Apesar do tamanho anunciado, a distribuição poderá ser encerrada com apenas R$ 100 milhões. A previsão é que a captação termine no dia 30 de novembro.
Para dar dimensão à operação, somente o valor-base de R$ 10 bilhões supera os R$ 8,3 bilhões registrados em emissões de Fiagros durante todo o primeiro semestre de 2026, segundo a Anbima.
A oferta-base também é mais de duas vezes maior que a do Itaúba Fiagro, lançado pelo Itaú no início de agosto com a intenção de captar até R$ 4,85 bilhões. À época, o veículo foi apresentado como o maior Fiagro já lançado no país. Com o lote adicional, a operação do BTG poderá atingir quatro vezes aquele valor.
A distribuição é exclusiva para investidores profissionais, categoria que inclui pessoas físicas e jurídicas com mais de R$ 10 milhões em investimentos financeiros e que reconheçam formalmente essa condição, além de fundos e instituições financeiras.
Por isso, a oferta teve registro automático na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e está dispensada de apresentar prospecto público, documento que normalmente traria mais informações sobre a destinação dos recursos.
Alvo incerto
Ainda não é possível saber quais empresas ou produtores receberão o dinheiro. O fundo está em fase pré-operacional e os documentos não identificam tomadores, propriedades rurais, safras ou títulos já selecionados para a carteira.
O regulamento determina que pelo menos 50% do patrimônio seja aplicado em direitos creditórios ligados à cadeia do agronegócio. A lista de ativos permitidos inclui empréstimos e recebíveis de empresas do setor, CRAs, LCAs, imóveis rurais, participações em companhias do agro e cotas de outros Fiagros.
O mandato é bastante amplo. O fundo poderá concentrar até 100% da carteira em um único devedor ou grupo econômico e adquirir créditos vencidos, em disputa judicial ou relacionados a empresas em recuperação judicial.
Também será permitido adquirir créditos originados, cedidos ou indicados pelo próprio BTG e por empresas relacionadas. O desenho abre espaço para que o fundo compre financiamentos estruturados pelo banco. Nesse modelo, o BTG poderia liberar espaço em seu balanço para conceder novos empréstimos ao setor, reciclando sua carteira de crédito.
Os investidores ficarão com cotas seniores, divididas em séries com retornos-alvo de 92% ou 97% do CDI. O próprio BTG ou empresas do grupo deverão manter as cotas subordinadas, equivalentes a pelo menos 1% do patrimônio, que absorverão as primeiras perdas da carteira.
O fundo será fechado e terá séries com vencimentos previstos para 2036 e 2037. Embora a primeira oferta possa chegar a R$ 20 bilhões, o regulamento ainda autoriza novas emissões, sem necessidade de assembleia, dentro de um limite de R$ 50 bilhões.
