Após a votação na assembleia, a empresa anunciará que buscará um sócio para sua unidade de distribuição de combustíveis, que opera postos com a marca Shell, disse uma das pessoas.
No âmbito da reestruturação, os credores concordaram em converter dívidas em participação acionária, o que lhes dará mais de 80% do capital da companhia. Qualquer venda de participação na unidade de combustíveis ocorrerá somente depois dessa conversão, afirmou a pessoa.
A Shell terá uma participação inferior a 20% na empresa de distribuição de combustíveis após a conversão de dívida em ações, segundo a fonte. Além disso, terá alguns direitos relacionados ao uso de sua marca, como poder opinar na escolha de um sócio.
A reestruturação inclui uma cláusula conhecida como poison pill (pílula de veneno), um mecanismo de proteção contra mudanças no controle acionário. Pela proposta que será votada, se qualquer outro acionista passar a deter mais de 25% da empresa de distribuição de combustíveis, o novo investidor terá de fazer uma oferta pública para comprar as ações restantes.
Shell e Raízen se recusaram a comentar.
O negócio de distribuição de combustíveis da Raízen é um dos maiores do Brasil e foi beneficiado recentemente pelos efeitos em cadeia da guerra envolvendo o Irã, que elevou os preços do diesel e limitou a concorrência de importadores de combustíveis.
Já a divisão de açúcar e etanol enfrentou mais dificuldades, diante do aumento da oferta de biocombustíveis e de um período de preços mais baixos das commodities no início deste ano.
A Raízen vem enfrentando dificuldades após uma série de decisões estratégicas malsucedidas, juros elevados e safras fracas. A companhia, controlada conjuntamente pela Shell e pelo conglomerado brasileiro Cosan, chegou a um acordo com credores em março para reestruturar, extrajudicialmente, cerca de R$ 65 bilhões (US$ 12 bilhões) em dívidas.
Troca de comando
Lorival Luz, atual diretor financeiro (CFO) da Raízen, será nomeado presidente-executivo (CEO) da empresa de distribuição de combustíveis, segundo as fontes. Ele teve papel central no processo de reestruturação e negociou pessoalmente com os credores da Raízen.
Sam Aguirre, diretor-gerente sênior da FTI Consulting, que assessorou bancos na reestruturação da dívida da Raízen, será nomeado presidente do conselho de administração da unidade de combustíveis.
O negócio de produção de açúcar e etanol da Raízen será separado em outra empresa, que será comandada por Geovane Consul, disseram as fontes. Ele já ocupava o cargo de vice-presidente da unidade responsável pelas usinas de cana-de-açúcar da companhia.
A divisão de açúcar e etanol também terá uma cláusula de poison pill, que será acionada caso algum acionista alcance participação igual ou superior a 20%. Julio Piza será nomeado presidente do conselho de administração dessa unidade.
No início desta semana, a empresa fechou um acordo tributário com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal para resolver R$ 22,4 bilhões em passivos fiscais, uma condição importante para a reestruturação. Pelo acordo, a Raízen pagará R$ 2,5 bilhões à vista.
As mudanças na Raízen ocorrem após o interesse de possíveis compradores que avaliavam adquirir a dívida da companhia antes da conversão em ações. A produtora de biocombustíveis FS, o fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala Investment Co. e o grupo IG4 Capital haviam manifestado interesse anteriormente, segundo informações publicadas pela Bloomberg.
As finanças da Raízen apresentaram sinais de melhora recentemente. A companhia informou ter registrado geração de caixa operacional positiva no período de abril a junho.
