Economia

Vale pede registro na China para programa de panda bonds de até US$ 1,4 bilhão

A Vale deu um passo para captar recursos no mercado de dívida da China. A mineradora informou nesta terça-feira (20) que sua subsidiária integral Vale Overseas Limited apresentou um pedido de registro para um programa de emissão de títulos denominados em renminbi, a moeda chinesa, no valor de até 10 bilhões de yuans (cerca de...

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A Vale deu um passo para captar recursos no mercado de dívida da China. A mineradora informou nesta terça-feira (20) que sua subsidiária integral Vale Overseas Limited apresentou um pedido de registro para um programa de emissão de títulos denominados em renminbi, a moeda chinesa, no valor de até 10 bilhões de yuans (cerca de US$ 1,4 bilhão).

Conhecidos como panda bonds, esses títulos são emitidos por empresas ou governos estrangeiros no mercado doméstico chinês. O programa proposto pela Vale abrange o período de 2026 a 2028 e depende da aprovação da Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro da China (NAFMII).

Os títulos emitidos no âmbito do programa terão garantia integral e incondicional da própria Vale. A apresentação do pedido, porém, não representa uma emissão efetiva. Uma eventual captação dependerá, entre outros fatores, das condições de mercado.

A mineradora brasileira programou um “road show” já nesta semana para apresentar a operação a potenciais investidores.

A movimentação ocorre em meio ao interesse do governo brasileiro em acessar o mercado chinês de dívida. O Tesouro Nacional prepara uma emissão pioneira de títulos soberanos em yuans, em uma operação que pode abrir caminho para outras companhias brasileiras.

Em junho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou uma carta de intenções do Tesouro Nacional ao Banco Popular da China, o banco central do país asiático. Na ocasião, a proposta do governo previa uma captação de aproximadamente 10 bilhões de yuans, equivalente a cerca de US$ 1,4 bilhão.

O cronograma divulgado anteriormente apontava para uma possível operação entre o fim de setembro e outubro, sujeita à aprovação dos reguladores chineses e a condições de mercado favoráveis.

Vantagens e riscos da captação em yuans

Um dos atrativos dos panda bonds é o custo de financiamento. Segundo informações divulgadas anteriormente, emissões recentes de empresas e governos no mercado chinês tiveram taxas entre 1,70% e 2,05% ao ano. Para comparação, a captação mais recente do governo brasileiro em dólares, por meio de um título de dez anos, registrou retorno (yield) de 6,4% ao ano.

As taxas, contudo, não são diretamente comparáveis: o custo final depende do prazo, do risco de crédito do emissor, das condições de mercado e de eventuais despesas associadas à operação.

O risco cambial é outro fator relevante. Uma empresa que capta em yuans e tem parte significativa de suas receitas ou despesas em outras moedas fica exposta à variação do câmbio, caso não faça operações para reduzir esse risco. A oscilação do yuan em relação ao real, portanto, pode influenciar o custo efetivo da dívida para uma companhia brasileira.

China tem peso nos negócios da Vale

Para a Vale, o mercado chinês tem importância que vai além do financiamento. A China é o principal destino do minério de ferro produzido pela mineradora e responde por uma parcela relevante de suas receitas.

Em declaração anterior, o diretor financeiro da companhia, Marcelo Bacci, afirmou que seria natural a Vale buscar acesso ao mercado financeiro chinês, considerando a importância do país para seus negócios.

O acesso, porém, depende das condições oferecidas pelos investidores chineses, das exigências regulatórias e das necessidades de financiamento de cada companhia.

A Vale informou que manterá o mercado atualizado sobre os desdobramentos relevantes do programa. Os títulos serão emitidos exclusivamente no mercado interbancário de títulos da China, em conformidade com as leis e regulamentações locais.

Além da Vale, empresas brasileiras com relações comerciais relevantes com a China, como WEG, JBS e Embraer, foram apontadas anteriormente como possíveis candidatas a explorar esse mercado. A Suzano já acessa esse mercado. A fabricante de celulose foi a primeira empresa não financeira das Américas a emitir panda bonds, em novembro de 2024, quando captou 1,2 bilhão de yuans. Desde então, realizou novas operações na China.



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Redação A Notícia 24H.