A forte queda das ações de empresas de chips pressionou as bolsas depois que líderes de gigantes de inteligência artificial defenderam uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. A alta do petróleo também pesou sobre o sentimento dos investidores.
Da Europa aos Estados Unidos e à Ásia, as ações de semicondutores sofreram forte pressão. As americanas Nvidia e Broadcom recuaram. Um índice bastante acompanhado do setor caiu 5%. O Nasdaq 100 recuou 1,3%. O petróleo Brent superou US$ 108 por barril, aumentando as preocupações com as pressões inflacionárias às vésperas da decisão do Federal Reserve nesta semana. Os juros dos Treasuries de curto prazo subiram.
Em uma carta de 3.800 palavras, o CEO da Anthropic, Dario Amodei — que recebeu o apoio do CEO da OpenAI, Sam Altman, e do CEO da SpaceXAI, Elon Musk — afirmou que o desenvolvimento dos sistemas mais avançados precisa ser desacelerado para evitar que a inteligência artificial saia do controle humano e provoque danos catastróficos.
Na segunda-feira (14), pesquisadores de inteligência artificial da Microsoft divulgaram um novo conjunto de princípios orientadores que, segundo eles, pode ser resumido em cinco palavras: as pessoas são mais importantes do que a IA.
Se os acontecimentos mais recentes adiarem o prazo para os retornos prometidos pela inteligência artificial, faz sentido que os investidores fiquem menos entusiasmados, segundo Matt Maley, da Miller Tabak.
Embora os líderes do setor nos Estados Unidos não defendam uma paralisação completa, os comentários mais recentes indicam que questões de segurança podem — e devem — desacelerar o ritmo de desenvolvimento da IA de fronteira, segundo Justin Post e Nitin Bansal, do Bank of America Corp.
“Acreditamos que as preocupações com a implementação da IA podem afetar negativamente o sentimento em relação à cadeia de valor da IA”, escreveram. “Apesar das possíveis preocupações, continuamos acreditando que a capacidade de IA terá uma demanda forte por vários anos.”
Na HSBC, Max Kettner considera “exagerados” os pedidos por uma expansão mais lenta da infraestrutura de IA e os temores resultantes para o setor de tecnologia. Segundo ele, isso pode, na realidade, ajudar a rentabilidade das empresas de IA no longo prazo.
“Alarmismo, confronto e competição acirrada apenas vão atrapalhar o processo de governança global da IA e não servirão aos interesses de ninguém”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em uma entrevista coletiva regular em Pequim nesta segunda-feira.
Os investidores também acompanharam de perto os últimos acontecimentos geopolíticos. Uma reunião entre o Irã e vários países árabes do Golfo sobre uma rota marítima temporária pelo Estreito de Ormuz foi adiada, evidenciando as tensões com a República Islâmica.
Destaques corporativos
- A Anthropic escolheu a Nasdaq como bolsa para sua listagem, antes de uma possível oferta pública inicial (IPO) que poderia estabelecer um recorde, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.
- A OpenAI não fará uma abertura de capital neste ano, enquanto a empresa de IA se concentra em questões relacionadas à segurança da tecnologia, disse o CEO Sam Altman à Fortune em entrevista.
- A SpaceX terá um peso maior no Nasdaq 100 ainda neste mês, uma mudança que pode provocar compras de bilhões de dólares por fundos passivos vinculados ao índice.
- O family office da família de Michael Dell e a Sequence Holdings se uniram para adquirir a Baldwin Insurance Group Inc. em uma operação à vista avaliada em US$ 7,7 bilhões.
- A Kioxia Holdings avalia levantar pelo menos US$ 10 bilhões por meio da listagem de American depositary receipts (ADRs), segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A empresa pode se juntar a outras companhias ligadas à IA que buscam aproveitar a forte demanda dos investidores.
