Economia

Briga familiar na Ray-Ban se intensifica. Executivos defendem CEO após queda de 50% nas ações

Vinte dos principais executivos da EssilorLuxottica — dona de marcas como Ray-Ban, Oakley, Persol e Sunglass Hut — saíram em defesa do CEO da companhia, Francesco Milleri, em meio à escalada da troca de acusações com Leonardo Maria Del Vecchio, um dos filhos do fundador que deixou abruptamente um cargo de liderança na empresa de...

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Vinte dos principais executivos da EssilorLuxottica — dona de marcas como Ray-Ban, Oakley, Persol e Sunglass Hut — saíram em defesa do CEO da companhia, Francesco Milleri, em meio à escalada da troca de acusações com Leonardo Maria Del Vecchio, um dos filhos do fundador que deixou abruptamente um cargo de liderança na empresa de óculos no mês passado.

Em um memorando incomum enviado aos funcionários, assinado pelos diretores de pessoas, finanças e operações da EssilorLuxottica, os executivos afirmam que Milleri é o responsável por preservar o legado do fundador, Leonardo Del Vecchio, e afastam dele a responsabilidade pela queda de mais de 50% no preço das ações desde novembro.

“A atual avaliação de mercado da companhia não deve ser usada para sustentar narrativas que não refletem a realidade do negócio”, disseram os executivos da EssilorLuxottica no memorando obtido pela Bloomberg News.

“Ela também reflete um ambiente macroeconômico e geopolítico altamente complexo, além de fatores externos sem relação com a forma como a EssilorLuxottica é administrada.”

A manifestação de apoio ao CEO — a segunda dentro da EssilorLuxottica nesta semana — ocorre após o rompimento da aliança entre Milleri e o filho mais novo de Del Vecchio. A tentativa de Leonardo Maria, financiada por dívida, de comprar a participação de dois de seus irmãos, em uma operação de € 10 bilhões (US$ 11,6 bilhões), fracassou durante o verão europeu.

Desde então, ele passou a criticar abertamente o conselho da holding familiar Delfin Sarl, presidida por Milleri, com ataques cada vez mais diretos, inclusive em relação à queda no valor de mercado da EssilorLuxottica.

Leonardo Maria, que ocupava o cargo de diretor de estratégia da EssilorLuxottica e era presidente da marca Ray-Ban antes de deixar a empresa no fim de agosto, também vem tentando assumir o papel de principal representante do legado de seu pai.

No último fim de semana, o herdeiro de 31 anos disse que Milleri pode não ser reconduzido ao cargo e pediu que os demais integrantes da família, que estão em conflito, se unam para retomar o controle do império deixado por seu pai sob os cuidados de Milleri.

Ele sugeriu que os dirigentes da Delfin podem estar distraídos com as participações da holding no setor bancário italiano, enquanto a EssilorLuxottica é seu ativo mais importante.

Milleri também passou a ser pressionado por uma investigação sobre seu envolvimento em uma operação bancária na Itália. Ele nega as acusações.

Leonardo Maria é um dos oito herdeiros de Leonardo Del Vecchio, que receberam, cada um, uma participação de 12,5% na Delfin. A holding familiar detém mais de 32% da maior empresa de óculos do mundo, cuja capitalização de mercado caiu para cerca de € 68 bilhões, ante quase € 150 bilhões em novembro.

A carta de apoio, divulgada anteriormente pelo jornal Corriere della Sera, veio após uma manifestação do conselho da EssilorLuxottica nesta semana, também em defesa da estratégia de Milleri e de seu vice-CEO, Paul du Saillant.

Na carta, os executivos da EssilorLuxottica afirmaram que “as vendas, a rentabilidade e a geração de caixa estão em níveis recordes, e o lucro por ação dobrou nos últimos oito anos”.

As ações da EssilorLuxottica subiram fortemente nos últimos anos, enquanto Milleri colocava em prática a visão do Del Vecchio mais velho de criar uma empresa de óculos verticalmente integrada, com atuação desde pesquisa e design até redes de varejo como a Sunglass Hut.

A parceria da companhia com a Meta Platforms Inc. para desenvolver óculos com inteligência artificial também fez parte dessa estratégia. Mas o aumento da concorrência, os desafios de rentabilidade dos produtos de alto custo e as crescentes preocupações com privacidade reduziram as perspectivas para essa categoria.

“A queda reflete uma correção do mercado em relação a uma narrativa de crescimento que havia se tornado excessivamente otimista, especialmente em relação aos óculos com IA”, disse Margherita Strazzari, gestora de ativos da Sempione Sim.

“A ação vinha sendo negociada a múltiplos muito elevados, e a situação da Delfin acrescentou um risco adicional relacionado à governança. Dito isso, ainda considero a EssilorLuxottica uma ótima empresa; embora provavelmente estivesse cara demais no passado, pode estar subvalorizada hoje.”



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Redação A Notícia 24H.