Núñez também integra a nova estrutura de controle montada pela BluSun. Antes de retornar à Ri Happy, foi CEO do Walmart Brasil, chairman do conselho da Marisa entre 2017 e 2022 e membro do conselho da Vulcabras entre 2011 e 2021. Atualmente também compõe o conselho da Novonor, antiga Odebrecht.
A troca de comando encerra o ciclo de Thiago Rebello, que estava na presidência da varejista desde janeiro de 2024.
Foi sob sua gestão que a Ri Happy fechou o centro de distribuição, reorganizou a operação digital e começou a converter parte das lojas em espaços de entretenimento infantil.
Uma gestão que já conhece a casa
A SPX Capital assumiu a operação da Ri Happy em 2021, ao herdar os ativos que a gestora de private equity Carlyle mantinha no Brasil.
Agora, a saída da SPX marca o fim desse ciclo e abre espaço para um executivo que já viveu o negócio por dentro: os oito anos e meio à frente da companhia dão a Núñez uma vantagem que poucos substitutos de comando costumam ter: familiaridade direta com a operação e com o setor de brinquedos.
A prioridade imediata, segundo a BluSun, será conduzir a varejista pelo período mais importante do calendário de vendas do segmento: Dia das Crianças, Black Friday e Natal.
Em comunicado, a empresa diz que, paralelamente à execução do trimestre decisivo, a nova administração começará a planejar a próxima etapa de desenvolvimento do negócio, com foco em experiência do cliente.
O que a nova gestão herda
A Ri Happy chega à troca de controle em meio a uma reestruturação que começou em 2024. Desde então, a companhia fechou seu centro de distribuição e passou a despachar os pedidos digitais diretamente pelas lojas.
Também reduziu o espaço reservado a estoque para abrir área a brinquedotecas, cafés, salas de jogos e espaços para festas. O projeto é batizado de Reset.
Os números divulgados pela empresa sugerem que a aposta tem funcionado, ao menos na escala em que foi testada até agora: nas 13 lojas já convertidas, o estoque caiu 9%, enquanto as vendas por metro quadrado subiram 77%.
Ainda é uma amostra pequena diante do tamanho total da rede (a Ri Happy soma 293 lojas entre as bandeiras Ri Happy e PBKids), o que deixa em aberto se o resultado se sustenta numa conversão em massa.
O comércio eletrônico responde por 8% a 9% da receita, com pedidos despachados pelas próprias unidades desde o fechamento do centro de distribuição.
A companhia não divulga resultados financeiros consolidados, o que limita a visibilidade externa sobre o impacto real da reestruturação nas margens do negócio.
Caberá a Núñez decidir o ritmo da próxima fase: aprofundar a conversão das lojas em espaços de entretenimento, ajustar o modelo testado nas 13 unidades-piloto ou redesenhar partes da estratégia herdada. A BluSun não deu prazo para definições, e a companhia entra na temporada mais concorrida do varejo infantil sem um plano público de longo prazo.
