A pressão para colocar o plano de desalavancagem em prática aumentou nos últimos trimestres. Ao final de junho, a dívida líquida da CSN correspondia a 3,49 vezes o resultado operacional (Ebitda) acumulado em 12 meses.
A companhia fechou o segundo trimestre com prejuízo líquido de R$ 773 milhões, apesar de ter registrado geração de caixa livre positiva de R$ 808 milhões.
No acumulado do primeiro semestre, o prejuízo chegou a R$ 1,3 bilhão, ante resultado negativo de R$ 862 milhões no mesmo período de 2025. Somente no segundo trimestre, o resultado financeiro foi negativo em R$ 1,84 bilhão.
Desconfiança no mercado
A urgência para reduzir o endividamento aparece também na negociação dos títulos da CSN. No fim de agosto, uma debênture da companhia com vencimento em 2030 era vendida no mercado secundário pela metade de seu valor de face, com retorno implícito de IPCA mais 31% ao ano.
A taxa não corresponde aos juros originalmente contratados pela empresa. Ela resulta da queda no preço do papel: quanto maior o desconto exigido para comprá-lo, maior o retorno potencial – e também a percepção de risco atribuída à companhia.
O movimento não está restrito a uma emissão. Outras debêntures da CSN com vencimentos entre 2033 e 2039 ofereciam retornos de IPCA mais 17% a 24% ao ano. Os números mostram que os investidores cobram um prêmio elevado para financiar a empresa enquanto aguardam avanços concretos no plano de venda de ativos e redução da dívida.
O sucessor
Fábio Schvartsman comandou a Vale entre 2017 e março de 2019 e deixou o cargo pouco depois do rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho, que matou 270 pessoas. Em abril deste ano, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou que o executivo voltasse a responder às ações penais relacionadas à tragédia.

Schvartsman é acusado pelo Ministério Público Federal de homicídio qualificado e crimes ambientais. Ao permitir a continuidade dos processos, o STJ entendeu que havia indícios mínimos para o prosseguimento das ações, sem analisar a culpa do executivo. Não há condenação.
Antes da Vale, Schvartsman foi presidente da Klabin entre 2011 e 2017 e trabalhou durante 22 anos no Grupo Ultra, onde chegou ao cargo de diretor financeiro. Desde 2022, integra o conselho de administração da Vibra Energia.
Steinbruch estava no comando executivo da CSN desde abril de 2002. Ao NeoFeed, afirmou que vinha preparando sua sucessão havia cerca de três anos e que permanecerá próximo da administração durante a transição.

