Volkswagen converte fábrica de carros na Alemanha para a indústria de defesa
A Volkswagen fechou um acordo preliminar com a Aurelius Capital para reaproveitar sua fábrica de Osnabrück, na Alemanha, na produção de equipamentos militares em parceria com a israelense Rafael Advanced Defense Systems. Pelo plano anunciado nesta segunda-feira (7), a Aurelius, sediada em Tel Aviv, assumiria o controle da Volkswagen Osnabrück GmbH ao lado do governo...
A Volkswagen fechou um acordo preliminar com a Aurelius Capital para reaproveitar sua fábrica de Osnabrück, na Alemanha, na produção de equipamentos militares em parceria com a israelense Rafael Advanced Defense Systems.
Pelo plano anunciado nesta segunda-feira (7), a Aurelius, sediada em Tel Aviv, assumiria o controle da Volkswagen Osnabrück GmbH ao lado do governo da Baixa Saxônia, estado onde fica a sede da VW. A operação oferece uma alternativa para a unidade de 125 anos, cuja produção de veículos deve ser encerrada no próximo ano.
Como “projeto âncora” inicial, as empresas pretendem cooperar com a Rafael na possível fabricação de sistemas e componentes para equipamentos de defesa aérea destinados à Alemanha e à Europa.
“Estamos dando um passo importante para abrir um novo futuro industrial para a unidade”, disse o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, em comunicado.
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A Bloomberg News informou no mês passado que as negociações estavam próximas de uma conclusão para produzir na Alemanha equipamentos de apoio ao sistema de defesa aérea Iron Dome, da Rafael. Entre eles estão veículos pesados usados para transportar mísseis, lançadores e geradores de energia.
O acordo elimina uma das complicações da reestruturação planejada pela Volkswagen, anunciada na semana passada após um entendimento entre a administração e representantes dos trabalhadores.
A fábrica de Osnabrück emprega cerca de 2.300 pessoas e perderá seu último modelo da VW quando a produção do T-Roc Cabriolet terminar, em 2027. A empresa, portanto, estava sob pressão para encontrar outro uso industrial para o local.
Encontrar alternativas para outras fábricas alemãs subutilizadas da Volkswagen pode ser bem mais difícil. A montadora tenta reduzir o excesso de capacidade na Europa em cerca de 500 mil veículos por ano, enquanto representantes dos trabalhadores têm resistido fortemente a fechamentos de unidades.
O caso de Osnabrück mostra que parceiros externos e novos tipos de produção podem ser uma saída, mas ainda não surgiram soluções semelhantes para as demais fábricas sem produção substituta garantida.
Blume já afirmou que a Volkswagen buscará investidores, parceiros industriais e usos alternativos para unidades em que a produção de novos veículos não seja economicamente viável.
A VW também trabalha em um acordo de cooperação com a empresa de defesa polonesa WB Group para adaptar picapes Amarok em Osnabrück para aplicações militares, informou nesta segunda-feira o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, sem identificar a fonte.
O acordo envolveria cerca de 4 mil veículos, que seriam usados para transportar lançadores de drones ou unidades de comando e vigilância de sistemas de artilharia, segundo o jornal.
A WB Group também pretende colaborar com a MAN, marca de caminhões da Volkswagen que integra a Traton. A companhia polonesa apresentará as picapes adaptadas em uma feira de defesa que começa na terça-feira, na Polônia.
Parte do sistema de defesa da Rafael (Foto: Bloomberg)
Volkswagen e WB não comentaram a reportagem. A WB afirmou que costuma apresentar atualizações sobre seus produtos de defesa e segurança na feira MSPO, que começa na terça-feira em Kielce.
A conclusão da transação de Osnabrück anunciada nesta segunda-feira depende de acordos definitivos, aprovação dos órgãos corporativos competentes e análises regulatórias, disse a Volkswagen. Informações sobre as atividades previstas, o cronograma e as perspectivas de emprego serão divulgadas assim que estiverem disponíveis.
“Estamos construindo uma relação industrial de longo prazo com nossos parceiros alemães, com a ideia de que a tecnologia seja produzida integralmente na Alemanha, para proteger a Alemanha e a Europa”, disse o CEO da Rafael, Yoav Tourgeman, em comunicado separado.
A estruturação do projeto sem uma parceria direta entre Volkswagen e Rafael pode ter ajudado a superar a resistência da Qatar Investment Authority, que detém cerca de 17% dos direitos de voto da VW e tem duas cadeiras no conselho de supervisão.
As preocupações do Catar decorrem de suas relações tensas com Israel, que se deterioraram ainda mais desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia reduziram de forma significativa os estoques globais de sistemas de defesa aérea, o que pode ampliar a demanda pelo escudo antimísseis Iron Dome.