Economia

Ações da Nike caminham para pior ano desde a aposentadoria de Jordan em 1993

Quando Michael Jordan deixou o basquete profissional aos 30 anos, sua saída criou uma dor de cabeça para a Nike, fabricante e uma das grandes beneficiárias de sua icônica linha de tênis. Avançando para 2026, a marca Jordan é uma das razões pelas quais as ações da empresa caminham para seu pior desempenho anual desde...

Por · 12:57 5 min de leitura
WhatsApp Facebook X


Quando Michael Jordan deixou o basquete profissional aos 30 anos, sua saída criou uma dor de cabeça para a Nike, fabricante e uma das grandes beneficiárias de sua icônica linha de tênis.

Avançando para 2026, a marca Jordan é uma das razões pelas quais as ações da empresa caminham para seu pior desempenho anual desde 1993, mesmo ano em que Michael Jordan se aposentou pela primeira vez do basquete profissional, aos 30 anos.

A ação despencou 38% neste ano, com a queda nas vendas de produtos da Jordan e as dificuldades da divisão de roupas e calçados esportivos da Nike para competir com empresas como On e Deckers Outdoor, dona da Hoka.

A companhia também tenta reorganizar suas operações na China após anos de decisões equivocadas, mas seu plano de cortar milhares de distribuidores online aumenta o risco de perda de participação de mercado.

“As ações da Nike tiveram um desempenho muito ruim, à medida que a marca perdeu espaço para concorrentes mais ágeis, enquanto sua própria oferta de novos produtos de destaque não conseguiu acompanhar o ritmo”, disse David Wagner, gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors, em entrevista.

“Um negócio construído com base na liderança cultural e em inovação em sua categoria se torna muito mais difícil de manter quando essa vantagem perde força. Preferimos ter as empresas que estão provocando mudanças no mercado a apostar na recuperação de uma líder tradicional.”

A Nike está em meio a uma reformulação estratégica apresentada no fim de 2024, chamada “Win Now” (“Vencer agora”). O plano busca reverter uma prolongada queda nas vendas, estabilizar a participação de mercado e voltar a concentrar a marca em esportes como basquete e corrida.

Essa é a principal missão do CEO Elliott Hill, executivo de longa carreira na Nike que assumiu o comando em outubro de 2024 depois de — assim como Jordan em 1995 — sair da aposentadoria após um breve período afastado.

O maior desafio de Hill tem sido recuperar a marca após uma série de erros cometidos pela gestão anterior. Sob o comando do ex-CEO John Donahoe, a Nike passou a depender excessivamente de tênis de estilo de vida sujeitos a tendências, como Air Force 1 e Dunks, e interrompeu o fornecimento desses produtos para varejistas terceirizados, permitindo que concorrentes ocupassem o espaço deixado nas prateleiras.

Entre a chegada de Donahoe, em janeiro de 2020, e sua saída, em outubro de 2024, as ações caíram cerca de 20%, enquanto o índice S&P 500 avançou aproximadamente 80%.

Mas o “Win Now” não trouxe uma solução rápida. As ações da Nike subiram cerca de 7% após o anúncio do retorno de Hill, mas perderam aproximadamente metade de seu valor desde que ele assumiu o comando.

A queda eliminou mais de US$ 60 bilhões em valor de mercado e deixou a ação próxima do menor nível desde 2014. Uma queda em 2026 representaria o quinto ano consecutivo de perdas, ampliando uma sequência recorde de desvalorizações.

“Os investidores ainda não estão comprando a tese de recuperação”, disse Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, que deixou de ter posição na Nike há cerca de dois anos. Para ele, o plano de recuperação de Hill ainda não apresentou nenhum “progresso mensurável” que permita dizer: “ah, certo — está funcionando”.

A melhora nas relações com os varejistas e nas cadeias de fornecimento não acontecerá da noite para o dia, e uma recuperação provavelmente ainda está a três ou quatro trimestres de distância, disse Mulberry.

De modo geral, os varejistas de roupas e artigos esportivos enfrentam um cenário fraco na América do Norte. Após a divulgação dos resultados mais recentes, a Dick’s Sporting Goods, controladora da Foot Locker, a fabricante de calçados On e a Under Armour disseram a analistas que estão enfrentando um ambiente de vendas marcado por descontos.

A Nike ainda levará algumas semanas para divulgar os resultados do primeiro trimestre de seu ano fiscal.

“Deixamos claro que a recuperação da Nike não será linear”, disse um porta-voz da empresa em comunicado enviado por e-mail. “Recuperações de marcas bem-sucedidas seguem uma sequência importante: estabilizar, reorganizar e, depois, crescer. Estamos concentrados em executar esse plano e criar valor sustentável de longo prazo para os acionistas.”

Wall Street está bastante dividida sobre as perspectivas para a Nike, que tem 16 recomendações equivalentes a compra, 24 de manutenção e quatro de venda.

O preço-alvo médio para a ação indica uma alta potencial de 28% em relação ao fechamento de terça-feira, segundo dados compilados pela Bloomberg. Ainda assim, pelo menos uma dúzia de corretoras rebaixou a recomendação para a Nike neste ano.

O corte mais recente veio da Truist Financial na quarta-feira, que reduziu sua recomendação de compra para manutenção. O analista Joseph Civello disse estar “incrementalmente mais cauteloso” em relação à Nike após os resultados divulgados pela Dick’s na terça-feira, que destacaram “tendências de deterioração” em seu negócio de calçados.

A Nike, maior fornecedora da Dick’s, representou aproximadamente 31% das compras consolidadas de mercadorias das operações da Dick’s e da Foot Locker, segundo o relatório anual mais recente da varejista, divulgado em março.

“Nenhum outro fornecedor representou 10% ou mais de nossas compras de mercadorias no ano fiscal de 2025”, afirmou a Dick’s no relatório.

Depois de divulgar seus resultados, a Nike terá outra oportunidade de convencer Wall Street durante um dia do investidor em novembro, quando analistas e acionistas deverão acompanhar as informações sobre o andamento do processo de recuperação.

Michael Obuchowski, diretor de investimentos da Merlin Asset Management, afirma que os investidores querem ver crescimento sustentado das vendas antes de voltar a comprar as ações.

“Eles precisam mostrar que têm produtos inovadores capazes de competir com todas as novas empresas que estão chegando”, disse.



Invest News

Redacao
Redacao

Redação A Notícia 24H.