Os papéis poderão ter vencimentos de três, cinco ou dez anos, com os prazos finais definidos de acordo com a receptividade dos investidores, disseram.
Os chamados panda bonds serão emitidos pela subsidiária Vale Overseas Limited e terão garantia da controladora, segundo as pessoas. A Vale não respondeu de imediato a pedidos de comentário enviados por e-mail fora do horário comercial.
Os panda bonds têm despertado interesse crescente como fonte mais barata de financiamento. As emissões de empresas e tomadores soberanos aumentaram 78% em relação ao mesmo período do ano anterior, para o recorde de 245 bilhões de yuans até agora neste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Governos estrangeiros e empresas globais emitiram panda bonds com cupom médio de 1,88% em 2026, o menor já registrado. A taxa fica mais de 300 pontos-base abaixo do rendimento dos Treasuries dos EUA de três anos.
O diretor financeiro da Vale, Marcelo Bacci, mencionou pela primeira vez no início deste mês o plano da empresa de emitir panda bonds, afirmando que é “natural” acessar o mercado de dívida da China, responsável por cerca de metade da receita da Vale.
O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, disse em julho que o governo buscava captar até 10 bilhões de yuans por meio da emissão de panda bonds, com a primeira operação podendo ocorrer ainda neste ano.
A emissão seria a primeira de um país latino-americano, enquanto o Brasil diversifica as fontes de financiamento para além da dívida denominada em dólares e aprofunda os laços financeiros com Pequim.
Os planos da Vale e do governo brasileiro de acessar o mercado de títulos chinês estão alinhados a esforços mais amplos em outros países para reduzir a dependência do dólar dos EUA e ampliar o acesso a fontes alternativas de capital. A Indonésia captou 7 bilhões de yuans com sua primeira emissão de panda bonds no mercado doméstico chinês em julho.
*Por Jackie Cai e Janice Huang
