Economia

A Netflix perdeu US$ 135 bilhões. Agora, precisa de novos sucessos para reverter a queda

A Netflix precisa provar que consegue voltar a produzir filmes e séries de sucesso para interromper uma queda que eliminou mais de US$ 135 bilhões de seu valor de mercado neste ano. A gigante do streaming divulga seus resultados após o fechamento do mercado nesta terça-feira (20), e os investidores provavelmente estarão mais atentos ao...

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A Netflix precisa provar que consegue voltar a produzir filmes e séries de sucesso para interromper uma queda que eliminou mais de US$ 135 bilhões de seu valor de mercado neste ano.

A gigante do streaming divulga seus resultados após o fechamento do mercado nesta terça-feira (20), e os investidores provavelmente estarão mais atentos ao que os executivos responsáveis pelo conteúdo disserem sobre os lançamentos previstos para os próximos seis meses do que aos números do terceiro trimestre.

As ações caem 25% em 2026, colocando a Netflix entre os dez piores desempenhos do índice Nasdaq 100, concentrado em empresas de tecnologia, e a caminho de registrar seu pior ano desde 2022. O papel vem de uma queda de 14% em setembro.

O motivo não é segredo para quem acompanha a empresa: o engajamento dos usuários estagnou diante da falta de conteúdos populares, apesar dos gastos elevados em um mercado de entretenimento cada vez mais concorrido e competitivo.

As ações subiam 0,1% no início do pregão desta terça-feira.

A Netflix conquistou neste ano o menor número de prêmios Emmy em uma década, e a empresa não está crescendo rápido o suficiente, segundo Ted Sarandos, co-CEO da companhia.

“O conteúdo está ficando muito caro, e ainda há participantes demais nesse mercado”, disse Ken Mahoney, da Mahoney Asset Management. “Acho que existem muitas histórias melhores no setor de tecnologia do que a Netflix, com clientes mais fiéis.”

A Netflix está tomando medidas para melhorar seu catálogo e aumentar sua audiência. Na segunda-feira, anunciou a saída de Dan Lin, chefe de sua divisão de filmes. Na semana passada, substituiu sua diretora de conteúdo, Bela Bajaria, por Peter Rice, ex-presidente da Walt Disney Television. A empresa também planeja cortar cerca de mil postos de trabalho em diferentes departamentos no mundo todo, em uma iniciativa para reduzir custos.

Para os investidores, porém, o problema é que os resultados divulgados agora não refletirão essas mudanças. E, mesmo que os executivos apresentem uma perspectiva sólida para a receita, isso dificilmente encerrará o debate sobre o engajamento dos usuários, segundo Geetha Raganathan, analista da Bloomberg Intelligence.

“Uma programação mais forte no quarto trimestre pode recuperar a audiência e impulsionar a publicidade, mas os investidores vão querer provas de que o engajamento pode melhorar sem comprometer a expansão das margens”, escreveu a analista em relatório de 19 de outubro. A chegada de Rice sinaliza uma possível mudança de direção, com foco em “produções originais de maior qualidade, capazes de gerar repercussão, e em gastos mais elevados com conteúdo em 2027”, acrescentou.

Os analistas que acompanham a empresa esperam que a Netflix informe um aumento de 12% na receita do terceiro trimestre, para US$ 12,9 bilhões, e uma alta de 39% no lucro por ação, para US$ 0,82, segundo dados compilados pela Bloomberg. A margem bruta deve ficar em 51%, ligeiramente abaixo da registrada no segundo trimestre.

Em Wall Street, a avaliação das ações continua predominantemente positiva. O preço-alvo médio, de cerca de US$ 92, indica potencial de valorização de 32% nos próximos 12 meses. Embora o sentimento do mercado tenha piorado — com dois analistas passando a recomendar a venda das ações no último mês —, os otimistas acreditam que a percepção sobre a empresa está prestes a mudar.

“Embora o volume total de horas assistidas ainda esteja fraco, a qualidade melhorou, como mostram as horas de exibição dos títulos e sua presença no Top 10, enquanto o número de sequências está aumentando” até o fim do ano, escreveram analistas da Oppenheimer liderados por Jason Helfstein em relatório de 14 de outubro.

Segundo eles, três meses de aumentos de preços nos Estados Unidos e um mês de tarifas publicitárias mais altas devem impulsionar a receita. Os cortes recentes no quadro de funcionários também podem liberar recursos para ampliar os gastos com marketing ou conteúdo, ou contribuir para melhorar as margens.

A administração poderá dar algumas indicações sobre as expectativas para 2027, mas dificilmente apresentará projeções detalhadas, segundo Mark Mahaney, da Evercore ISI. Ele demonstrou entusiasmo especial com o lançamento recente de East of Eden (A Leste do Éden).

“A Leste do Éden parece muito promissor para nós”, escreveu Mahaney em relatório enviado a clientes em 16 de outubro. “Steinbeck está de volta!”

A receita publicitária pode ser mais importante para os investidores do que o engajamento da audiência, segundo Alicia Reese, da Wedbush. Ela afirma que o segmento está a caminho de dobrar de tamanho em 2026, alcançando cerca de US$ 3 bilhões.

“A Netflix está promovendo mudanças ativamente que devem resolver tanto os problemas de engajamento quanto redirecionar recursos de uma infraestrutura cara para gastos com conteúdo mais direcionados”, escreveu Reese em relatório de 16 de outubro.

Um dos argumentos favoráveis à compra das ações é a avaliação da empresa pelo mercado. O papel está cotado a menos de 19 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, o menor múltiplo desde 2022 e bem abaixo da média dos últimos dez anos, de 49 vezes.

Isso ajuda a explicar por que Justin Patterson, analista da KeyBanc Capital Markets, acredita que os riscos para a Netflix já estão refletidos no preço das ações.

“Os argumentos pessimistas, relacionados à desaceleração do engajamento e a uma expansão mais moderada das margens, já estão, possivelmente, incorporados ao preço”, escreveu ele em relatório de 12 de outubro.

“Acreditamos que a administração está ciente desses problemas e esperamos medidas corretivas nos investimentos em conteúdo e na reorganização das despesas para sustentar o crescimento e os lucros, além de gerar valor para os acionistas.”



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Redação A Notícia 24H.