Economia

Bradesco tem aval para pegar ações da Motiva, mas entrada no bloco de controle segue indefinida

O Bradesco BBI recebeu na semana passada sinal verde da Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para assumir os 14,86% da Motiva (ex-CCR) pertencentes à Mover, a antiga Camargo Corrêa. O avanço regulatório, porém, mantém uma pergunta sobre o futuro da companhia de infraestrutura: o banco vai aderir ao acordo de acionistas ou...

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O Bradesco BBI recebeu na semana passada sinal verde da Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para assumir os 14,86% da Motiva (ex-CCR) pertencentes à Mover, a antiga Camargo Corrêa.

O avanço regulatório, porém, mantém uma pergunta sobre o futuro da companhia de infraestrutura: o banco vai aderir ao acordo de acionistas ou permanecer fora do pacto que reúne os controladores?

Como mostrou o InvestNews em agosto, Votorantim, Itaúsa e Soares Penido manifestaram interesse em renovar o pacto. A posição do Bradesco importa porque a participação negociada tem dois componentes.

Dos 14,86% da Mover na empresa, 10% do capital da Motiva estão vinculados ao acordo, a mesma parcela que cada um dos outros três grupos mantém no pacto. Os 4,86% restantes estão livres dessas obrigações.

A adesão também influencia em um eventual timing para a venda dos papéis pelo Bradesco. Se permanecer dentro do acordo de acionistas, o BBI precisaria respeitar o direito de preferência dos demais signatários antes de revender as ações vinculadas a ela.

Fora dele, o Bradesco BBI teria maior liberdade para negociar a participação. A entrada no pacto não é automática: os outros integrantes podem apresentar oposição fundamentada, nos termos do acordo.

Mover reduz dívida

A transferência das ações faz parte da recuperação judicial da Mover. Embora tenha sido anunciada como uma venda, a estrutura descrita ao Cade é de dação em pagamento: o BBI receberá os papéis para quitar obrigações da antiga Camargo Corrêa. As ações estão nas subsidiárias Sincro e Sucea, ambas também em recuperação judicial.

O contrato vinculante foi assinado em 28 de julho, depois que Votorantim, Itaúsa e Soares Penido abriram mão da preferência para adquirir a participação. A operação envolve cerca de 300,1 milhões de ações ordinárias. O valor do negócio gira em torno dos R$ 5 bilhões.

À autoridade concorrencial, as empresas informaram que a transferência permitirá cumprir obrigações previstas no plano de recuperação judicial da Mover, homologado em dezembro de 2025. O Bradesco apresentou a aquisição como uma oportunidade de diversificar sua carteira de investimentos, sem detalhar no documento a intenção de integrar o bloco de controle.

Para a Mover, a operação representa a saída de um dos principais investimentos que restaram após a crise. Como mostrou reportagem do InvestNews, a perda da InterCement e a saída da Motiva reduzem o antigo conglomerado a uma holding concentrada no mercado imobiliário e em participações menores.



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Redação A Notícia 24H.