Economia

BYD tem primeiro crescimento de lucro em 5 trimestres puxado por exportações. Brasil vira peça-chave

A BYD registrou no segundo trimestre o primeiro crescimento do lucro em cinco trimestres, impulsionada pelo avanço das exportações e pela demanda por modelos mais caros. O resultado mostra como a expansão internacional vem ajudando a maior fabricante de veículos elétricos do mundo a compensar a desaceleração do mercado chinês. O lucro líquido da companhia...

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A BYD registrou no segundo trimestre o primeiro crescimento do lucro em cinco trimestres, impulsionada pelo avanço das exportações e pela demanda por modelos mais caros. O resultado mostra como a expansão internacional vem ajudando a maior fabricante de veículos elétricos do mundo a compensar a desaceleração do mercado chinês.

O lucro líquido da companhia subiu 30% no segundo trimestre, na comparação anual, para 8,2 bilhões de yuans (US$ 1,2 bilhão), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28). O resultado ficou ligeiramente acima da média das estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg. A receita, porém, recuou cerca de 3%, para 194,6 bilhões de yuans (US$ 27,2 bilhões). Foi o quarto trimestre consecutivo de queda da receita.

A melhora do lucro, mesmo com a redução da receita, reflete principalmente a mudança no perfil das vendas, com maior participação dos negócios internacionais, que apresentam margens mais elevadas. A margem bruta da BYD chegou a 18,85% no primeiro semestre, ante 18,01% um ano antes.

Exportações ganham peso

No primeiro semestre, a receita das operações internacionais da BYD cresceu 34%, para 181,3 bilhões de yuans, e passou a representar 53% da receita total da companhia.

Foi a primeira vez que a receita gerada fora da China superou a obtida no mercado chinês, um marco para a estratégia de internacionalização da montadora.

As exportações de veículos também avançaram. Segundo cálculos da Reuters com base nos dados mensais da BYD, os embarques para o exterior cresceram 71% no primeiro semestre, superando 790 mil veículos e representando 44% das vendas totais.

A margem bruta do negócio internacional chegou a 22% no primeiro semestre, alta de 1,9 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. A operação doméstica, por outro lado, continua pressionada pela guerra de preços entre as montadoras chinesas.

O movimento ocorre em um momento de forte desaceleração do mercado chinês. A BYD enfrenta concorrência de empresas como Xiaomi e Xpeng, enquanto a redução de incentivos do governo e a disputa por preços pressionam as vendas e a rentabilidade no país.

Brasil entra no plano de expansão

A América do Sul é uma das regiões que fazem parte da expansão internacional da BYD, e o Brasil ganhou uma posição estratégica nesse movimento.

A companhia vem transformando a operação brasileira, que durante anos dependeu da importação de veículos prontos da China, em uma base de produção local.

A fábrica de Camaçari, na Bahia, é o centro dessa estratégia. O complexo é a maior unidade da BYD fora da China e recebeu investimentos de bilhões de reais para produzir veículos elétricos e híbridos no país.

O InvestNews visitou a fábrica de Camaçari em julho, quando a unidade atingiu a marca de 100 mil veículos produzidos. Na ocasião, a reportagem acompanhou de perto o estágio de nacionalização da operação e mostrou que, apesar do avanço da produção local, a fábrica ainda dependia de kits importados da China.

A operação brasileira ainda está em processo de nacionalização. Parte dos veículos é montada a partir de conjuntos parcialmente desmontados, conhecidos como SKD, enviados da China. A BYD trabalha para ampliar gradualmente a quantidade de componentes produzidos no país.

A fábrica tem capacidade inicial para produzir 150 mil veículos por ano, com possibilidade de expansão para até 300 mil unidades em uma segunda etapa.

A estratégia também prevê transformar Camaçari em uma plataforma de exportação para outros países da América Latina. Argentina e México estão entre os mercados considerados pela companhia.

Antes do avanço da produção local, o Brasil foi atendido principalmente por veículos fabricados na China. A BYD acelerou as importações nos últimos anos para aproveitar o crescimento da demanda por carros elétricos e híbridos no país. Em 2025, a companhia enviou cerca de 22 mil veículos da China para o Brasil apenas nos primeiros cinco meses do ano, segundo cálculos da Reuters.

O movimento ajudou a consolidar a marca no mercado brasileiro antes da expansão da produção em Camaçari.

Os números mais recentes mostram que a estratégia comercial ganhou força. No primeiro semestre de 2026, a BYD registrou 99.029 emplacamentos no Brasil, alta de 107% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela própria empresa.

Com esse resultado, a montadora alcançou a quarta posição no ranking geral de vendas de veículos no país no acumulado do ano. Em junho, foram 21.254 unidades comercializadas.

O crescimento brasileiro ajuda a explicar por que o país se tornou relevante para os planos internacionais da montadora, mas a BYD não divulga em seu balanço quanto da receita internacional corresponde especificamente ao Brasil.

Os dados financeiros da companhia são apresentados de forma agregada, sem abertura da receita por país. Por isso, não é possível afirmar qual parcela dos 181,3 bilhões de yuans de receita internacional no primeiro semestre veio do mercado brasileiro.

Mercado chinês continua pressionado

Enquanto amplia sua presença internacional, a BYD ainda enfrenta dificuldades em seu principal mercado. Na China, a disputa por preços continua intensa, em um cenário de demanda mais fraca e redução dos incentivos governamentais.

A montadora vendeu 1,81 milhão de veículos nos primeiros seis meses do ano, ficando atrás do ritmo necessário para cumprir sua meta anual de 5 milhões a 5,5 milhões de unidades.

As vendas domésticas continuam sendo um dos principais desafios para a companhia. Segundo analistas ouvidos pela Reuters, a competição no mercado chinês permanece intensa, enquanto os mercados internacionais oferecem uma fonte importante de crescimento.

A BYD vem tentando compensar essa pressão com novos modelos e uma expansão acelerada em mercados estrangeiros. A companhia também começou a vender um carro elétrico compacto no Japão e ampliou sua presença na Europa.

Expansão internacional também traz riscos

O crescimento fora da China, porém, não ocorre sem desafios. A expansão das exportações elevou os estoques da BYD. Ao fim de junho, o estoque da companhia equivalia a 109 dias de vendas de veículos, ante 79 dias um ano antes. A empresa atribuiu o aumento ao longo ciclo de transporte dos veículos.

A BYD também enfrenta um ambiente comercial internacional mais difícil, com possíveis novas tarifas sobre veículos chineses em alguns mercados.

Na Europa, a União Europeia considera novas tarifas sobre veículos híbridos chineses, enquanto a companhia enfrenta questionamentos relacionados à construção de sua fábrica na Hungria.

A montadora adiou para o quarto trimestre o início da produção na unidade húngara, cerca de um ano depois da previsão original.

Para a BYD, portanto, o crescimento internacional deixou de ser apenas uma estratégia de expansão e passou a ser uma peça central para compensar a pressão sobre o negócio doméstico.



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Redação A Notícia 24H.