Economia

Alckmin, redes e Congresso: o discurso da vitória de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um inédito quarto mandato na história da República brasileira, fez um discurso da vitória de cerca de 24 minutos na noite de domingo (25): ele começou com um agradecimento e uma deferência ao vice, Geraldo Alckmin, mandou um recado às grandes empresas de tecnologia e fez...

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um inédito quarto mandato na história da República brasileira, fez um discurso da vitória de cerca de 24 minutos na noite de domingo (25): ele começou com um agradecimento e uma deferência ao vice, Geraldo Alckmin, mandou um recado às grandes empresas de tecnologia e fez uma promessa de governar para todos, incluindo os que não votaram nele.

O discurso foi feito no Hotel Intercontinental, na alameda Santos, próximo à avenida Paulista, tradicional local de celebrações políticas da cidade de São Paulo, diante de pessoas de sua campanha, jornalistas e apoiadores.

Antes de começar o seu discurso, Lula passou a palavra a Alckmin, que agradeceu em particular ao eleitorado mais jovem e também a idosos, grupos que teriam sido decisivos para a virada no segundo turno pela sua mobilização e esforço de votação. O presidente eleito também fez agradecimentos semelhantes.

“Feliz o presidente que tem a qualidade, a lisura de comportamento e a lealdade que eu tenho no Alckmin”, disse Lula.

Veja outros trechos destacados do discurso, por temas:

Governo para 215 milhões

“Eu quero dizer para vocês que, na medida em que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões. Tenho que governar para todas as cidades.”

Relação com o Congresso

“Este país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente Lula, mas ele foi eleito para governar para todos. E ele foi eleito para governar com base no respeito da Constituição, na relação com o Congresso. Porque já tem gente falando que o Lula vai ter muita dificuldade para governar, porque o Congresso está mais conservador. Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas.”

Próximos passos

“Eu tenho dois meses pela frente para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários, quero me reunir com os educadores, quero me reunir com os cientistas, quero me reunir com as mulheres.”

Empresas de tecnologia

“Foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de
fora para dentro, através de plataforma digitais. E nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande ganhando milhões e
bilhões e não pagando nenhum imposto para esse país. E tentando direcionar o resultado eleitoral desse país.”

Energia e data centers

“Nós temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tem a mais capacidade de energia renovável para trazer para cá os data centers necessários para acumular também o nosso dado para o Brasil. E essa gente vai ter que deixar uma parte do data center para informações brasileiras. Nós queremos fazer desse país um país que pare de ser um país em desenvolvimento. E se desenvolva, como diria o Rafael [Fonteles], com muito investimento na economia digital, na economia verde e na economia criativa.”

Segurança pública

“O governo federal nunca teve responsabilidade com segurança pública, porque a Constituição em 1988 transferiu toda a responsabilidade para os Estados. Agora está provado que os Estados não dão conta. Nós vamos entrar agora, vamos entrar para devolver, para devolver para as mulheres, para os homens, para os trabalhadores, a tranquilidade, a paz de que eles precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão.”

Defesa do SUS

“Eu quero que vocês saibam que uma das coisas que mais me motivou é não permitir que essa gente ganhasse para privatizar o nosso SUS.”

Comunicação digital

“Nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Eu quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço. Muito grande do meu governo. Eu, inclusive, já ganhei um celular do meu
comandante Rafael [Fonteles], governador do Piauí. Já estou aprendendo a conversar com o meu general e pode ficar certo de que daqui para frente eu vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia.”



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