O acordo inclui produtos de estoque próprio do Magazine Luiza, da KaBuM! e da Época Cosméticos. As entregas serão realizadas pela Magalog, braço logístico do grupo. É uma operação semelhante à iniciada em junho com a Amazon, onde o Magalu colocou à venda 12 mil itens.
A mudança ocorre depois de as vendas do comércio eletrônico do grupo caírem 11,9% no segundo trimestre, enquanto as lojas físicas cresceram 10,3%.
Com Amazon e Mercado Livre, o Magalu chega ao quarto trimestre – o mais importante do varejo – com acesso a uma audiência maior, sem precisar bancar sozinho o custo de atrair esses consumidores.
A estratégia, porém, envolve uma troca. A companhia amplia o alcance e recebe pelas vendas quase à vista, favorecendo o capital de giro, mas paga pelo acesso ao marketplace e deixa parte da relação com o cliente nas mãos de concorrentes.
Nova estratégia
Esse movimento ganha importância em um momento de fragilidade de um dos principais concorrentes do Magalu. A Casas Bahia, que também mantém um acordo com o Mercado Livre, enfrenta recuperação judicial e vem fechando lojas.
Segundo análise da XP, a margem é inferior à obtida numa venda orgânica pelos canais próprios, embora supere a de uma venda conquistada por publicidade paga.
A corretora vê potencial para uma aceleração dessas vendas com a ampliação dos canais de distribuição e a possibilidade de capturar parte da demanda deixada pelos concorrentes.
O cenário macroeconômico, porém, ainda pode limitar a recuperação do varejo. Isso porque a pressão sobre o consumo e as condições de crédito ainda desafiadoras podem reduzir o ritmo de retomada das vendas, mesmo com a abertura de novos canais.
O acordo com o Mercado Livre dá continuidade a uma estratégia iniciada pelo Magalu neste ano após anunciar o acordo com a Amazon, em junho.
A lógica é ampliar o alcance dos produtos sem depender apenas dos canais digitais próprios da companhia. O Magalu também mantém acordos semelhantes com plataformas como AliExpress, Americanas, Itaú Shopping e Livelo.
Para Arthur Bonifácio, analista da Eleven Financial, a parceria é positiva porque pode ampliar as vendas de estoque do Magalu e melhorar as margens, ao reduzir o custo de aquisição de clientes. Segundo ele, a iniciativa também ajuda a enfrentar a fraqueza recente do e-commerce da companhia.
O analista vê como principal risco uma possível canibalização das vendas, mas avalia que o impacto tende a ser baixo no curto prazo, considerando que 75% dos consumidores do Mercado Livre seriam novos para o Magalu, de acordo com a empresa dos Trajano.
Como vai funcionar
Os produtos que serão vendidos no Mercado Livre são de estoque próprio do Magalu, no modelo conhecido como 1P, sigla para “first party”.
Na prática, a varejista compra dos fabricantes e mantém a mercadoria em estoque e faz a venda diretamente ao consumidor, mesmo que a compra aconteça dentro de outro marketplace. No modelo tradicional de marketplace, são lojistas terceiros que anunciam e vendem seus produtos na plataforma.
Para o Magalu, colocar esse estoque em uma plataforma com uma audiência maior amplia o alcance das mercadorias sem exigir a mesma estrutura de aquisição de clientes necessária para levar o consumidor aos canais próprios.
Há também uma diferença importante na rentabilidade da operação. A XP calcula que vender pelo Mercado Livre deixa uma margem maior para o Magalu do que uma venda conquistada com publicidade paga, mas menor do que uma compra feita diretamente nos canais próprios do Magazine Luiza.
Além disso, o prazo de recebimento favorece o caixa. Segundo a XP, como o pagamento das vendas ocorre praticamente à vista, a operação tende a melhorar o capital de giro da companhia, mesmo com uma rentabilidade inferior à dos canais próprios.
