“Os dados mostram que o e-commerce deixou de ser um canal alternativo e, mais importante, que passa a fazer parte da rotina das pessoas com uma frequência de uso que está crescendo mais”, disse Tiago Moherdaui, vice-presidente da Visa Consulting & Analytics, ao InvestNews.
O executivo destacou um dado em particular: os brasileiros que usam o mesmo cartão de crédito dez ou mais vezes por mês para fazer compras online já representam um grupo que chega a 8,1% do total. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, essa métrica chega à casa de 25%.
Os dados refletem novos comportamentos, cada vez mais comuns, em que as pessoas decidem não apenas fazer compras como também pedir as refeições, trabalhar de forma remota e se entreter ou se informar em plataformas de streaming e de notícias sem sair de casa.
Compras recorrentes
Uma recente reportagem do InvestNews abordou outra face desse fenômeno dos dias de hoje ao falar da armadilha das assinaturas de serviços que se multiplicam e se acumulam sem que as pessoas se deem conta dos gastos totais e recorrentes, com cobranças mensais: Netflix, Uber, Spotify, iFood, ChatGPT, Google Cloud e por aí vai.
Quando a gente decide consolidar todos esses gastos e compara com outras categorias no orçamento mensal, até leva um pequeno susto.
O estudo da Visa, uma das duas gigantes globais de pagamentos (ao lado da Mastercard), foi realizado em cima de dados agregados de seis mercados com maior penetração digital: Austrália, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Polônia e Reino Unido. E dimensiona o peso que serviços como streaming e delivery de refeições alcançaram.
Gastos recorrentes com serviços de streaming – Amazon Prime Video, Disney+, Globoplay, YouTube Premium etc. – estão mais presentes nos gastos com cartão do que aqueles com cinemas e shows nos mercados pesquisados (ainda que, em valores, estes últimos quase sempre superam as demais categorias): isso mostra uma tendência que ganhou força com a pandemia e que veio para ficar mesmo com a vida normalizada.
No caso do delivery de comida, o estudo aponta que o serviço deixou de ser um hábito de consumo de ocasião para se tornar um comportamento recorrente, o que inclui um grupo classificado como de “massa”.
O aumento da penetração é explicado pela evolução dessa indústria, o que inclui cada vez mais restaurantes para todos os bolsos – inclusive aqueles que podem pagar mais –, programas de fidelidade e concorrência entre plataformas. É justamente o que acontece em mercados como o brasileiro, em que 99Food e Keeta buscam ampliar o alcance do serviço.
Contamos aqui que o iFood já realiza 50 milhões de entregas por mês, em volume que inclui também pedidos de supermercados, farmácias e até pet shops.
Para varejistas e empresas que vendem serviços ou produtos ao consumidor final, o executivo diz que os dados do estudo reforçam a importância de contar não só com canais de venda digitais como uma experiência que facilite essa “jornada de compra”.
O uso crescente de ferramentas de IA (inteligência artificial) para fazer compras ajuda a dar um impulso a essa transformação.
“Não é uma competição entre o físico e o digital mas um complemento. O consumidor pode estar na loja presencialmente e decidir fazer a compra pelo app”, disse o VP da Visa Consulting & Analytics.
