Ele se referia às regras relacionadas à Reserva Natural do Estuário do Sado, uma área protegida nos arredores de Comporta. A reserva restringe onde e como os empreendimentos podem ser construídos, especialmente perto da costa. Como resultado, mesmo com o surgimento de novos hotéis e vilas no interior, grande parte da orla permaneceu tranquila.
Depois do almoço, caminhei para o norte pela praia. Os restaurantes e clubes de praia estavam concentrados em apenas alguns pontos de acesso. Em poucos minutos, as multidões diminuíram, deixando longos trechos de areia praticamente sem outro banhista à vista.
Uma nova onda chega
Mais adiante na costa, na Praia do Pego, tive um vislumbre da Comporta que pode estar por vir. No JNcQUOI Beach Club, de três anos, é mais provável encontrar pessoas vestindo maiôs de grife e carregando bolsas caras de ráfia do que o uniforme habitual da região, composto por camisas de linho e chinelos.
Enquanto o restaurante Sal é colorido e eclético, o JNcQUOI Beach Club aposta em uma paleta elegante de azul-marinho, madeira natural e creme.
Muito antes de o JNcQUOI levar sua marca de luxo para Comporta, Gonçalo Pessoa já havia percebido seu potencial. O ex-piloto da TAP Air Portugal chegou à região pela primeira vez em 2001, depois de passar anos tirando férias no Algarve, mais desenvolvido, no sul de Portugal. À medida que observava viajantes bem-informados começarem a chegar, percebeu que faltava algo: um lugar sofisticado para eles se hospedarem. Em 2014, abriu o Sublime Comporta, com apenas 14 quartos.
Em maio, inaugurou o Sublime Sand, uma extensão com aspecto de vila do outro lado da estrada, desta vez com 43 vilas. Acrescentou restaurantes, incluindo a churrascaria Beefbar, além de um spa, degustações de vinho com o sommelier da propriedade, passeios a cavalo pelas dunas e excursões de bicicleta pelos arrozais. Os preços começam em US$ 1.400 por noite.
As vilas do Sublime Sand, de dois a quatro quartos, estão espalhadas pela floresta e são feitas de madeira, vidro e zinco para se integrar à paisagem. “Devemos ser fiéis aos lugares onde nos estabelecemos, e a arquitetura precisa respeitar isso”, disse Pessoa.
Criando raízes
Durante meu tempo nos arredores de Comporta, percebi um padrão. Muitas das pessoas que conheci haviam chegado como visitantes e depois encontrado motivos para continuar voltando, até finalmente se estabelecerem de vez. O Atlantic Club Comporta, uma nova comunidade residencial com 24 vilas, pode ser uma resposta a essa atração. Idealizado pelo designer de interiores francês Jacques Grange, frequentador da região há 30 anos, o empreendimento ocupa 35 acres de terreno nas encostas, com vista para o Atlântico e para os arrozais de Carvalhal.
Suas vilas, de quatro a oito quartos, estão espalhadas entre figueiras, romãzeiras e jardins projetados pelo paisagista Madison Cox. No interior, azulejos portugueses, ráfia e roupas de cama coloridas preenchem espaços arejados que se abrem para piscinas privativas. Elas podem ser compradas por preços que variam de aproximadamente US$ 4,6 milhões a US$ 13,8 milhões. Os aluguéis começam em cerca de US$ 15 mil por semana.
Anna Jorge, que cresceu na região, viu o dinheiro chegar em grande quantidade. Encontrei-a no Cavalariça, um restaurante em Comporta instalado em um antigo estábulo de cavalos. As antigas baias agora emolduram o salão. “Tudo ao nosso redor explodiu em termos de investimentos, o que cria empregos e oportunidades que, de outra forma, não teríamos”, disse Jorge. “Mas sempre ficamos um pouco apreensivos quando as pessoas falam em desenvolvimento, porque não sabemos onde isso vai parar.”
Em um momento tenso para os moradores locais, o que me surpreendeu foi como a antiga Comporta que eu conhecia pelas histórias — com suas lojas artesanais e cafés — ainda podia ser encontrada com tanta facilidade. Por quanto tempo ela conseguirá manter esse equilíbrio é outra questão.
Por enquanto, parece que ela ainda oferece algo cada vez mais difícil de encontrar nas costas mais cobiçadas da Europa: espaço para respirar.
O que reservar antes de chegar a Comporta
Algumas das experiências mais memoráveis da região exigem um pouco de planejamento antecipado. Veja o que reservar antes de viajar.
Passeio a cavalo pelas dunas
Reserve um passeio com a Cavalos na Areia, cujas excursões guiadas também atravessam florestas de pinheiros e arrozais antes de chegar à praia. (A partir de aproximadamente US$ 80 por pessoa.)
Degustação privada de vinhos
Agende uma degustação privativa na Quinta Brejinho da Costa, uma vinícola familiar perto de Melides, conhecida por seus vinhos de pequena produção e visitas personalizadas.
Passeio de barco pelo estuário do Sado
Saia com a Sado Emotion em busca dos golfinhos-nariz-de-garrafa que vivem no Sado, em um cruzeiro pela costa da Arrábida. Também são oferecidos passeios privativos. (A partir de aproximadamente US$ 52 por adulto.)
Jantar no Xtian
Visite o restaurante dentro do Vermelho Hotel, a pousada de 13 quartos de Christian Louboutin, uma verdadeira joia em formato de caixa localizada em Melides, e peça um dos pratos de arroz típicos da região. Chegue cedo para tomar um aperitivo no bar e passear pelos interiores repletos de obras de arte e pelos jardins labirínticos.
Passeio privativo de buggy ao pôr do sol
Explore os campos, florestas e dunas de Comporta em um passeio privativo de buggy off-road com a Feel Comporta. Para uma experiência ainda mais especial, faça um upgrade incluindo um piquenique com harmonização de vinhos. (A partir de aproximadamente US$ 345 por pessoa.)
Traduzido do inglês por InvestNews

