela tem algumas das maiores reservas de petróleo do mundo.
O interesse das empresas americanas, porém, vinha sendo limitado. Companhias do setor afirmavam precisar de garantias de segurança e de mudanças nas regras jurídicas e comerciais da Venezuela antes de comprometer grandes volumes de capital.
As negociações também avançaram lentamente nos últimos meses, com empresas disputando um número limitado de campos em um processo considerado reservado.
Até recentemente, nenhuma grande empresa havia anunciado novos investimentos relevantes no país. A produção venezuelana também avançou pouco: atualmente, o país produz cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, aproximadamente o mesmo nível do ano passado.
A Hunt Oil, petroleira americana conhecida por atuar em regiões consideradas de maior risco, foi a primeira empresa a assinar um acordo para produzir petróleo na Venezuela neste mês.
EUA também negociam participação em campos venezuelanos
Os acordos das empresas americanas são separados das negociações entre o governo Trump e autoridades venezuelanas para que os Estados Unidos tenham uma participação direta em 17 dos campos de petróleo considerados mais promissores do país.
Essas áreas concentram cerca de 90 bilhões de barris em reservas provadas.
A possível expansão da Chevron, portanto, ocorre em paralelo a uma negociação mais ampla entre os dois países sobre o futuro da indústria petrolífera venezuelana.
Para a administração Trump, atrair investimentos privados americanos é uma forma de recuperar a produção de petróleo do país e, ao mesmo tempo, ampliar a influência dos Estados Unidos sobre um dos maiores depósitos de petróleo do mundo.
