Economia

Bilionário colombiano pode ganhar US$ 500 milhões com negócio de petróleo na Venezuela

O homem mais rico da Colômbia, Jaime Gilinski, está prestes a transformar um contrato de exploração de um campo de petróleo na Venezuela, que lhe custou quase nada, em uma participação de US$ 500 milhões em uma petroleira latino-americana que ele está perto de assumir o controle. A maneira como Gilinski obteve os direitos sobre...

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O homem mais rico da Colômbia, Jaime Gilinski, está prestes a transformar um contrato de exploração de um campo de petróleo na Venezuela, que lhe custou quase nada, em uma participação de US$ 500 milhões em uma petroleira latino-americana que ele está perto de assumir o controle.

A maneira como Gilinski obteve os direitos sobre o campo de Bare e, em seguida, concordou em transferi-los em troca do controle majoritário da GeoPark é um dos exemplos mais ousados até agora da corrida por fortunas em curso na Venezuela.

Após anos de má gestão e sanções que sufocaram a economia, o país se tornou o epicentro da tentativa do governo Trump de reafirmar a hegemonia dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, ao mesmo tempo que atraiu uma onda de investidores bem relacionados que apostam na tão alardeada recuperação impulsionada pelo petróleo venezuelano.

Poucos se movimentaram tão rapidamente quanto Gilinski. Seu negócio ilustra como o opaco sistema de distribuição de recursos da Venezuela na era pós-Maduro pode transformar um contrato estatal em um cobiçado ativo privado sem exigir investimento inicial.

Os detalhes da operação de Gilinski foram reconstruídos a partir de documentos regulatórios e de informações fornecidas por pessoas familiarizadas com o negócio e especialistas que pediram anonimato para discutir questões comerciais sensíveis. Outros acordos petrolíferos na Venezuela são menos transparentes, em parte porque não envolvem empresas de capital aberto como a GeoPark.

Gilinski se recusou a comentar a reportagem. O empresário, cuja fortuna é estimada em US$ 40 bilhões pelo Bloomberg Billionaires Index, construiu inicialmente sua riqueza no setor bancário.

Recentemente, multiplicou seu patrimônio com uma aquisição hostil da Nutresa, maior fabricante de alimentos embalados da América Latina. Ele pretende usar a empresa para levar café, biscoitos e outros produtos à Venezuela.

Depois que forças americanas derrubaram o então líder venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, e o governo Trump afrouxou o cerco das sanções, o filho de Gilinski, Gabriel, reuniu-se em março com a presidente interina Delcy Rodríguez, apoiada pelos Estados Unidos, e viajou a Caracas mais de dez vezes nos meses seguintes. Os Gilinski avaliaram negócios envolvendo vários campos de petróleo, alguns dos quais não foram adiante ou acabaram adquiridos por outros interessados.

Gilinski está longe de ser o único a correr para a Venezuela. A Pacific Coast Energy, com sede na Califórnia, começou a operar dois blocos de petróleo pesado, enquanto novos participantes do setor, como Fred Ehrsam, cofundador da Coinbase — que doou US$ 1 milhão ao comitê de posse de Donald Trump em 2025 —, também fecharam acordos no país.

Empresários que já tinham presença na Venezuela durante o governo Maduro, liderados pelo empreendedor venezuelano Alejandro Betancourt, estão consolidando sua vantagem. Ao mesmo tempo, empresas mais tradicionais se preparam para voltar ao país, juntando-se à Chevron e à Repsol, que nunca saíram.

A ExxonMobil, que classificou a Venezuela como um país “impossível para investir” em janeiro, e a TotalEnergies marcaram presença em uma movimentada conferência de petróleo e gás realizada em Caracas na semana passada. A agitação nos negócios provocou uma corrida por tacos de golfe.

O mínimo necessário

Após meses de negociações com autoridades em Caracas e Washington, Gilinski assinou no mês passado um contrato de 25 anos com o governo venezuelano para operar o campo de petróleo pesado de Bare, na faixa petrolífera do Orinoco.

A área fica ao lado de um dos blocos de petróleo mais produtivos da Chevron, o que abre a possibilidade de aproveitar a infraestrutura e as operações da gigante americana.

Horas depois, Gilinski concordou em transferir o contrato de Bare para a GeoPark em troca de novas ações inicialmente avaliadas em US$ 515 milhões, colocando-o no caminho para se tornar o novo acionista controlador da companhia.

Pelos termos do acordo, a GeoPark financiará todos os novos investimentos em Bare e manterá uma participação econômica líquida de 65% no campo. O restante continuará nas mãos da estatal Petróleos de Venezuela, conhecida como PDVSA. O negócio coloca a GeoPark entre as primeiras empresas a avançar na Venezuela com um projeto que prevê metas de produção e planos de investimento.

A GeoPark pretende elevar a produção diária de Bare para 95 mil barris, ante os atuais 11 mil barris. Em entrevista em Caracas na semana passada, o presidente-executivo da GeoPark, Felipe Bayón, disse que a companhia negociava com a PDVSA o acesso a um componente essencial para diluir e transportar o petróleo bruto, de consistência semelhante à do alcatrão.

A empresa tem até 120 dias para cumprir as condições contratuais necessárias à entrada em vigor do acordo, prazo que termina em dezembro. Se o contrato de Bare expirar antes de essas condições serem atendidas, a transação com a GeoPark será cancelada.

As ações da GeoPark dispararam desde a entrada de Gilinski. Se o contrato venezuelano avançar, a expectativa é que Gilinski ofereça aos acionistas atuais a possibilidade de vender até US$ 100 milhões em ações a um preço superior à cotação de fechamento da empresa na quinta-feira, de US$ 11,45 por ação.

Dos biscoitos ao petróleo

Pouco depois da queda de Maduro, Gilinski decidiu tentar entrar no setor petrolífero venezuelano. Ele obteve rapidamente uma autorização de isenção das sanções junto ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, para viabilizar um acordo. Seu filho Gabriel foi a Washington pedir a licença às autoridades americanas.

Com a autorização da OFAC em mãos, Gilinski também precisava de uma petroleira para entrar na Venezuela. A GeoPark, que tem presença consolidada na Colômbia, também enfrentava seus próprios desafios. Na época, a companhia tentava se defender de uma oferta hostil de aquisição, que Gilinski efetivamente bloqueou ao comprar uma participação de 20% na empresa em março.

Em vez de usar a GeoPark para negociar um acordo petrolífero na Venezuela, porém, Gilinski fechou o negócio com a PDVSA praticamente por conta própria. A ideia era obter os direitos de pelo menos um campo venezuelano e monetizá-los posteriormente, oferecendo o ativo à GeoPark.

A GeoPark afirmou que participou das negociações com a PDVSA antes da assinatura do contrato do campo de petróleo e que detinha uma participação de 5% em Bare desde o início. Agora, a empresa está prestes a comprar os 95% restantes de Gilinski, atribuindo ao campo um valor cerca de 5% inferior à avaliação feita por seus assessores.

Em 4 de setembro, Gilinski surpreendeu seus novos colegas do setor petrolífero ao aparecer ao lado de Rodríguez em um pronunciamento televisionado de Caracas para anunciar o acordo.

“Senhora presidente, obrigado pela confiança”, disse ele. “Obrigado por abrir esta porta para o Grupo Gilinski, para a GeoPark. Em nome de Gabriel e meu, muito obrigado.”



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